<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983</id><updated>2011-12-01T12:51:23.893Z</updated><category term='Uma história por um euros'/><category term='A vida dava um texto relativamente curto'/><category term='o meu primeiro porno'/><category term='excertos de uma parte'/><category term='top-secret'/><category term='Estado Crítico'/><category term='Uma história por um euro'/><title type='text'>caderno preto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>93</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-4673168516631100959</id><published>2011-09-09T00:10:00.001+01:00</published><updated>2011-09-09T00:12:17.218+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>As duas marcas de nascença de Alexander Galimov</title><content type='html'>Alexander Galimov, russo, jogador de hóquei em gelo,  com 26 anos, canhoto, avançado direito, medalha de prata do campeonato do mundo de juniores em 2005, o mais antigo jogador do plantel do Lokomotiv Yaroslavl, não o mais velho, mas o mais antigo, está lá desde 2004 e essa era até ontem ao inicio da tarde a única marca de nascença que o distinguia naquele grupo de todos os outros hoquistas da equipa, o facto de entre todos ter sido o primeiro a chegar. Ele, de 26 anos, avançado canhoto, fintou o destino de todo o grupo e evitou a morte no fogo, no ferro e no ar, na água e no chão. A nova marca de nascença queimou-lhe o corpo inteiro, as notícias em cima da hora disseram que ele tinha morrido, mas ele não, ele tinha sido o primeiro a chegar, vai ser o último a partir, as notícias dizem agora que o corpo de Alexander Galimov não morreu no bloco operatório e a internet que lhe tinha dado a extrema unção já se actualizou e manda dizer que o estado é crítico mas que não é defunto.  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-4673168516631100959?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/4673168516631100959/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=4673168516631100959&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4673168516631100959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4673168516631100959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/09/as-duas-marcas-de-nascenca-de-alexander.html' title='As duas marcas de nascença de Alexander Galimov'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Vila Nova de Gaia, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.1358915 -8.6331883</georss:point><georss:box>41.0402205 -8.791116800000001 41.2315625 -8.4752598</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2494692003807507020</id><published>2011-09-04T15:39:00.001+01:00</published><updated>2011-09-04T15:46:29.890+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>As palavras de amor não têm domingo</title><content type='html'>Domingo, cidade do Porto, o café custa trinta cêntimos na máquina de bebidas quentes do emprego&amp;nbsp; ao lado e antes da porta de vidro, em frente à porta do elevador, no segundo andar, numa plataforma intermédia dos lanços dos degraus, a espreitar a subida para o terceiro piso, a máquina, ao serviço de jornalistas, médicos, produtores, enfermeiros, reprodutores, gente de uma redacção de televisão e de uma clinica de fertilidade. &lt;br /&gt;A clínica está fechada ao domingo, a televisão não, a televisão não desliga a ficha, mas a clínica sim, desliga-se deste prédio aos domingos e aos domingos aqui tudo é mais quieto e mais silêncio, é verdade que há menos jornalistas e menos conversas, mas a verdade é que este vazio é porque hoje, domingo, não chegam casais de mão dada e não sobem o elevador, não sobem os degraus, não fazem pausar as conversas dos fumadores em frente à máquina do café quando passam, não fazem passar, diante das nossas vidas, os projectos de amor, nem as palavras de mão dada, nem a ilusão da felicidade medicamente assistida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras de amor não têm domingo é o título da canção francesa do festival da eurovisão de 1987. Intérprete, Cristine Minier. Posição, 14º lugar. Pontos, 44. Poucos votos no amor sem pausas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2494692003807507020?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2494692003807507020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2494692003807507020&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2494692003807507020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2494692003807507020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/09/as-palavras-de-amor-nao-tem-domingo.html' title='As palavras de amor não têm domingo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Porto, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.149968 -8.610242599999992</georss:point><georss:box>41.103815000000004 -8.692381599999992 41.196121 -8.528103599999993</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1841074252232781628</id><published>2011-09-01T14:39:00.001+01:00</published><updated>2011-09-01T14:59:49.548+01:00</updated><title type='text'>O senhor proprietário</title><content type='html'>Estou na posse de uma tarde livre, de uma praia vazia, de um atlântico norte quieto às ordens de uma bandeira amarela inesperadamente no papel de peixe fora de água. Tenho ao alcance das mãos o teclado de um telefone pequeno para o  tamanho dos dedos, tenho ao alcance das mãos um tubo de papel com açúcar, uma chávena com café e um pires com a chávena. Tenho um pára-vento tão desnecessário quanto a bandeira a amarela, tenho a necessidade de o contar, tenho um estrado de madeira por baixo dos pés até  chegar à areia, tenho uma passadeira azul em rede até ao fim das linhas das barracas azuis. Tenho curiosidade sobre a temperatura da água do mar, tenho pena do mês de agosto e tenho setembro a nascer do sol.             &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1841074252232781628?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1841074252232781628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1841074252232781628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1841074252232781628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1841074252232781628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/09/o-senhor-proprietario.html' title='O senhor proprietário'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8918045738954116682</id><published>2011-08-29T15:16:00.003+01:00</published><updated>2011-08-29T15:38:01.067+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>A última hora</title><content type='html'>A velha história da ribeira do Porto fotografada do lado de Gaia acontece agora no telemóvel do Pedro, virado para o aço dos tabuleiros e do arco da ponte, com quatro barcos rabelos amarrados ao rio, azul escuro, de onde saltam as cores da madeira e da tinta amarela e das pipas. Vejo um ractângulo vermelho com o nome branco de uma marca de carros, espanhola, vejo o ceú azul mais claro, vejo o Porto em miniatura e vejo pela fofografia que o Pedro não está na rádio a cuidar do som. Está na rua a cuidar da imagem da cidade. E eu gosto.&lt;br /&gt;O Pedro, e eu, estamos longe do caminhos longos do senhor Senkawa.O senhor Senkawa é um fotógrado japonês que gosta de futebol&amp;nbsp; do FC Tokio, que gosta de comer e que gosta de Gotemba (Gotemba é outra cidade japonesa) e que gosta de correr. Hoje correu quinze quilómetros numa hora, dezanove minutos e trinta e seis segundos. Equanto isso, o André pousou a carteira, pousou o ipad, numa mesa, ao lado do cinzeiro branco, pousado, na tal mesa que é castanha e pediu um café e deixou-se estar sentado a tirar partido da sombra das árvores.&lt;br /&gt;Nesse intervalo do café, em casa, o Filipe deitou o gato e deitou cão em cima da manta manta rosa que está em cima de uma manta amarela que está em cima de um sofá. A Tânia tem uma blusa lilás e o cabelo apanhadoe uma madeixa loira solta no rosto. Sorri e o gato ronrona.&lt;br /&gt;O António encontra o número trinta e sete em cima de portas, tira fotografias porque tem trinta e sete anos e partilha no Instagram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8918045738954116682?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8918045738954116682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8918045738954116682&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8918045738954116682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8918045738954116682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/08/ultima-hora.html' title='A última hora'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Porto, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.149968 -8.610242599999992</georss:point><georss:box>41.103815000000004 -8.692381599999992 41.196121 -8.528103599999993</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-4637529976252301603</id><published>2011-08-22T20:02:00.003+01:00</published><updated>2011-08-22T20:17:50.593+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>A picante história de um campo de futebol loiro</title><content type='html'>Existe liberdade absoluta nos campos amarelos à entrada de uma aldeia nas proximidades da fronteira transmontana com a Espanha. O tractor andou ali naquela descida antes do almoço, primeiro andou cem metros perpendiculares à rua, para dentro do campo, e depois andou mais sessenta metros paralelos à rua e depois andou no interior desse rectângulo todo, entre duas balizas que ali estão o ano inteiro e que agora nos surgem mais à vista, depiladas de todos os cardos, as balizas, mas também o campo. Andou ali o tractor e andou ali um homem com duas redes às costas, vestiu as balizas para o jogo do fim de tarde, a seguir ao calor, entre os solteiros e os casados de Prado Gatão. &lt;br /&gt;Os jogadores estavam onde estavam os copos de plástico e a rulote cinzenta e máquina da cerveja. Mais do que beber para matar a sede, estiveram a beber para o dia baixar a temperatura para mais longe dos quarenta graus. &lt;br /&gt;Saberão mais as mulheres deste assunto seguinte, e também o sabem os homens dos século XXI: nenhuma depilação é definitiva. O campo de futebol loiro é um tapete de raízes secas e cardos. A terra tem a firmeza da jornada lavrada. As chuteiras vão mais ao fundo e os pés picam, avisam para o perigo das quedas desta espécie de jogo que aí vinha de faquires. Onde não havia cardos, nem rancos nem palha, havia todas as variáveis da merda das vacas e dos cordeiros, seca e nem tanto. &lt;br /&gt;Existe liberdade absoluta nos campos amarelos à entrada de uma aldeia. Os jogadores pousaram os copos na praça central e estão a chegar e estacionam os carros junto à linha lateral, as motorizadas avançam pelas quatro linhas como bolas à solta, uma delas cai rasteirada pela roda da frente. O solteiro que ia a guiar e que saltou pelo guiador vai jogar com sangue nos pés e com sangue na alma. Acho mesmo que todos os solteiros vão jogar assim. Eu, que nunca casei, ao abrigo da nova lei de transferências, jogo na equipa dos casados e tenho direito a uma camisola cor de laranja em lã e de manga comprida.&lt;br /&gt;O encontro mais importante do ano começa quando o dia tem trinta e dois graus e dezoito horas e quinze minutos. Quando o dia tem trinta e dois graus e dezoito horas e vinte minutos e eu tenho dois dribles seguidos, só não chego ao terceiro porque tenho a mão de um médio nas costas e o bico do pé de um defesa no tornozelo. Antes de cair, chego a ter tempo de desejar a sorte de cair em cima da merda, mas infelizmente todas aquelas cambalhotas até parar foram cardos, foram prosas. &lt;br /&gt;Voltei ao jogo na segunda parte. Empatámos dois dois com tremenda ajuda do apito no primeiro golo. Tivemos, às portas de Espanha, uma arbitragem à portuguesa.  &lt;br /&gt;Qual o melhor momento do encontro? O cordeiro na brasa, o palaçoulo na mão, a cortar a carne em cima da broa e o vinho tinto lavrado. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-4637529976252301603?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/4637529976252301603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=4637529976252301603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4637529976252301603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4637529976252301603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/08/picante-historia-de-um-campo-de-futebol.html' title='A picante história de um campo de futebol loiro'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Vila Nova de Gaia, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.1358915 -8.633188300000029</georss:point><georss:box>41.0662925 -8.746385300000028 41.205490499999996 -8.51999130000003</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8665322797639541741</id><published>2011-08-22T01:23:00.002+01:00</published><updated>2011-08-22T01:42:07.655+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>como os livros nos chegam às mãos</title><content type='html'>A mulher com o corpete vermelho passa os olhos azuis pelo rosto moreno de um homem, passa as mãos pela esbranquiçada capa de um livro, exibe o título e as unhas vermelhas, sorri, afasta o cabelo loiro, o homem e a mulher entrelaçam os braços, sobem o primeiro lanço de escadas dentro do hotel, procuram um elevador, encontram um quarto, ela é puta, ele não.&lt;br /&gt;Belle é inglesa, tem um diário secreto, o diário secreto de uma call-girl, o corpo todo é uma máquina de fazer dinheiro, de fazer dinheiro como as mulheres fazem com o corpo, e as mãos até escrevem. Belle vive, conta, faz, diz, escreve, entra em casa, tira a puta do organismo, senta-se a ler um livro e quando está a ler chama-se Hanna, é uma rapariga em Londres, recém licenciada, tem um melhor amigo homem e nem ele sabe que o emprego numa multinacional é inventado e que a amiga responde por outro nome com a carteira aberta.&lt;br /&gt;Billie Piper, cantora e actriz faz de Hanna e de Belle. Na cena que me prendeu, a loira de corpete vermelho entrega ao primeiro cliente da outra vida, com o qual mantém encontros esporádicos, antes de subirem para o quarto, e antes de ela desempenhar o papel de namoradinha com vontade, Belle entrega o livro que Hanna comprou e trouxe de casa dentro de uma mala preta: &lt;i&gt;The Human Stain&lt;/i&gt;, de Phillip Roth.&lt;br /&gt;Acabei de ver o episódio três da série um de &lt;i&gt;Secret Diary of a Call Girl&lt;/i&gt;. Elaborei um roteiro secreto. Fiz catorze quilómetros de bicicleta em quarenta e tal minutos. Regressei a casa e tomei banho. Aqueci o jantar no micro-ondas, jantei e saí de casa. Tomei café na livraria, procurei o livro, mas A Mancha Humana estava esgotada. Deixei o meu número de telefone para avisarem da recepção do livro que ficou encomendado. Há-de chegar às minhas mãos como se estivesse a sair das mãos da Billie Piper.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8665322797639541741?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8665322797639541741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8665322797639541741&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8665322797639541741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8665322797639541741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/08/como-os-livros-nos-chegam-as-maos.html' title='como os livros nos chegam às mãos'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Vila Nova de Gaia, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.1358915 -8.633188300000029</georss:point><georss:box>41.0662925 -8.746385300000028 41.205490499999996 -8.51999130000003</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5968237630955998923</id><published>2011-07-26T01:50:00.001+01:00</published><updated>2011-07-26T01:53:35.704+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Um dia nas corridas</title><content type='html'>O pau que um dia já tinha sido um ramo de uma ávore de fruto tinha uma ponta da forma de um coto e essa forma estava cravada na terra e uma ponta bifurcada: no meio do "v", um arame, esticado, impedia a roupa de bater no chão, evitava nova fadiga dos braços da mãe ou da avó. &lt;br /&gt;O arame, na totalidade do próprio comprimento, mordido pelas molas de plástico, que não estavam ali para o comer, estavam ali a segurar calças, camisas, mangas curtas, meias, cuecas, cuecas, cuecas, meias, meias e meias, um casaco. Um ou outro par de coadores de café.&lt;br /&gt;Em 1986 estava a começar a nossa volta ao mundo. A televisão era a janela que nos abria as portas. Quando estávamos prontos para voltar à rua, não o sabíamos mas éramos copistas de mãos vazias à disposição das tardes, talhados para replicar um jogo de futebol do mundial no México, onde deus desceu à terra pela última vez, as saudades das pedaladas do ciclismo do Sporting, um campeonato inteiro de Formula 1. Daqui em diante vamos prender estar história com as tais molas de plástico. Vamos morder os calcanhares à memória.&lt;br /&gt;Uma mola amarela. A partes da mola onde se aperta para ela abrir a boca, nessa parte, em vez de apertar, afasta-se os dois lados com os dedos polegar e indicador de cada mão. Com cuidado para evitar o richote da mola. Com cuidado um dos lados  em plástico fica liberto e depois liberta-se o outro da parte metálica. Como numa receita de cozinha, é preciso fazer uma coisa a seguir à outra. Agora é preciso voltar cada uma das partes planas para o chão. E já está! Dois carros de Formula 1 amarelos, a equipa Williams, o manicómio sobre rodas de Mansell e Piquet. As molas brancas, com um risco de marcador vermelho, a McLaren, o maço de tabaco de Prost e Roseberg. As molas verdes, a multicolor Benetton, roupinha arranjadinha do Berger e do Fabi. As molas brancas, com um risco azul, a Brabham, do recordista de corridas Patrese e a urna de De Angelis. As molas azuis, azuis de França, Ligier, armada gaulesa dos três mosqueteiros Laffite, Arnoux e Alliot. E um par de molas de madeira, pintado com um marcador preto, a Lotus de Dumfries e de Senna. E depois de tudo isto as mãos abriam estradas na areia do parque infantil, as mãos faziam as pistas dos desenhos dos circuitos da tv, as mãos empurravam os carros. No fim o champanhe sabia a gasosa e não havia meninas para dar beijinhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5968237630955998923?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5968237630955998923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5968237630955998923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5968237630955998923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5968237630955998923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/07/um-dia-nas-corridas.html' title='Um dia nas corridas'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Vila Nova de Gaia, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.1358915 -8.633188300000029</georss:point><georss:box>41.0662925 -8.746385300000028 41.205490499999996 -8.51999130000003</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5350928218750962485</id><published>2011-07-21T01:55:00.004+01:00</published><updated>2011-07-21T02:02:27.818+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Respira fundo</title><content type='html'>Em passo de corrida às onze horas da noite mais vinte minutos arranca uma história seguramente candidata ao prémio móvel da economia da gramática se houvesse porque os dois únicos acentos são esta virgula e este ponto por extenso e a partir daqui vai ser até ao fim como foi até aqui ao ritmo médio de cinco minutos e trinta e quatro segundos por quilómetro vai ser a esta velocidade durante os próximos oito quilómetros a contar a partir de quando se começou a escrever em passo de corrida às onze horas da noite mais vinte minutos do dia vinte de julho um dia que vai acabar antes do fim desta corrida feita em média a uma velocidade pouco superior aos dez quilómetros por hora um andamento agradável sem forçar a mente e sem esforçar o corpo duas partes que têm de estar correr sempre para o mesmo lado caso contrário o atletismo deixa de ser uma actividade saudável e assume o significado da palavra tortura palavra que só vem aqui a este caso com o propósito único de explicar como é correr com o corpo e não conseguir correr com o cérebro e o contrário também e ainda bem que está tudo convenientemente explicado o que a dez quilómetros por hora só se consegue fazer se como foi anteriormente explicado o corpo e a mente estiveram a correr cada um com o seu pé e em simultâneo e saliente-se o contributo da temperatura do ar perto da meia-noite um aliado nestas coisas do caminhar por desporto relativamente mais depressa é que por um lado foda-se foda-se está para a corrida como um sinal de pontuação está para uma frase foda-se é uma pausa em andamento é a capacidade de respirar fundo sem ter de se recorrer à necessidade de parar e recorrer não é voltar a correr recorrer é querer outra vez o mesmo objectivo falhado imediatamente antes por isso se calhar recorrer é fugir para a frente mas correr apesar de ser andar para a frente com alguma pressa não é uma fuga é exactamente o contrário e antes do primeiro foda-se estava a decorrer a entrega do prémio de mérito e justiça à noite quando colocada ao serviço do corpo e neste particular os pulmões estão a correr em casa quando correm no escuro e no escuro é quando todos os músculos dos corpo melhor compreendem a dupla condição forçar relaxar forçar relaxar e só terminam o trabalho quando todos os habitantes do corpo do coração aos pêlos do nariz sem ordem de importância aprovam por unanimidade a paragem uns dos outros relativamente à tarefa que estavam a desempenhar com suor de norte a sul da pele e um esqueleto feliz da vida ao perceber o significado das manobras da língua ao dizer missão cumprida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5350928218750962485?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5350928218750962485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5350928218750962485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5350928218750962485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5350928218750962485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/07/respira-fundo.html' title='Respira fundo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Vila Nova de Gaia, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.1358915 -8.633188300000029</georss:point><georss:box>41.0662925 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A liberdade é um livro com seiscentas e oitentas quatro páginas, do americano Jonathan Franzen, é um livro do tamanho do felisteu Golias que me foi oferecido pelo gigante francês da cultura, Fnac, Fédération Nationale d'Achats des Cadres,federação nacional de compradores de quadros, a tradução é minha. Este liberdade foi uma oferta em retribuição da compra desta tábua de vidro onde também, entre muitas outras liberdades, se pode escrever.&lt;br /&gt;Tenho esta liberdade há cerca de duas semanas e vou ter esta liberdade durante as próximas trezentas e setenta e quatro páginas, que é número a seguir ao qual vem o fim. Vou ter saudades dos Berglunds, mãe e filho principalmente, e do Katz. Vou ter saudades do jeito que este Golias das prateleiras dá quando posto em função de almofada, sobre a toalha, na praia, de frente para o sol. Os livros magros não são muito desta estação.&lt;br /&gt;Agradeço, portanto, esta liberdade ao retalho francês, ao escritor americano, à sociedade americana também, e à revista chamada tempo. A seguir vou pegar num português chamado Valter, que me autografou o livro onde me pede para não o deixar cair no esquecimentos, ao livro, e através do qual espero ficar a saber mais qualquer coisinha da máquina de fazer espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(achei vinte euros no chão de uma rua enquanto corria feliz da vida com um par de sapatilhas novas. Desses vinte euros, gastei dezasseis no livro Tia Júlia e o Escrevedor, do peruano Mario Vargas Llosa, desse continente abaixo da América do norte, a sul dessa liberdade já Em cima descrita, essa mancha de terra e máquina de fazer escritores de língua espanhola)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(feitas a contas: três livros por onze euros, preço do português, com cinquenta por cento de desconto na feira do livro)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7777235840563236920?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7777235840563236920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7777235840563236920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7777235840563236920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7777235840563236920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/07/depois-da-liberdade.html' title='Depois da liberdade'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Vila Nova de Gaia, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.1358915 -8.633188300000029</georss:point><georss:box>41.0662925 -8.746385300000028 41.205490499999996 -8.51999130000003</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2699361454193570392</id><published>2011-07-18T01:01:00.006+01:00</published><updated>2011-07-18T01:36:55.915+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Os quadros brancos do mundo inteiro</title><content type='html'>Em comum aos dias 5, 7 e 15 havia uma linha onde o texto tinha começado e uma linha de onde o texto não tinha saído. O mês de Julho estava a construir um caderno mudo. Em cada um dos três dias, o teclado deu passos inseguros, respostas vagas para o caminho a tomar, o teclado recuou com os dedos e apagou todos os começos de frase e deixou a página em branco, como ela estava no início, como ela se apresentava no fim, &amp;nbsp;um prato limpo, sem carne nem peixe nem gordura nem massa nem folhas de alface nem cebola, um grão de arroz que fosse, em matéria de prova, a evidência de ter existido alimento (as ideias) mas de não ter havido fome (as palavras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 5. O dia 5 tinha um título e pouco de mais de um título. Plácido domingo, entitulava-se o dia 5. Era para ter sido uma breve história a contar as nove horas da manhã de um domingo deserto no Porto, deserto esverdeado por uma miragem de um homem a correr sozinho na descida da Boavista para o parque da cidade. Depois, uma hora mais tarde, o mesmo homem subia a mesma avenida, o mesmo deserto e passava dessa vez a caminhar. Tinha suor no rosto no peito e nas costas, uma camisola azul de alças, uns calções azuis, o jornal A Bola na mão direita, dobrado, e ele a ler a última página enquanto caminhava e trazia na mão esquerda um saco de papel castanho que talvez fosse o saco do pão. A seguir ao almoço, quando os carros e as pessoas tinham acabado com o deserto do Porto, o mesmo homem voltou a descer a avenida, calçava umas sapatilhas diferentes, &amp;nbsp;o braço onde tinha o jornal abraçava agora o ombro direito de uma senhora vestida com um fato de treino branco. Já não vi o Jorge Plácido desde o tempo em que ele subia e descia os campos de futebol naquela caminho tantas vezes deserto entre as balizas. Daí o Plácido do domingo, nada a ver com o tenor, mas sim com a paz de um casal que deve estar a escolher uma mesa recatada e a pedir dois cafés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 7. O dia 7 fugiu. Confesso que não me lembro. Continha um episódio urbano, atropelado por uma fragilidade criativa gigante. Deixou de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 15. O dia 15 acordou a fazer perguntas sobre os quadros brancos do mundo inteiro. Focando até ficar nítido: entenda-se por quadros brancos as histórias que um dia, por que motivo, não tiveram a vez de serem contadas. Pelo contador avaro, pelo contador seco, desligado, espremido, adiado, dormente, branco.&lt;br /&gt;O museu da páginas vazias fechou por tempo indeterminado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2699361454193570392?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2699361454193570392/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2699361454193570392&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2699361454193570392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2699361454193570392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/07/os-quadros-brancos-do-mundo-inteiro.html' title='Os quadros brancos do mundo inteiro'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Vila Nova de Gaia, Portugal</georss:featurename><georss:point>41.1358915 -8.633188300000029</georss:point><georss:box>41.0662925 -8.746385300000028 41.205490499999996 -8.51999130000003</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1282481538390594578</id><published>2011-06-23T18:36:00.003+01:00</published><updated>2011-07-13T00:50:28.088+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>A compra (1)</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 11px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 11px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;div style="font: 11.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 11.0px 0.0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A importância da cor, nesta compra, posso explicar em dois tempos: ou preta ou verde escura. São estas as duas únicas hipóteses para a tinta que há-de pintar o quadro da minha futura bicicleta. O quadro terá de ser adulto, adulto no sentido de clássico, um que me permita pedalar, sem parecer deslocado do quadro, quadro aqui enquanto tela e enquanto esqueleto da bicicleta, esteja eu metido na compostura de um fato, na casualidade de uns jeans ou na descontração total de uns calções. É com esta lógica de conjugação que chegamos aos pedais. Os pedais não podem fugir ao padrão de critério anterior e deverão calçar com o mesmo à vontade a borracha dos chinelos, a pele dos sapatos e a lona das sapatilhas. Do selim não se espera um sofá, apenas se exige conforto. De resto, a buzina que apita, o guiador que guie e as mudanças que mudem. E claro, que os travões travem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1282481538390594578?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1282481538390594578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1282481538390594578&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1282481538390594578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1282481538390594578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/06/importancia-da-cor-nesta-compra-posso.html' title='A compra (1)'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3789986718397371844</id><published>2011-06-15T10:11:00.002+01:00</published><updated>2011-06-23T18:15:23.721+01:00</updated><title type='text'>Crónica das nuvens que passam</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um homem aproxima-se do areal calçado com dois chinelos de dedo azuis, carrega num dos ombros um pára-vento azul enrolado, só as pontas de madeira saem fora do tecido, vem com uma mochila cinzenta nas costas, veste uma t-shirt cinzenta, as letras brancas escrevem uma palavra no peito, para baixo, na cintura, tem uns calçōes azuis em tecido fino, por baixo dos quais traz uns calções pretos em licra, mais curtos, para apanhar sol na maior superfície possível do corpo. Antes de chegar e de pousar no chão a toalha vermelha, antes de tirar a t-shirt, os calções e os chinelos de dedo, este homem, este rosto barbado, protegido da luz do dia por duas lentes de vidro verde escuro e aros dourados, este homem tem a cor do céu e das nuvens que passam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3789986718397371844?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3789986718397371844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3789986718397371844&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3789986718397371844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3789986718397371844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/06/cronica-das-nuvens-que-passam.html' title='Crónica das nuvens que passam'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6906848733360111193</id><published>2011-05-24T23:26:00.001+01:00</published><updated>2011-05-24T23:27:36.163+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='top-secret'/><title type='text'>Vivo</title><content type='html'>&lt;div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O último dia acabou às dez horas da noite e catorze minutos e vinte e oito segundos, num rectângulo constituído por uma tábua em madeira de cerejeira, colada a uma esponja amarela sem marca nem referência em particular, era esponja, cobertas as duas por recurso a um material sintético de cor preta, aproximado da napa em termos de aspecto, mas podendo não o ser, pela inaptidão em determinar peles e copiados, estando a napa, vamos dar-lhe seja como for essa designação, agarrada à parte inferior da tábua com agrafos da dimensão de quinze milímetros, acobreados,&amp;nbsp; havendo três desaparecido com o tempo e com o uso, enquanto que os resistentes permaneceram cravados, em linha recta, sensivelmente à distância de um palmo de uma mão adulta e de homem, e cuja totalidade deles deixava ver, de forma evidente, partes de ferrugem, não tendo deixado de cumprir, por via desse desgaste natural, o efeito de esticar a pele e de prender a esponja à tábua, vivendo as três partes, presas por arames interrompidos, uma vida inseparável. Havia dias em que alguém morria deitado de costas para esta maca. Hoje foi um desses dias.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6906848733360111193?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6906848733360111193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6906848733360111193&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6906848733360111193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6906848733360111193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/05/vivo.html' title='Vivo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5847415180335602181</id><published>2011-05-03T23:12:00.002+01:00</published><updated>2011-05-04T01:40:11.596+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Jogada de laboratório</title><content type='html'>Encerrou a entrada de uma divisão à qual todos chamavam sótão e ao fechar o alçapão, antes de o fazer, pendurou uma tira de papel do tamanho de uma matrícula de um automóvel, e nessa placa escreveu laboratório, palavra que às vezes estava bem de ler, mas que muito depressa deixava de estar, bastava vir alguém do lado contrário da sala. Laboratório era então o que dizia o tecto da sala, com o homem fechado na parte de cima.&lt;br /&gt;Demorou uma hora, duas horas, três horas. Demorou um dia, dois dias três dias. Tinha acabado de inventar uma espécie de vegetação verde com três centímetros de comprimento e três milímetros de largura. Chamou-lhe relva e produziu-a em quantidades. Inventou-a para ser lançada à terra e para ficar cravada no chão. Era verde. E muito mais consistente do que o projecto inicial, ao qual tinha atribuído o nome experimental de semente.&lt;br /&gt;Encontrou à porta de casa uma lata de tinta branca. Sentou as nádegas em cima. Foi buscar uma trincha e começou a desenhar linhas rectas. Quando acabou a pintura tinha desenhado um rectângulo. Não serviu para o deixar satisfeito. Partiu o rectângulo em dois quadrados com um risco ao meio. Fico contente, andou à roda, desenhou um círculo e sentou-se no meio, a contemplar a obra inacabada. Pensou em desenhar dois rectângulos pequenos em cada uma das extremidades do rectângulo gigante inicial. E desenhou. &amp;nbsp;Fez mais dois a seguir aos pequenos para que os pequenos não ficassem sós. Em cada um desses lados ficou sentado a pensar e nesses locais ficaram dois pontos, duas marcas do fundo do mesmo balde. Ao anoitecer decidiu fazer duas meias luas. Fez.&lt;br /&gt;E quando amanhã já era o outro dia, acordou a sonhar com outros objectivos. Rectângulos de ferro e em pé. Fez dois. Um para cada lado. No fim continuava descontente e chegou à conclusão que os dois últimos rectângulos poderiam ser confundidos com portas e podia vir gente e entrar. Fechou os dois com redes. Ao fechar os ferros, ocorreu-lhe a ideia de mandar fechar o ar. Pegou numa linha, numa agulha, desfez o couro do casaco em bocados. Descobriu que o ar cosido tinha um ar arredondado. Chamou-lhe bola porque lhe tinha dado a fome e aquela coisa nova tinha forma de pão, com boa vontade.&lt;br /&gt;Inventou o futebol. Achou-se o melhor do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5847415180335602181?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5847415180335602181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5847415180335602181&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5847415180335602181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5847415180335602181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/05/jogada-de-laboratorio.html' title='Jogada de laboratório'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-4609842142232063116</id><published>2011-04-27T22:57:00.003+01:00</published><updated>2011-04-27T23:01:41.238+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><title type='text'>O maior desperdício de talento do mundo</title><content type='html'>Um homem alto, sem cabelo, morfologicamente perfeito para o emprego que desempenha. É carregador de pianos e é um dos melhores do mundo. Não sabe tocar o instrumento, apesar de já ter ouvido falar nas notas, de saber na ponta língua os nomes de cada uma com cada uma das variações. Não sabe tocar piano e não lhe faz falta. Tem outra missão absolutamente diferente da música, estando na profissão de viver à custa dela, complementando-a e tornando-a possível, porque sem ele, os dedos virtuosos seguramente, dos pianistas, não tinham como conseguir levar o piano do quarto para a sala, da sala para a rua, da rua para o palco. Hoje o pianista teve um dia não, esmurrou a madeira, partiu as cordas, soltou as teclas. O talento do pianista ficou feito numa sinfonia para surdos. O piano é o Real Madrid. O carregador é o Pepe. Foi um erro de uma fracção de segundo, que não merece uma crucificação eterna. As rápidas melhoras. Que volte ainda mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o maestro, o que fez o maestro?&lt;br /&gt;O maestro caiu no mesmo instante e quando lhe perguntaram porque também tinha caído, quis dizer em defesa do grupo que o pecado do carregador tinha outra origem que não a do carregador em si. Num minuto, a orquestra perdeu o corpo mais forte e perdeu o cérebro e deixou de ser uma orquestra. A música do descontrolo emocial é uma composição horrível, seja ela ou não assinada pelo melhor de todos os maestros. Assisti hoje ao maior desperdício de talento mundo. Força José.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-4609842142232063116?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/4609842142232063116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=4609842142232063116&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4609842142232063116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4609842142232063116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/04/o-maior-desperdicio-de-talento-do-mundo.html' title='O maior desperdício de talento do mundo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5025620434671482487</id><published>2011-04-26T22:19:00.002+01:00</published><updated>2011-04-26T22:27:58.768+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='excertos de uma parte'/><title type='text'>entretanto</title><content type='html'>&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O polegar e o indicador fazem uma tenaz. Os dois, em conjunto e em aperto, seguram um cigarro que arde como se não houvesse bombeiros no mundo. O homem a quem pertencem estes dois dedos caminha em todas as direcções, não caminhando na direcção de algum lado. Anda um metro, regressa, caminha mais dois, regressa, atravessa a rua, chega a estar perto da relva do jardim, regressa, volta a estar neste sítio onde está em modo intermitente. O telefone não toca. O telefone não toca. Lá dentro, no escritório, o telefone não toca. E a barriga da perna não treme, o telefone não vibra, do bolso das calças também não chegam notícias. A tenaz abriu e deixou cair um filtro na calçada portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Está à porta da empresa um homem branco de pele castanha. A cabeça está a suar e não se pode dizer que esteja sozinha nesse estado de espírito. As costas estão, porque a camisa não deixa esconder a verdade. Os sovacos estão muito. O peito, na parte onde os homens têm pêlos, está. Está meio corpo do sexo masculino a suar, no limite de um passeio. Na rua a vida segue os destinos que tem de seguir, a vinte, a trinta, a cinquenta quilómetros por hora e, em alguns casos, a pé. A parte inferior do corpo, esconde com um par de calças de fazenda cor de safari, se está a a sofrer da mesma condenação. O movimento das pernas denuncia pé ante pé todos os sinais de um homem inquieto. Outro cigarro perde cinza ao deixar-se tamborilar pelos dedos mindinho, médio e anelar. Tantos nervos na mão esquerda. E a Cíntia que não diz nada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5025620434671482487?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5025620434671482487/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5025620434671482487&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5025620434671482487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5025620434671482487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/04/entretanto.html' title='entretanto'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7685102243030207975</id><published>2011-04-24T01:42:00.005+01:00</published><updated>2011-04-26T22:13:06.629+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='excertos de uma parte'/><title type='text'>e a viagem lá foi andando</title><content type='html'>&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Quantas pessoas estariam em casa do morto, estava morta por saber desde que a apanharam em casa&amp;nbsp; &amp;nbsp; hoje à tarde a prima da Cíntia, que só ia com eles para não ficar o fim-de-semana inteiro sem nada para fazer e sem ninguém com quem estar, porque ela não conhecia o coitado que tinha morrido. Como conhecia há mais de vinte anos a amiga dele, por virtude de serem primas, deu-se-lhe para ir, mas só se lhe deu mesmo à última, quando os outros três já estavam a caminho e tiveram de voltar a casa dela, tendo ela antes pegado no telefone e ligado e dito acham que ainda vou a tempo de dizer sim, ou não? E eles tenham resmungado olha esta, que coisa, que falta de coisa, ainda por cima, agora esta, é deixá-la ficar, se não quis vir não vem, mas elas agora quer e além disso é minha prima e vai ficar sozinha, defendeu-se a Cíntia e defendeu a prima, e o Heitor que não ia no bancod e trás porque enjoava já estava a dizer ela vem, mas não me vem tirar o lugar, vá ali para o lado do Alfonso, e olhou pelo retrovisor esticando o pescoço até conseguir ver o lugar vazio nas costas da condutora, a prima, a dona do volante e senhora da conversa. Quantos pessoas estariam em casa do morto, enchia a cabeça com isto cá fora, pois lá dentro nenhum dos outros três podia voltar ouvir a mesma pergunta que da última vez que a vez, até o Alfonso, o mais calado dos dois homens, abriu a sua parte na conversa para dizer sei ou o caralho e depois daquilo não houve mais moral para interrogações. Retirou a mangueira do carro, pagou os dez euros da conta com os dez euros enrodilhados da mão direita, arranjou a franja antes de a porta de vidro se abrir pela aproximação do seu corpo ao sensor e no seu andar, porventura ninguém o diria, caminhava uma dor patológica, uma incerteza absoluta, os miolos devorados por não saber ao certo, nem de longe, nem de perto, do tamanho do funeral. Reentrou no carro, isto dá cada vez menos litros, queixou-se da gasolina, assentindo as outras três cabeças. Seguiram viagem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7685102243030207975?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7685102243030207975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7685102243030207975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7685102243030207975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7685102243030207975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/04/e-viagem-la-foi-andando.html' title='e a viagem lá foi andando'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3953969420597600321</id><published>2011-04-23T00:28:00.001+01:00</published><updated>2011-04-23T00:33:18.373+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='excertos de uma parte'/><title type='text'>O começo do terceiro capítulo</title><content type='html'>&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Assomaram duas cabeças na chegada à bomba de gasolina quando já era de noite. Eram duas mulheres nos lugares da frente de um carro branco. O carro onde vinham, de onde vinham, e para onde iriam, e daí para onde continuariam a ir se deus quisesse e motor deixasse, esse carro era um ferro velho com nome de musa. Mas disso elas não deviam saber, disso da musa. Para elas era um Clio, era um Renô que se escrevia Renault, mas que não se lia Renault, lia-se Renô. Um carro francês e muito velho, que andava a ser comido pelo tempo há mais de vinte anos. Branco por fora, perfume e cigarros por dentro, era o que dava para ver deste lugar em frente à máquina de café.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Uma dragona sobre o rosto da mulher que vinha a conduzir retirava o resto da identidade à senhora. Adivinhava-se no que ficava à mostra da cara a idade, trinta e oito, quarenta e era só isso. A dragona marcava aquela pessoa como quando está nos ombros de um general. Define e ponto. Mas disso elas não deviam saber, disso do cabelo desta loira ter sido cortado nos mesmos moldes dos alfaiates das casas da fardas no século dezoito. Disso elas não deviam saber, disso das franjas com fios de seda e de ouro, iguais na cabeça da condutora , a pender sobre a testa, como nos braços dos militares.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A outra senhora saiu quando o carro parou pela porta do lado direito. Evitou sujar a mão na mangueira com a nota de dez euros enrolada que trazia na mão. Marcou dez euros na tecla para abastecer, e ao abastecer olhou para vários lados, entre eles para mim. Aquela era uma dragona preta. Um franja retinta por cima de dois olhos crispados, de uma testa franzida, de um cú para fora e de uma barriga para dentro. Sim meu general, vou olhar noutro sentido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Esta noite, Clio não é nome de musa. Disso, elas nada sabem, nem elas nem os dois rapazes que as duas trazem sentados no banco de trás, e eu infelizmente não posso dizer o mesmo sobre o facto de nada saber.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3953969420597600321?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3953969420597600321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3953969420597600321&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3953969420597600321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3953969420597600321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/04/o-comeco-do-terceiro-capitulo.html' title='O começo do terceiro capítulo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7274276153193205236</id><published>2011-04-15T00:04:00.000+01:00</published><updated>2011-04-15T00:04:01.601+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='excertos de uma parte'/><title type='text'>A senhora, pela terceira vez</title><content type='html'>&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Disse lá vai ele. Hoje leva o casaco de ontem, o chapéu de ontem, por cima do cabelo por lavar de ontem, caminha com o mesmo caminhar de ontem, nos mesmos sapatos e&amp;nbsp; vou jurar as mesmas meias pretas. De ontem. Os ricos tanto andam sempre de meias pretas que podiam usar sempre as mesmas, é até provável que as usem, os mais pobres de espírito, como este, o que vou seguir para ver onde vai, vou só pegar num xaile, tenho tempo de olhar ao espelho a nuca, de caçar o cabelo na rede, de tirar os dentes da boca, com tempo, porque ao ter apanhar o eléctrico de ontem, ele vai ficar sentado mais dez minutos da paragem, vai olhar para o chão, vai olhar o céu, sorrir aos pombos e eu, disfarçadamente como ontem, hoje não hei-de ficar à janela, hoje vou de eléctrico como tu, sentada ou em pé conforme tu estejas, descerei com os pés nos mesmos degraus, serei da cor da tua sombra, num tom mais transparente. Passo as gengivas pela água com elixir presa no lavatório, prendo os botões do casaco até cima, cuspo na sanita e ponho os dentes. Amarro um lenço na cabeça. Deixo as pontas caídas para trás e sigo em frente. Estás onde estavas e estás sentado. Não me pareces deste mundo. Disse, mas não ouviste. Disse para dentro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7274276153193205236?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7274276153193205236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7274276153193205236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7274276153193205236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7274276153193205236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/04/senhora-pela-terceira-vez.html' title='A senhora, pela terceira vez'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8341254494912784656</id><published>2011-04-04T17:28:00.004+01:00</published><updated>2011-04-04T17:52:37.805+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>A última parábola</title><content type='html'>Jesus, que não era cristo, mandou para a baliza um jogador que não era guarda-redes e este deixou entrar um bola que não era golo, chutada de uma forma que não era um remate. De um lado e do outro disseram à vez que o penalty não era penalty, e de um lado e do outro ainda disseram que o cartão vermelho também não era cartão vermelho.&lt;br /&gt;A seguir a isto tudo, o jogo de futebol acabou e o campeão nacional já não era um, era outro. No estádio da Luz, já não era luz era escuro. Só faltava aparecer um treinador iluminado a dizer que não era electricista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8341254494912784656?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8341254494912784656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8341254494912784656&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8341254494912784656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8341254494912784656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/04/era-nao-era.html' title='A última parábola'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6665645299873598095</id><published>2011-03-28T23:56:00.003+01:00</published><updated>2011-03-29T00:18:58.446+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Homens em calções</title><content type='html'>Antes de o jogo de futebol ter chegado ao fim, o jogador com número onze nas costas, da equipa com camisola verde, calções pretos e meias brancas, pediu uma garrafa de água ao massagista, o massagista procurou ao lado do saco dos remédios no cesto das bebidas a mais cheia de todas, atirou-a para a frente, para as mãos do avançado que já vinha a correr e que estava a chegar já perto da linha lateral. Obrigado. Bebeu e pediu ao treinador para sair. Faltavam vinte minutos para o fim do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria uma camisola suada colada nas costas, colada no peito, fria quando há fases menos movimentadas em campo. Não queria isso. Queria vestir roupa diferente de todas as pessoas que estavam por perto. Não tinha vontade de partilhar uma bola nem de andar para trás e para frente em grupo. Queria chegar, ficar sentado, fechar a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres o quê? Quero sair. Estás cansado? Não. Estou farto.&lt;br /&gt;Houve no ar, durante um minuto, o lado perturbador do silêncio, mas depois desse minuto, havia no ar uma placa electrónica com o número 11 assinalado pela junção de pontos vermelhos, ao lado do número 17 com pontos todos os verdes. Eram as cores na placa, o silêncio no ar e o barulho de pés rápidos e breves na relva a entrar em campo e o peso de pés lentos ao abandonar o jogo, a equipa, o futebol, a vida em grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez do balneário, preferia estar no quarto. Ou na sala. Onde tivesse de ser, desde de que fosse em sua casa e desde de que não fosse ali. Não queira o banho daquela água e já não sabia se estava a ouvir aquele som que vinha do campo e se aquele som que o golo tem quando sai da bocas de um grupo de pessoas era real ou se já eram palavras que inventava em cima de um papel, escondido das bancadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou a camisola para a guardar num saco de plástico. Os calções e as meias ficaram no chão, em cima das chuteiras. Bebeu mais água, bebeu da torneira, rodou para fechar. Levantou a cara e olhou para o espelho. Estava embaciado. Antes assim. O que estava a ir embora passava então por ser o vulto de um homem anónimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa trocou os pés pelas mãos. Escreveu as voltas que a vida dá para dizer as voltas que a vida deu. Disse o nome e disse a idade. Disse o sexo. Disse que tinha abandonado o futebol de uma vez por todas porque gostava mais de livros do que de balizas. Estava mais inclinado para as frases; as jogadas já não. Era um homem diferente, escreveu, contando onde estava quando decidiu trocar uma coisa pela outra, escrevendo que o jogo ainda não tinha chegado ao fim quando o jogador com o número 11 nas costas, da equipa com camisola verde, os calções pretos e as meias brancas, pediu água ao massagista e disse ao treinador que ia embora. Estava outra vez em campo. Riscou com mais força no papel com a caneta na mão direita, dominou a bola com o pé esquerdo, fintou, fintou dois e fintou três. O quarto desviou-o com o corpo. Chutou com força e foi golo. Tinha uma escrita previsível e um futebol virtual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6665645299873598095?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6665645299873598095/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6665645299873598095&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6665645299873598095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6665645299873598095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/homens-em-calcoes.html' title='Homens em calções'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5875934242209965338</id><published>2011-03-26T01:35:00.001Z</published><updated>2011-03-26T01:37:11.491Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Emprestar amigos aos mortos</title><content type='html'>Não quero escrever um texto celestial. Não quero socorrer-me dos anjos, nem quero ver por perto nuvens brancas almofadadas. E não quero poder deitar-me sobre um colchão de penas. Quero acordar para a realidade, quero saber que vai doer e quero, sem ter medo, cair desamparado no chão duro dos dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5875934242209965338?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5875934242209965338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5875934242209965338&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5875934242209965338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5875934242209965338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/emprestar-amigos-aos-mortos.html' title='Emprestar amigos aos mortos'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6876514308025879099</id><published>2011-03-24T23:00:00.001Z</published><updated>2011-03-24T23:16:48.246Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>O supermercado daltónico</title><content type='html'>&lt;b&gt;Gulpilhares -&lt;/b&gt; Na cadeia de supermercados onde acabo de entrar, os cestos de plástico com rodinhas são verdes, mas estes não são, são cinzentos, e a troca inesperada de cor faz-me duvidar, quando me baixo para pegar na pega de um, do lugar onde estou, e eu, por um instante, interiorizo que me enganei e exteriorizo um gesto ao pousar o cesto e volto o olhar para a entrada e volto a ter a certeza de estar no lugar certo, porque as letras com o nome do lugar assim o dizem. O lugar está certo, eu estou certo. Errada está a cor cinzenta do cesto com rodas pretas.&lt;br /&gt;Na prateleira onde estão os livros não há um livro capaz de me fazer esticar o braço, de o escolher, de o abrir, o folhear e o ler nos primeiros parágrafos. Ponto final na prateleira dos livros. A sair de lá para conduzir o cestinho daltónico até ao corredor do pão, levo de frente com uma funcionária, ela igualmente daltónica, numa farda azul, estranha à uniformidade verde de todos os outros supermercados com o mesmo nome e a mesma música e o mesmo anúncio e o mesmo imposto de valor acrescentado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6876514308025879099?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6876514308025879099/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6876514308025879099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6876514308025879099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6876514308025879099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/o-supermercado-daltonico.html' title='O supermercado daltónico'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3229298562627302330</id><published>2011-03-23T18:28:00.007Z</published><updated>2011-03-23T20:18:43.427Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>извините, пожалуйста</title><content type='html'>(ainda) &lt;b&gt;Moscovo-&lt;/b&gt; Em não tendo como, nem por onde, entender,&amp;nbsp; ver é a solução, mas ver em observando com método e atenção. Acabámos de sair da estação de metro. Acabámos refere-se nós, nós refere-se aos quatro portugueses que somos à procura de uma rua. Rua da qual sabemos&amp;nbsp; detalhes essenciais, mas da qual não sabemos o todo. Sabemos a parte. E saber a parte se não revelou de todo insuficiente. Saber a parte já nos trouxe desde o hotel à estação de Teatralnaya, e da estação de Teatralnaya, logo a seguir ao teatro Bolshoi e após muitas perguntas debaixo do chão, perguntas feitas com um dedo em cima de um mapa-mini do metro, saber a parte acabou por nos fazer chegar à estação Biblioteka Lenina. Esta: &lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/W5-Gs4_mBPE?rel=0" title="YouTube video player" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;Queremos subir as escadas quando soubermos onde elas estão, as escadas correctas. Oito olhos no mapa, oito olhos nas placas, oito olhos no mapa, oito olhos nas placas, a comparar, a adivinhar e finalmente a desvendar o cirílico. Com maior ou menor engano chegámos ao ponto de encarar a luz do dia que existe para lá das velhas portas de madeira e que brilha nos vidros baços.&lt;br /&gt;Na rua. Voltámos a estar na rua. Somos quatro e temos um mapa, mas somos portugueses e eles são russos. Somos portugueses e queremos ajuda em inglês, mas eles não querem. No meio deste desencontro já não há sequer quem páre para responder ao isco &lt;i&gt;excuse me, please&lt;/i&gt;. Old Arbat está perto. O mapa diz que sim só não sabemos onde. Estão perto de nós os capecetes dos pilotos dos caças soviéticos. Estão perto de nós os bivaques, as fardas, o exército e a marinha. O comunismo há-de estar ali ao dobrar das esquina, só não sabemos onde. E é quando nos vem à memória uma frase batida. Uma frase que vem a correr de 2005 para salvar a situação. Uma frase utilizada pelo &lt;a href="http://darussia.blogspot.com/" linkindex="16"&gt;José Milhazes&lt;/a&gt; quando foi preciso chegar de carro a Novogorsk. A frase é a que está no título: извините, пожалуйста. Pronuncia-se mas ou menos assim: izbinit pajouste. E quer dizer: desculpe, por favor. Um senhor russo parou, olhou para o mapa e a falar em russo explicou como chegar à Rua Old Arbat. Eu disse sempre que sim com a cabeça e talvez tenha deixado sair um ou outro&amp;nbsp; да (diz-se dá, quer dizer sim), comunicando com o salvador da nóssia pátria de quatro portugueses sem tirar os olhos dos braços e das mãos do homem. Foi só virar à direita e voltar a virar à direita e lá estava a rua onde vendem as memórias do comunismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3229298562627302330?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3229298562627302330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3229298562627302330&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3229298562627302330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3229298562627302330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/blog-post.html' title='извините, пожалуйста'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/W5-Gs4_mBPE/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-9117567944905795596</id><published>2011-03-21T17:28:00.002Z</published><updated>2011-03-21T17:29:45.202Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Movimentos circulares repetitivos</title><content type='html'>Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim.  Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar. Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim.  Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar. Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim.  Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar. Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim.  Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar. Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim.  Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar. Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim.  Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar. Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim.  Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar. Andar à volta, passar ao lado, voltar ao princípio, chegar ao fim. Começar de novo. Subir, subir, subir. Cair. Dar um tombo, trambolhar. Correr para a frente, andar para trás, parar, arredondar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-9117567944905795596?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/9117567944905795596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=9117567944905795596&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/9117567944905795596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/9117567944905795596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/movimentos-circulares-repetitivos.html' title='Movimentos circulares repetitivos'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1980780701768763920</id><published>2011-03-20T01:37:00.002Z</published><updated>2011-03-20T01:37:53.406Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='excertos de uma parte'/><title type='text'>A senhora, outra vez</title><content type='html'>&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Disse no dia em que vi pela primeira vez uma pessoa a morrer, os olhos dele estavam espantados como estavam espantados os olhos deste rapaz naquela manhã. Nunca mais me esqueço que eram dez horas porque vi o homem do correio quando eu estava a subir os degraus do eléctrico. Tive medo de poder estar a chegar uma carta registada e de ter de voltar a sair de casa outra vez no dia seguinte para a levantar no posto. Foi quando aquilo aconteceu sem aviso de recepção.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1980780701768763920?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1980780701768763920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1980780701768763920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1980780701768763920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1980780701768763920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/senhora-outra-vez.html' title='A senhora, outra vez'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3217698149861685116</id><published>2011-03-20T01:32:00.002Z</published><updated>2011-03-20T01:33:28.045Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='excertos de uma parte'/><title type='text'>A senhora</title><content type='html'>&lt;div style="font: 12.0px 'Times New Roman'; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Disse sou eu a vizinha e acudiu ao cobrador dos bombeiros voluntários, o homem de chapéu à polícia, de casaco à comandante de navio, de sapatos à patife, um homem à banda desenhada da cabeça aos pés, perdido no cimento do chão, dentro de uma roda de passeantes, transeuntes e moradores. Sou eu a vizinha de quem todos esses em redor lhe estão falar baixinho para eu não ouvir, mas como sou eu, a que ouve tudo, ora diga lá o que quer de uma vez que eu ouço este prédio por fora e por dentro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3217698149861685116?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3217698149861685116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3217698149861685116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3217698149861685116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3217698149861685116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/senhora.html' title='A senhora'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8263816188859922611</id><published>2011-03-17T18:08:00.007Z</published><updated>2011-03-17T18:17:43.135Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>As bonecas russas</title><content type='html'>&lt;b&gt;Moscovo -&lt;/b&gt; Ken, figura de plástico do imaginário infantil norte-americano, não existe na Rússia. Aqui as bonecas não ligam a rapazes de pólo anil, calças brancas drobradas nas beiras, sapatos de vela azuis com atacadores brancos em pele e sola da mesma cor e um pull-over rosa caído sobre os ombros, com as mangas apertadas no peito. Aqui as bonecas não ligam a esses rapazes de corte de cabelo engomado, a esses modelos tão limpos tão limpos que estão à beira de deixarem de ser rapazes para passarem a ser naturalmente raparigas.&lt;br /&gt;Estas Barbies de pele e de carne e de osso e de cabelos verdadeiros e de pestanas verdadeiras, têm pedras preciosas no lugar dos olhos, mas não têm sucedâneos do amaricado, perdão, americano Ken. Estas Barbies não gostam muito de homens. Esta Barbies é mesmo possível que não gostem nada de homens. Elas gostam de cilindros, muitos, de bancos aquecidos em pele, de volantes grossos e carroçarias grandes. Gostam de pneus altos e largos. Gostam de vidros pretos e de modelos traduzidos em milhares de euros. Só no fim disto tudo é que guardam um bocado do acto de gostar e então gostam perdidamente do tipo mais baixo, mais velho, mais gordo que vai ao lado a conduzir a relação de interesses. E mais rico.&lt;br /&gt;"As Bonecas Russas" é o título de um filme francês que faz a continuação, cinco anos mais tarde, do filme "A Residência Espanhola". È sobre a tentattiva de um jornalista reconciliar o trabalho, a escrita e o amor. Da minha parte posso dizer que não vinha a Moscovo há cinco anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8263816188859922611?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8263816188859922611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8263816188859922611&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8263816188859922611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8263816188859922611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/as-bonecas-russas.html' title='As bonecas russas'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-580266745221935760</id><published>2011-03-16T23:45:00.004Z</published><updated>2011-03-17T00:00:59.936Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Os caminhantes</title><content type='html'>&lt;b&gt;Moscovo -&lt;/b&gt; Em contraponto vertical aos profissionais sentados, encontram-se de igual forma em número assinalável, homens e mulheres, amadores em pé, com um livro na mão. Amadores no sentido de amantes, pessoas que gostam sem saber como, sem perguntar porquê. Uma das actividades observável num russo enquanto caminha é a capacidade de continuar a andar com um livro aberto por uma mão, colocado por essa mão em frente aos dois olhos, continuando a caminhar no mesmo passo de quando os olhos estão de horizonte desimpedido. Com os livros em frente seguem o caminho e ao seguirem estão a fazer ensaios sobre a cegueira, embora aquilo não seja um ensaio, seja a realidade a acontecer, seja o rapaz de casaco militar e pernas finas a ser levado pelos outros sentidos para escadas rolantes do metro como se aquele seu corpo fosse um tronco perdido à mercê da natureza nas cataratas de Niagara. E aqui vem ele, com o cabelo riscado ao lado, aqui vem ele a descer nesta escadaria a pique, enquanto eu subo e os dois neste cruzamentos somos duas diagonais que nunca se vão tocar, mas que tocam. Porque ele ao ir à sua vida está a ir e ao mesmo tempo a ficar na minha, está a entrar nestas linhas, a ficar guardado para sempre na minha memória. Agora é a vez de uma rapariga loira escutar o sinal verde para peões e passar por nós que estávamos parados a encarar a mudança de cor do sinal e a ganhar vantagem porque só agora estamos a arrancar. Tem uma gabardine cinzenta amarrada por um cinto cinzento e deixa-se seguir no trote de um par de botas cinzentas. Leva um livro em frente ao rosto. Desconheço o conteúdo, desconheço o autor, desconheço até a língua e desconheço o título. Não sabendo uma vírgula dessa história, sei o suficiente para dizer que em todas aquelas páginas há a magia que lhe permite caminhar de olhos fechados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-580266745221935760?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/580266745221935760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=580266745221935760&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/580266745221935760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/580266745221935760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/os-caminhantes.html' title='Os caminhantes'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6466640256248943231</id><published>2011-03-16T01:24:00.003Z</published><updated>2011-03-16T02:01:32.964Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>A língua portuguesa sabe muito mal...</title><content type='html'>A ter de dizer o que aconteceu vou-me sentar, dizer, ter dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 31 de janeiro por algum motivo estava a teimar em não sair do calendário. A tarde, nos meus olhos tinha ficado presa num monitor de um computador, e em volta, se alguma coisa existia, se alguém havia, não vi, não sei de nada disso.&lt;br /&gt;Um competição anunciada no mês de novembro escrevia a pedir candidatos interessados na publicação de um pequeno conto, compreendido em escassas dezenas de páginas. Era o desafio ideal para contar a história do guarda-chuva do Papa Bento XVI. Em vez de trazer a história ao concurso, deixei-a ficar fechada com o guarda-chuva, pendurada para melhor ocasião, como ele também está, num canto de azulejos brancos da lavandaria em minha casa.&lt;br /&gt;Esqueci, esqueci depressa o guarda-chuva do Papa, tão depressa como me tinha lembrado dele. Não escrevi com o guarda-chuva, antes me abriguei do inverno com ele. Foi nesses dias que me caiu em cima uma chuva de palavras e eu me atirei com elas ao cofre em que se transforma um documento em formato digital. As horas correram maratonas, as palavras fizeram cem metros, respiraram fundo e voltaram a fazer cem metros barreiras. Aos poucos, as frases começaram a produzir campeões do mundo. Eu tinha três meses pela frente e já estava muito perto do número mínimo de páginas exigido pela organização do concurso de talentos da&amp;nbsp;&lt;a href="http://cultura.fnac.pt/"&gt;Fnac&lt;/a&gt;. Deixei acabar novembro e deixei começar dezembro, deixei acabar um ano e deixei começar o outro. Decidi por fim deixar o documento fora do concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 31 de janeiro por algum motivo estava a teimar em não sair do calendário. Só que o teimoso não era o calendário, era eu. O concurso terminava à meia-noite. De mãos vazias voltei as costas ao ecrã do computador. De mãos vazias meti as mãos do bolsos e de mãos vazias fui ao bolso do casaco à procura de trinta cêntimos para tirar um café. Que se foda! De mãos vazias regressei à mesma secretária de onde tinha saído à bocadinho de mãos vazias e de mãos vazias enchi o peito de ar e mergulhei de cabeça em todas as páginas da internet onde tinha escrito qualquer coisa ao longo do anos.&lt;br /&gt;Quando vim à tona trazia na mão um punhado de textos. Respirei fundo. Colei, apaguei, voltei a colar. Diminuí, acrescentei. Fiz um jornal inteiro a uma hora da hora do fecho. Fiz tudo em cima do joelho (acto bravo para quem tinha acabado de recuperar de uma rótula partida). Aquilo era o resultado de um abrir e fechar de olhos. Era a história cruzada de segundos das vidas de homens e de mulheres. Mas aquilo não era um conto. Escrevi em francês isto não é um conto, citando Diderot, logo a seguir ao título. O título era "O movimento rápido dos olhos", uma alusão às perturbações do sono. O dedo indicador direito levou o rato até sítio onde estava escrito enviar. Eu levei o corpo até onde estava escrito dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite foram anunciados os 10 melhores contos do concurso de novos talentos da&amp;nbsp;&lt;a href="http:/cultura.fnac.pt"&gt;Fnac&lt;/a&gt;. Perdi. Obrigado aos quatro elementos do júri por me terem feito ficar do lado de fora desta espécie de festival da canção, mas em escrito. Eu que afinal já me tinha auto-excluído, ao não apresentar um conto. Esse nasceu quando tinha de nascer, mas não era para aquilo. Está a aprender com o tempo e um dia, quando for grande, quer ser um livro.&lt;br /&gt;Quanto ao concorrente "O movimento rápido do olhos"... não entra na cabeça dele a ideia de haver 10 melhores. Nestas alturas, a língua portuguesa sabe muito mal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi. Não farei luto. Não deixarei de lutar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6466640256248943231?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6466640256248943231/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6466640256248943231&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6466640256248943231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6466640256248943231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/lingua-portuguesa-sabe-muito-mal.html' title='A língua portuguesa sabe muito mal...'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2725290636948131216</id><published>2011-03-15T03:35:00.007Z</published><updated>2011-03-15T03:58:10.924Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Takci</title><content type='html'>&lt;div style="color: #222222; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 15px; font: normal normal normal 16px/normal Times; line-height: 21px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0px;"&gt;Estamos em Moscovo há vinte minutos e já estamos pelos cabelos. Não são cabelos, são fardas, &amp;nbsp;os cabelos, de cabeça em cabeça, iguais, nos homens, penteados para a frente. Uma linha de montagem não os faria parecer melhor repetidos. Aos alfandegários, aos polícias, ao homem, ao rapaz, a todos, sem excepção. O aeroporto repete-se um metro a seguir outro, passo a passo, se estamos a contar o lado masculino de tudo aquilo que nos vai aparecendo à frente do carrinho das malas. Estes três &amp;nbsp;podiam ser aqueles seis polícias lá do fundo - e vão ser quando lá chegarmos - matrioshkas com pistola à cinta, cinto atravessado na diagonal sobre a ca&lt;/span&gt;misa, de cabeça funda no chapéu militar de inverno, com a pala de cima em plena erecção matinal e pala de baixo murcha, e eles por baixo das palas, que nem burros, eles, ali à procura da melhor forma de tirarem o dinheiro das carteiras de quem chega sem dizer mãos ao ar isto um assalto nem chegarem ao ponto da subtileza visual e táctil dos carteiristas. Ficam neste intervalo. Quedamo-nos em sossego a ver o que tem de vir com o resto do filme. Escolhemos ficar sentados.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #222222; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 15px; font: normal normal normal 16px/normal Times; line-height: 21px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #222222; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 15px; font: normal normal normal 16px/normal Times; line-height: 21px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Sentado é uma profissão muito concorrida em Moscovo. Sentado é trabalho para mulher e é trabalho para homem. É trabalho para alto, magro, baixo, gordo, velho, novo. Sentado é um lugar à espera de vaga e é os lugares todos ocupados. Sentado é a velhota que se levanta da guarita de vidro no metro e nos abre a cancela aos oito para que possamos passar sem pagar. Sentado é também a gorda sem fobias, na casota de vidro do tamanho dela, casota que a enlata numa forma rectangular transparente. A gorda que nos vê os pés ao fundo dos degraus, a sair da descida rolante.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #222222; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 15px; font: normal normal normal 16px/normal Times; line-height: 21px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Sentado é poiso estático, mas sentado também é sobre rodas. É este carro nos dois lugares da frente, é estes bancos com dois milícias pousados, sonolentos, em frente ao ministério. Estes dois, numa situação de emergência, ainda vão ter de estudar a melhor forma de emergir dos outros trinta e sete carros entre o carro deles e a estrada, sem caminho formado pelos restantes estacionados. Sentado é posto da velhota, dona de uma das cinco sanitas portáteis, forradas a plástico verde nas quatro paredes e a preto no tecto. Este posto sentado é digno de uma porta aberta pela conjugação de uma corda amarrada desde o trinco da porta até ao poste mais próximo. Escancarada, a velha sentou-se na figura de colectora de moedas a troco de uma chave com acesso garantido a um buraco onde se pode enfiar à pressa o que se quer deitar fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #222222; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 15px; font: normal normal normal 16px/normal Times; line-height: 21px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Neste ofício do estar sentado, o lugar no topo da hierarquia é o lugar à frente dos volantes do carros mais apetrechados em termos de cilindrada. A gasolina ao preço de sessenta cêntimos por litro aquece quase sem custos o interior do carro onde o profissional dos profissionais da arte de estar sentado espera, sentado, pelo dono do carro, e por inclusão de partes, dono indivíduo sentado e dormitante ao lado do lugar do morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #222222; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 15px; font: normal normal normal 16px/normal Times; line-height: 21px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #222222; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 15px; font: normal normal normal 16px/normal Times; line-height: 21px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;E agora vem o resto do filme no aeroporto: a polícia deixou-nos sair com o material de trabalho e nem sequer chegou a insinuar qualquer manobra de diversão tendo em vista o conteúdo dos nossos portugueses bolsos. Foi com certeza por termos ficado respeitosamente sentadinhos. Tão bem sentados que nos tomaram por russos. Baixaram as guardas da alfândega, entramos em Moscovo. À saída, uma confusão de homens em pé agarrava cartolinas das mais diversas cores, mas com uma única palavra: takci. São a vergonha da profissão sentada. Em bicos de pé, à procura de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2725290636948131216?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2725290636948131216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2725290636948131216&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2725290636948131216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2725290636948131216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/takci.html' title='Takci'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-4940602045279792996</id><published>2011-03-15T02:26:00.002Z</published><updated>2011-03-15T02:26:44.307Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>O comboio de Liège</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;… acontece que no ano 2000&amp;nbsp;o mundo já era todo moderno. Daí vem o facto de eu ter estranhado a cor antiga das carruagens castanhas. O interior de cada uma era gasto, mas limpo, sem excepção. Resumindo: o ar velho - velho mas ainda não tão velho que se pudesse chamar antigo - do comboio responsável por unir de forma quase directa a cidade de Spa à capital Bruxelas. Admirei a Bélgica por ser um país mais rico do que Portugal e por não desperdiçar dinheiro em vaidades para as quais o dinheiro é caro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Estou a fazer parte do caminho de regresso a Portugal. O táxi tinha chegado sem falta às 5 da manhãm ao hotel Dorint, onde fui jornalisticamente muito bem baptizado (Manuela Brandão, Eugénio Queiros, Jorge Monteiro, António Casanova; Paulo Duarte, Rui Gomes, Paulo Silva, etc, etc etc,). Fomos de Spa pelas luzes do carro e dos postes até Liège. No comboio era eu, a minha mala, o meu sono e belgas a caminho da ruralidade dos empregos. Tanto era o sono que já não me lembro se o comboio chegou perto do aeroporto ou se cheguei a seguir caminho noutro táxi. É indiferente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;À hora a que adormeço no avião para o Porto, nesse princípio de verão do ano 2000, Louis Van Gall é despedido do Barcelona e chega a seleccionador da Holanda. José Mourinho está para fazer a estreia como treinador principal no Benfica. Nesse mesmo defeso, um miúdo de 20 anos, Diego Milito, está começar uma época que vai terminar com o título de campeão argentino no Racing Avellaneda. O nome Robben só é conhecido nas camadas jovens do Groningen. Júlio César é um goleiro “minino” no Flamengo. Sneijder e Cambiasso ainda têm cabelo e jogam nas escolinhas do Ajax, um, e no Independiente, outro. A lista começa a parecer um comboio que não vai a lado nenhum. Já cá voltamos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Meia dúzia de dias antes, uma sucessão de acasos leva-me ao sítio onde vou acabar esta história. O FC do Porto quer contratar Dimitri Alenitchev. Sei que é russo e que joga no Perugia de Itália. O Perugia está em Liège para jogar uma eliminatória da taça Intertoto. Apanho boleia dos camaradas de reportagem do jornal A Bola e consigo o exclusivo radiofónico da primeira entrevista do médio ofensivo russo para Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O dia seguinte é o dia do jogo entre o Standard de Liège e o Perugia. Conseguimos as acreditações necessárias e vamos para o estádio fazer a cobertura do encontro com o futuro reforço portista. Logo à entrada julgo que o Eugénio me chama à atenção para o Luciano D´Onofrio. Do nada reparo num personagem que à partida não devia fazer parte daquela história. Estavamos à procura de algum emissário do FC Porto e nada. Quem está em Liège para assistir ao jogo é o presidente da SAD do Sporting, o Luís Duque. Lá perguntámos se ele queria também o Dimitri. Ele sorriu e disse que não, que não. Estava à procura de um defesa central. Quem? “O Daniel”. Quem é o Daniel? “O Van Buyten”. Ouvi este nome pela primeira vez e depois disso confesso que acompanhei sempre à distância a carreira de um central que nunca chegou a vestir a camisola do Sporting.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Hoje voltei a reencontrar o Daniel, por via da transmissão televisiva. Tinha uma camisola vermelha com o número 5. Levou pela frente com o rapaz que um dia foi um miúdo do Racing de Avellaneda. E descarrilou como nunca descarrilaria um velho comboio belga.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; line-height: 20px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;PS: no resto da história, o treinador debutante ganhou ao seleccionador da Holanda.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-4940602045279792996?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/4940602045279792996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=4940602045279792996&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4940602045279792996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4940602045279792996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/o-comboio-de-liege.html' title='O comboio de Liège'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-639410008989574080</id><published>2011-03-15T02:24:00.003Z</published><updated>2011-03-15T02:25:23.177Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>A história de Genk</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; line-height: 20px;"&gt;A história de uma imagem fala de uma fotografia a cores. O autor da imagem é anónimo, pese embora a memória vasculhada permita dizer que o autor é uma mulher. Muito provavelmente uma mulher solteira, de vinte e poucos anos, seguramente holandesa, loira com igual certeza e alta. Alta e feia, não restem dúvidas quanto a descrição tosca de um rosto&amp;nbsp; bom para ficar atrás de uma câmara. Não foi por isso que o fizemos, mas acabamos por o fazer. Entre um e outro e outro e outro copo nesta mesa, e outro, pedimos à rapariga da mesa do lado para segurar a máquina fotográfica, apontar, na nossa direcção, sendo que nós éramos três. Pedimos para levantar o indicador da mão direita e pedimos para carregar. Na imagem, por baixo dos sorrisos, havia uma carteira com cento e cinquenta euros, com cartões, com documentos de identidade, enfim, aquilo a que se convencionou designar por uma vida inteira. Num segundo, a carteira sobre a mesa da fotografia,&amp;nbsp; já não estava sobre a mesa do bar. No mesmo segundo, a desconhecida autora da imagem tinha seguido o caminho do anonimato absoluto. Ficou um português sem identificação em Tegelen, Venlo, Holanda, a&amp;nbsp; vinte e quatro horas de regressar a Portugal, sendo que no espaço desse dia tinha de dar um salto á Bèlgica por causa de um jogo de futebol.&amp;nbsp;Abreviando foi assim: foi seguir do bar para a esquadra da polícia, da esquadra da polícia para o sala do pequeno almoço do hotel, da sala do pequeno almoço do hotel para o carro, e uma vez no carro foi seguir viagem de Tegelen para Roterdão.A distância? Cento e setenta e sete quilómetros. No porto de Roterdão, no porão de um barco ancorado onde funcionava uma loja de artigos de pesca, entre linhas, anzóis, canas, redes, gorros e impermeáveis, havia um sistema antigo de fotos à là minute e havia um secador. Saí de lá com menos nove euros, mas com mais quatro fotografias. O funcionário do consulado português tinha ficado à espera de um português, este, eu. Eu nesse dia fiiquei de repente a saber&amp;nbsp; que estava mais gordo ou era impressão minha. Saí de Roterdão com um documento verde, onde foi colada uma fotografia anafada de mim, que me permitiria voar desde Dusseldorf até ao Porto. Não sem antes porém… haver estrada e asfalto, do mal o menos, ao longo de cento e noventa e nove quilómetros, terminando a contagem no parque de estacionamento do estádio de futebol do Genk. Os jogadores subiam ao relvado para o aquecimento. Eu mandei embora o frio na barriga com dois cachorros comprados e comidos numa&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; line-height: 20px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; line-height: 20px;"&gt;&lt;em&gt;roullote&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; line-height: 20px;"&gt;mais limpa do que muitas casas portuguesas, cobertos por uma cebolada da cor de mármore acabado de lavar. As tais&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; line-height: 20px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; line-height: 20px;"&gt;&lt;em&gt;roullotes&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; line-height: 20px;"&gt;estão aqui no mesmo sítio, de novo horas antes de um Genk - FC Porto, três anos mais tarde. Poderia perder linhas a desenvolver o conceito segundo o qual há coisas que nunca mudam. É preferível não o fazer. Antes, no aeroporto do Porto, neste dia do regresso a Genk o taxista já ia embora quando reparou em qualquer coisa esquecida no banco de trás. Qualquer coisa era uma carteira. A minha. Esta chegou a Genk para contar a história.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-639410008989574080?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/639410008989574080/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=639410008989574080&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/639410008989574080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/639410008989574080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2011/03/historia-de-uma-imagem-fala-de-uma.html' title='A história de Genk'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5490952140665235515</id><published>2010-05-12T19:07:00.000+01:00</published><updated>2010-05-12T19:07:00.314+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>59 segundos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mulheres e homens sintonizam o mundo em frequências distintas. Ficaram elas com o corpo mais perfeito, graças a deus há quem diga, e ficaram eles com a capacidade de observar e absorver a beleza a partir de fora, graças a deus há também quem diga. Ficaram eles destinados ao pensamento e à força desde os primórdios dos tempos, reza a história, ficando a elas consignados o zelo do lar, o cuidado dos filhos e quando sobrasse tempo, o tratamento da beleza das próprias. O mundo foi assim durante muito tempo até que um dia o mundo se fartou de ser assim e ainda bem. A coisa agora anda mais ela por ela no entendimento da comparação entre homens e mulheres. Quase todas as tarefas, obrigações, direitos, deveres, profissões têm os dois sexos. A sociedade “bissexualizou-se” depressa e bem como dificilmente há quem. E até aí tudo bem! Agora… chegar ao ponto onde nas bancas dos jornais salta aos olhos (e cabelos e boca e nariz e cérebro) uma revista a dizer às mulheres que é possível mudar de vida em 59 segundos… A dizer e a espicaçar a fêmea no sentido de a fazer conjugar o verbo mudar em excesso de velocidade. Isso é entrar sem carta de condução num carro sem travões nem direcção assistida. Diz um homem, incapaz de mudar de cuecas em menos de um minuto&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5490952140665235515?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5490952140665235515/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5490952140665235515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5490952140665235515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5490952140665235515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/05/59-segundos.html' title='59 segundos'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5788118897654206307</id><published>2010-05-12T19:05:00.001+01:00</published><updated>2010-05-12T19:05:56.138+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>1986</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de ter os cabelos compridos com cheiro a fumo de cigarros. Lembro-me que era de manhã e estava frio, muito frio, frio ao ponto de ver na respiração o estilo dos fumadores. O meu pai e eu caminhavamos com a pressa dos que não querem mesmo mesmo chegar atrasados. O tabaco dele vinha sempre à baila nas conversas quando alguma senhora se chegava para me dar um beijo e dava mas dizia ó rapaz até parece que também fumas. E fumava, expelindo o ar quente dos pulmões entusiasmados em direcção à brisa gelada, afinal era um miúdo a quem o pai tinha levado para o acompanhar a um comício de uma campanha eleitoral. Neste primeiro ou segundo sábado de 1986, o rapaz de onze anos tinha a certeza de ser um homem informado, ciente das escolhas sociais adequadas à política que estava a fazer falta ao país. Um homem de sobretudo no palco pegou no microfone para chamar o Diogo Freitas do Amaral. Nesse dia vi pela primeira vez o antigo líder do CDS.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uns meses mais tarde, no dia em que fiz 12 anos, a 9 de março, o Mário Soares tomou posse como Presidente da República, depois de ter vencido as terceiras eleições presidenciais desde o 25 de abril de 1974. Nesse dia atribuí parcialmente a derrota do Freitas ao facto de eu, e de tantos outros como eu na minha escola, não termos à data idade suficiente para votar. O melhor daquela manhã na praceta 25 de Abril, em Vila Nova de Gaia, foi ter passado o tempo todo de mão dada com o pai. Já nem me lembro da úlima vez em que o fiz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E também não me lembro da última vez em que estive nas proximidades do Diogo Freitas do Amaral. Vou estar com ele esta noite. Gostava que no comício de 1986 ele nos tivesse dito que um dia ia ser ministro do negócios estrangeiros pelo PS. Depois o tabaco faz mal à saúde.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5788118897654206307?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5788118897654206307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5788118897654206307&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5788118897654206307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5788118897654206307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/05/1986.html' title='1986'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-4715966829492040397</id><published>2010-05-12T19:04:00.003+01:00</published><updated>2010-05-12T19:04:59.642+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>A sanfona não é um banco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A avenida da Boavista, nos dias bons, tem momentos iguais aos números de magia. Ela consegue ser aquele truque dos intermináveis lenços puxados pelo ilusionista. Aquilo nunca mais acaba. E isto também não, a capacidade de repetir os dias, repetindo rotinas às centenas de milhares, havendo em todos dias instantes que nunca tinham sido “publicados” antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje andava um cão branco com um cesto pequenino na boca. Os dentes seguravam o arame. O cão estava sentado ao ombro de um homem moreno, extraordinariamente novo para aquele papel e invulgarmente baixo para quem já tem mais de 20 anos. O tacanho torso do pedinte não cumpria por ali a missão. Tinha na posição de uma mochila colocada à frente uma sanfona onde faltavam teclas. Os dedos dividiam tarefas entre a construção de um ruído pobre e o botão do semáforo que é como um requirimento para pedir verde para os peões e vermelho a travar as rodas do trânsito. O homem da sanfona nunca pedia dinheiro a quem passa a pé junto a três hotéis de cinco estrelas. Olhava na direcção dos carros como quem via mealheiros ambulantes. E batia nos vidros com o queixo. Tocava na sanfona com as mãos e ajudava ao balanço com um joelho. O cão esticava o focinho na mesma esperança dos pescadores quando a rede vai ao mar. Chamar um ilusionista era capaz de ser mais bem escolhido, se para ali estão com a ideia de ver moedas no ardil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-4715966829492040397?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/4715966829492040397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=4715966829492040397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4715966829492040397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4715966829492040397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/05/sanfona-nao-e-um-banco.html' title='A sanfona não é um banco'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-27083009421794849</id><published>2010-04-28T18:45:00.004+01:00</published><updated>2010-04-28T18:50:58.992+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O antigo fiscal do mercado de Vila do Conde</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da lista de coisas que um homem não deve fazer ou dizer em público, esta vem à cabeça e menciona a proibição das lágrimas no sexo masculino. Mas não me contenho e não as contenho: ando com vontade de chorar desde ontem à noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RKC6-ELO9DI/S9hyL2m2YRI/AAAAAAAAAPo/hr4QpX9IwaQ/s1600/cantinhodomorais.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://1.bp.blogspot.com/_RKC6-ELO9DI/S9hyL2m2YRI/AAAAAAAAAPo/hr4QpX9IwaQ/s400/cantinhodomorais.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai fazer cinco anos em Maio. O antigo fiscal do Mercado de Vila do Conde já está meio impaciente quando lhe chegamos à porta. A velhice em vez de lhe ter levado o cabelo, pintou-o de branco. A pele tem a cor saudável da beira-mar. Está muito bem posto para um homem de 70 anos. Nesse dia de 2005 talvez estivesse mais consumido pelo nervoso miudinho, é que a televisão quase não o via sem ser a preto e branco e sem ser um homem dos anos sessenta, de calções e camisola de manga curta, de meias pelos joelhos, com uma bola branca na mão. E ele, mais baixo do que a bandeirola de canto, juraria nesse princípio de tarde e a pés juntos, que quando pé direito encostou da bola disse logo :"é golo". Estamos a falar da única vitória europeia do Sporting. Estamos a falar na final da Taças das Taças de 1964, em Antuérpia, com o MTK da Hungria. Estamos a falar do cantinho do Morais. Estamos a falar com ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O céu de Vila do Conde partilha nuvens brancas sobre um fundo azul pálido. O lugar é o parque da cidade e ao lugar chamaram Parque João Paulo II. Sigo pelo carreiro e tenho ao meu lado o João Morais. Ele recusa qualquer ajuda ou amparo para fazer o percurso. A perna esquerda cedeu à passagem do tempo e faz uma curva para fora. O ângulo do arco podia ser o mesmo daquel eem que a bola saiu do pé direito, num canto batido à esquerda do ataque, e foi morrer junto ao poste mais longe, onde está a parte lateral da rede da baliza. Por momentos não estou em mim. Sigo passo a passo em confidências sobre futebol e a vida com o homem que um dia deu a Sporting a primeira e única taça europeia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem à noite o telefone tocou para dizer que o Morais tinha morrido.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andei com a fita das cassetes para trás e para a frente para me lembrar que o João, que insistiu para o tratar por tu,&amp;nbsp; deixou o Sporting em 1969 e que esteve 36 anos sem pôr os pés em Alvalade :" só vou onde sou convidado".&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando estamos a falar do golo, do cantinho do Morais, ele diz que o golo não é dele e que o disse logo no campo quando os companheiros iam gritando ei grande golo: ""Não foi meu. Foi de nós que estamos aqui e dos que estão ali no banco". Sobre os leões no presente, dizia apenas isto: "eu não devo nada ao Sporting. O Sporting é que me deve a mim".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse dia o João tinha 70 anos e estava aposentado. Despedimo-nos com um abraço e jurámos marcar um almoço que o tempo acabou por não confimar. Lembro-me de ter ficado todo empolgado para ouvir&amp;nbsp; no encontro seguinte as histórias do homem quando o homem era o antigo fiscal do mercado de Vila do Conde. Contaram-se cinco anos desde esse dia... muito mal contados, diga-se, agora que os segredos já não respiram.&lt;br /&gt;Até sempre amigo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-27083009421794849?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/27083009421794849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=27083009421794849&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/27083009421794849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/27083009421794849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/04/o-antigo-fiscal-do-mercado-de-vila-do.html' title='O antigo fiscal do mercado de Vila do Conde'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RKC6-ELO9DI/S9hyL2m2YRI/AAAAAAAAAPo/hr4QpX9IwaQ/s72-c/cantinhodomorais.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7272338176981509582</id><published>2010-04-20T15:02:00.000+01:00</published><updated>2010-04-20T15:02:51.062+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Obras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o sol chegou para o almoço, apontado chão na vertical, cinco homens largaram as mãos do trabalho e partiram em dois grupos. O martelo e o cinzel de cada um ficaram pousados no chão, por cima dos blocos rectangulares de granito; de cada um , e de ferramentas falando, só as fitas métricas e os lápis evitaram ficar ao abandono: umas de pendura no bolso das calças e uns como se fossem a única haste de óculos imaginários. São as leis da natureza do código genético de um trolha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; O mais pequeno dos grupos, não era bem um grupo, só tinha dois homens. As rugas na testa do mais moreno diziam a quem passava um dado adquirido nas observâncias da dor: a fome, em determinados estados psicológicos, é um conceito inexistente. E por mais que o corpo esteja a ir à vida, uma cabeça dorida só tem nevoeiro diante dos olhos. O mais baixo e mais branco - e mais gordo - dos dois, ficou por perto, trocando a marmita pela força, a comida pelo apoio ao amigo. Estiveram dois minutos, sentados de lado para o mar e frente um para outro, a conversar com o volume adequado às palavras ditas em segredo, que nada, mas nada tinham a ver com o barulho do martelo no cinzel e do cinzel no granito. Desceram os degraus da meia laranja da praia da Granja e foram partir pedra. Em todos os sentidos atribuídos à expressão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste inverno, particularmente neste inverno, o mar cantou uma letra do Carlos Tê, alterando aqui e aqui o refrão, roendo uma laranja da falésia. Desfazendo a costa da Granja e em particular os degraus em pedra da meia laranja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro grupo entrou numa carrinha branca e distribui-se da seguinte forma: um homem por cada uma das filas de bancos da Transit de nove lugares. A marmita de metal encostada ao volante tinha a sopa que a colher levava à boca. No meio, na tira de lugares mais escancarada pela porta de correr, uma cerveja sugada pelo gargalo estava na hora de se transformar em arroto. Da fila de trás só se ouvia a língua no céu da boca, se é que àquilo se pode chamar mastigar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É provável que obra fique concluída antes do fim da primavera. Há quatro anos, em França, num estúdio de gravação, sem martelo, lápis, cinzel ou fita métrica, um grupo de músicos, de cantores e de cantoras, pegou numa série de músicas por eles escolhidas e realizou as obras necessárias até ficar concluído um disco chamado Band à Part. Hoje levei-o para correr comigo, protegido por um Ipod, e ele foi a banda sonora para o &lt;i&gt;clip&lt;/i&gt; de imagens fornecido pela casualidade do percurso. Num dos troços de piche havia um cd partido, parecido com um queijo com uma fatia a menos. Esse nem os Nouvelle Vague conseguem consertar. E os senhores da Granja ainda menos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7272338176981509582?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7272338176981509582/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7272338176981509582&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7272338176981509582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7272338176981509582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/04/obras.html' title='Obras'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1952715662062277905</id><published>2010-04-19T22:37:00.003+01:00</published><updated>2010-04-19T22:47:45.538+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Veraz</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje. Hoje tomaste por decisão a vontade em dar ao corpo a ordem de perder quilos. Hoje, já agora e posto isso, talvez fosse preferível fazer emagrecer o conteúdo das frases, limitando-as ao estado suficiente, a respeito do nível de entendimento.&amp;nbsp; Hoje, em continuando assim, não vai dar para lá ir, ao lugar onde se esclarecem circunstâncias. É como se houvesse a necessidade de se dizer sempre azul mais amarelo quando se quer dizer verde. Entrega às frases a mesma solução encontrada hoje de manhã para resolver o corpo. Põe o texto a suar. Faz da verdade um fogo sem artifício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A realidade é que o título foi encontrado por acaso num romance espanhol, repetido ao longo de linhas&amp;nbsp; e reaparecendo em páginas diversas, afirmando e reafirmando que "só o artista é veraz". Verdadeiro. Que diz a verdade, conta o dicionário quando se põe exposto diante dos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1952715662062277905?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1952715662062277905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1952715662062277905&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1952715662062277905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1952715662062277905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/04/veraz.html' title='Veraz'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7145812655794268233</id><published>2010-03-30T21:16:00.003+01:00</published><updated>2010-03-30T21:35:33.473+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Elisabete de Nápoles</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta novela de época, quando os barcos se apontam ao&amp;nbsp; mar e os panos caem das retrancas, lá no fundo da imagem do porto, está com ar de morto, o homicida natural de Pompeia: o Vesúvio, o único vulcão da europa continental. Nos dias em que a terra lhe dizia para&amp;nbsp; mergulhar no mediterrâneo, ninguém queria ficar para ver, que isso de ficar para ver era esperar para assistir à própria morte. Foi num ano do meio do século XVII que famílias inteiras rolaram das montanhas com a pressa de quem vai à bolina do destino, seja lá ele onde for, sendo que neste caso uma carraca portuguesa estava a levantar a âncora, de uma viagem em que vinha da Índia e que iria ter fim na alfândega do Porto. Corridas pelo ralho do Vesúvio, famílias vieram em cima e ao lado dos sacos de especiarias. Entre elas vinha Elisabete, jovem mulher de uma cidade mediterrânica, que se presumiria ser de pele tingida pelo sol e de cabelo negro com a lava do vulcão. Acontece que não. O feminino da nobreza tinha estado guardado num castelo, prometida que seria a um príncipe. Como o sol não sabia saltar para lá das pedras, nem tinhas a chave dos portões de madeira, a pele de Elisabete era pouco menos branca do que o vestido que hoje veste. Os cabelos tinham sido amarrados para lhe fazer mostrar o rosto e os cabelos tinham a cor do ouro. Reza a história da carraca portuguesa, barco de transporte de mercadorias, que o bem mais precioso de um Fernando teria saído do porto napolitano em mil seiscentos e qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fernando espera junto a uma mesa, a meio de um relvado, com os olhos dividos entre o relógio e a entrada da quinta. Às tantas a espera já parece ser de séculos, quando do nada surge uma marcha nupcial e com ela vem uma loira vestida de branco. Dirá a senhora do registo civil, para surpresa de quase todos, que a noiva tem nos nomes o nome de Elisabete de Nápoles. E que o noivo Fernando também é Agostinho. Os amigos sorriem e eles, alheios e felizes, beijam-se e parecem trepadeiras. Quem não os conhecer, dirá que não se viam há uma eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7145812655794268233?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7145812655794268233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7145812655794268233&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7145812655794268233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7145812655794268233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/elisabete-de-napoles.html' title='Elisabete de Nápoles'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3151232153302053819</id><published>2010-03-29T02:52:00.001+01:00</published><updated>2010-03-29T19:01:54.091+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Ainda há homens que casam com mulheres</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a música chegou ao fim naquela vez, o disco tinha tocado dez vezes. A música era o ar. Invisível como ele, sem cheiro, sem a menor hipótese de consideração palpável. E o coração, se o coração fosse igual aos pulmões, então o coração enchia e esvaziava, respirava música. O homem com coração melomaníaco teria de viver longe, numa terra de sonhos, no lugar onde&amp;nbsp; os sofredores vão de olhos fechados como se nos pés tivessem vagas e essas marés fossem um &lt;i&gt;chauffeur &lt;/i&gt;com chapéu alto e fraque. Nessa aldeia as canções nunca chegam ao fim. O rio é o maestro. As árvores da avenida por onde se entra na terrinha tocam violino e o vento é o arco. Costuma haver velhos carros sem dono sentados ao piano, porque ao piano esquecem a pessoa que um dia foi embora e deixou o vidro aberto, com a chave dentro e a alavanca em ponto morto. Os candeeiros à noite misturam flautas e clarinetes. Há quem dance como se a dança fosse a cura a para a loucura. E há quem escreva sobre a evidência de haver&amp;nbsp; homens que ainda casam com mulheres. O Alberto já tinha feito matéria de prova. E ontem foi a vez do Fernando esperar pela Sandra num altar a meio do jardim. Ainda há homens que casam com mulheres, que as levam de volta à terra dos sonhos, ao dia que em as ilusões cabiam todas no interior de um vestido branco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;PS: obrigado sentido ao Fernando que nos arranjou duas extraordinárias noites pelo motivo de se ter casado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3151232153302053819?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3151232153302053819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3151232153302053819&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3151232153302053819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3151232153302053819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/ainda-ha-homens-que-casam-com-mulheres.html' title='Ainda há homens que casam com mulheres'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-781644622122139606</id><published>2010-03-21T23:59:00.003Z</published><updated>2010-03-22T00:14:52.307Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Nem sabes de que terra és</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Realidade, esta é a ficção. Ficção esta é a realidade. Considerem-se apresentadas, as meninas, sim, e venham daí para uma volta ao mundo em 48 horas, ou se acharem melhor assim, em duas noites na cidade do Porto e zonas circundantes. Para que vejam, quanto mais não seja, como foi possível sobreviver a isto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A história termina já aqui, a meio da tarde de domingo. O retrato robôt&amp;nbsp; do princípio do fim acontece no edifício da Alfândega. A história termina na fila para a máquina de café, oferecido pelas colegas de trabalho do George Clooney. Chega uma mulher com ar de outono, na roupa no cabelo e no rosto. Reforça o ar da estação ao perguntar se a menina tem daqueles (cafés) com sabor a castanhas. Café com sabor as castanhas? Porque não comer castanhas mesmo? Quem toma um café é porque precisa mesmo de tomar um café. É que no caso de ser para procriar aromas, era um formulário de reclamações por favor e escreva-se nele a pedir um lote de café com aroma a mulher do próximo. Ponto final. Fim de história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso foi o fim. No princípio foi uma visita a um lugar de acesso restrito, ao qual, alguns amigos, têm o vício de chamar estábulo. E como quase todos os vícios... está mal!! O lugar onde, principalmente mulheres bonitas, mas também homens bonitos, se reúnem imediatamente antes de um desfile de moda, chama-se bastidores. Estábulo não. Percebo (e sorrio perante) o engodo machista da abordagem, mas estábulo não, digo confessando não ter conseguido parar de achar piada à metáfora. Mas os bastidores estavam assim quando lá cheguei e assim ficaram quando de lá saí: roupa, manequins, secadores, cabeleireiros, maquilhadores, estilistas, costureiros, modistas, manequins, cigarros, cabides, cabides, manequins, cigarros. Nervos e euforia. Ansiedade. Talento. Gente nua, gente vestida. E umas coisas que não sendo mulheres, definitivamente não eram homens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta conversa de homens e de mulheres faz a ponte de sexta para sábado à noite. Um homem deixar de ser solteiro é o motivo. É o motivo e a desculpa. Para lá de vinte desculpas que vinculam um grupo de homens a uma ida a uma casa de meninas devidamente prevista por lei. Entenda-se por isto a aprovação imaculada de namoradas e esposas. Aqui vem ao texto aquela frase que diz qualquer coisa sobre o que acontece em Sermonde fica em Sermonde. Uma filosofia que segundo consta já chegou aos Estados Unidos. Consta. Relate-se então, manietado pelo compromisso masculino, um único facto. Houve alguém com noite de estreia na mui prestigiante actividade de anunciar shows eróticos. O vosso forte aplauso para...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que é que se passou entre uma e outra noites? Passaram-se dois jogos de futebol. Quer num, quer noutro, o rapaz de um metro e cinquenta e saia verde da Alfândega do Porto, se lá fosse a dizer que ia dar uma perninha, iria ter dificuldades em entrar para qualquer um dos clubes. Quando muito era uma corrida subordinada ao tema nem sabes de que terra és.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-781644622122139606?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/781644622122139606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=781644622122139606&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/781644622122139606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/781644622122139606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/nem-sabes-de-que-terra-es.html' title='Nem sabes de que terra és'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2212059907597598857</id><published>2010-03-12T23:07:00.002Z</published><updated>2010-03-12T23:09:47.408Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><title type='text'>Células mortas</title><content type='html'>&lt;div style="color: #134f5c;"&gt;&lt;b&gt;mais um fascículo da colectânea O meu primeiro porno&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Álvaro era o arquitecto da matemática dos afectos. Ia fazer 28 anos ontem. Não fez porque o companheiro de estrada, de tecto, de cama nem estava para aí virado. Foi perguntar à verdade, só para confirmar, e a verdade disse que o Ricardo tinha esquecido, por completo, devido a uma branca de tamanho superior ao de um porta aviões, o aniversário do namorado. Depois de ouvir a verdade, enquanto esteve sentado na sanita,&amp;nbsp; Àlvaro fez o caminho de volta para cama ao ritmo do cortejo que encaminha o caixão para a cova. Deitou-se de costas na campa. Puxou os cobertores só para sentir o peso da terra. O amor tinha acabado de morrer. Calhou a sepultura ter sido escavada no último lugar onde tinha acontecido a ligação dos corpos pela parte física.A junção humana não tinha atingido o toque invisível. Tinha sido só matéria. E ele a pensar no lugar dos livros das histórias felizes. A seguir aos eucaliptos, a descer para o rio, virado a poente, junto ao relvado mais penteado, para o baile dos sentidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Álvaro e Ricardo eram células mortas. Um mais um estava a ser igual a zero. Concluiu, confirmando a singularidade da matemática dos afectos. Na escuridão da tumba, puxar o cigarro para os pulmões fazia acender o vermelho. A dor parava. Mas nem assim o peão andava. Amanhã. Amanhã seria um bom dia para fazer 28 anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2212059907597598857?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2212059907597598857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2212059907597598857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2212059907597598857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2212059907597598857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/celulas-mortas.html' title='Células mortas'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-466533933391115858</id><published>2010-03-10T03:08:00.004Z</published><updated>2010-03-10T03:26:44.054Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div style="color: #134f5c; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O rapaz das luzes&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando arrancaram para a gravação do primeiro &lt;i&gt;take&lt;/i&gt;, a nenhum dos quatro homens presentes na sala foi dada a ordem de acção. Geraldo Wolf percebeu o ridículo da situação, quando num antigo garageiro de motociclos, com o comprimento de um campo de futebol de salão, se predispôs a encostar os lábios ao megafone para dizer acção a uma senhora mais velha do que setenta anos, protagonista e solitária ocupante da cena dos anos mais tarde de ex-actriz de filmes com conteúdo adulto. Pornográficos. Filmes de foda, para cortar com as tretas e dizer o que realmente está ali acontecer, antes da gravação ter ficado bem à primeira e antes de poder dizer corta.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A velhota, velha mas não surda, ia guardar um raspanete para depois porque o megafone levou-lhe o coração até à ponta dos mamilos com o susto. Como uma profissional, calou sem consentir, abandonou o lado da garagem onde uma cama era suposta querer dizer um quarto, avançou pelo meio de dois cobertores que tapavam as motorizadas e onde era suposto ser o corredor.Caminhou em direcção ao quintal, aos cães e às hortênsias. Parou junto ao muro. Encostou os cotovelos e as mamas sobre os tijolos, porque uns e as outras há anos que não encostavam sem a companhia mútua. Olhou na direcção mais longínqua que os olhos conseguiram, seguindo a indicação do realizador Geraldo, sendo que no caso dela, o mais longe que os olhos iam era um metro à frente do peito e isso num dia limpo. Apesar da desventura pessoal da idosa do filme, porque no filme era uma idosa e não uma velha, apesar disso, a postura do queixo elevado, com a expressão esforço dos olhos, serviam à cena na perfeição. O que dali se queria era passar a mensagem de pensamento profundo e uma viagem ao passado, para depois acrescentar uma acrobacia qualquer de uma rapariga sobre um pénis em estado sólido.&amp;nbsp; Se a velha não via um caralho, não vinha ali ao caso. Bem, vir vir até vinha, mas a simulação passava com distinção o argumento arquitectado na cabeça do Geraldo e por isso ele disse corta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corta bem na hora. Geraldo desceu na cadeira de ráfia, e qual imaturo operador de imagem a acetrar o &lt;i&gt;zoom&lt;/i&gt;, vagueou pela antiga garagem de motos à procura da casa de banho. O aperto era tanto que não via mais nada à frente. Deixou-se levar pelo cheiro e não demorou a acertar em cheio. O metro quadrado forrado a azulejos anteriormente conhecidos por brancos tinha alguém lá dentro. O rapaz das luzes, mais conhecido por moço que segura o único foco, estava a acabar de fazer o que Geraldo ia tentar fazer. Enquanto voltava as costas à única retrete do estabelecimento, calhou vir com a mão direita num sítio que ele via todos os dias, mas que ainda não tinha visto como gratificante fonte de rendimento. E quem melhor do que o realizador para ter olhos para a coisa. Geraldo gritou pelo Ricardo e pediu quietude de estátua aos rapaz das luzes. Ricardo chegou com os óculos colados à prancha do argumento na dizer "o que é?".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava encontrado o protagonista do primeiro filme pornográfico feito a meias entre um realizador austríaco quase surdo e um argumentista português que nos últimos tempos começava todas as conversas com um dramático estou a tentar deixar de ser maricas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ricardo exigiu mais tempo de pose de estátua ao moço. Disse-lhe que a partir de hoje, quando a câmara apontasse sobre qualquer ângulo daquele chão encardido com óleo queimado, ele que não esquecesse que quando falassem em Taco Bandeira estavam a falar dele, com ele ou para ele.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a mão esquerda na prancha e a direita na caneta, Ricardo tremeu de alto abaixo, soava-lhe a obra prima, a ideia de criar um episódio chamado "A ternura dos quarenta centímetros". Taco Bandeira sorriu. Era um sorriso vaidoso. Aceitou o nome e o novo cargo de olhos fechados. De dinheiro se falaria mais tarde. Até porque Geraldo ia empurrado por uma velha, avisado do mal dos sustos na sanidade mental das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-466533933391115858?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/466533933391115858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=466533933391115858&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/466533933391115858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/466533933391115858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/o-meu-primeiro-porno_10.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2954754081330835633</id><published>2010-03-08T17:59:00.002Z</published><updated>2010-03-08T18:15:41.421Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div style="color: #134f5c; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O reencontro de Ricardo com o corpo de uma mulher&amp;nbsp; &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Instado a sair das calças, pelo teor da conversa, saiu sem ter perguntado ao dono se podia, se a altura era a mais adequada ou se a companhia do dono, apesar do tom erótico do diálogo, estava disposta a ver o homem que o rapaz guardava no interior de uns boxers justos em algodão. Assim saído, do conforto do lar, a parte mais masculina do corpo de Ricardo só aí se lembrou de pensar&amp;nbsp; se porventura não estaria a encarar o meio ambiente num local público. Não estava. Recuperou de uma flacidez instantânea para de novo se erguer sobre e exacto decote das nádegas de uma mulher mulata, deixado a nú entretanto pelas mãos atabalhoadas de Ricardo. Faltava ali qualquer coisa e ele não estava definitivamente a esquecer a ideia de que num corpo feminimo partes há que se subtraem e outras que se adicionam.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher, apoiada nos cotovelos, fez o que pôde para afastar a conversa da proximidade do esfíncter. Estava porém convertida a uma submissão imprevista, numa daquelas&amp;nbsp; situações onde se pressente que nao há nada a fazer. O apéndice frontal, esse que confere a Ricardo o estatuto de sexo maculino, aproveitou a altura exacta em que o rabo da senhora abriu mais a boca para dizer não. Ricardo sentiu-se chegado à terra prometida. A cidadã anómina já só esperava que ele não tivesse chegado para uma estadia de três dias com direito a pequeno almoço. Ao mesmo tempo, a experiência de mulher astuta também lhe dizia que o senhor que tinha acabado de entrar não iria resolver aquela questão com&amp;nbsp; uma investida de cinco minutos à Benfica. Tinha duas formas de encarar o momento: a bem ou a mal. Escolheu a primeira hipótese.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao volante encorpado de uma mulata quarentona, Ricardo, moço expedito era dotado de um raciocínio somatório. Uma coisa dava sempre lugar a outra. Neste minuto viu-se a pensar na segunda-feria de manhã, à cata de umas calças de ganga e uma armação para os óculos, no interiror de um bazar chinês. Ricardo era um rapaz de conclusões prontas. Sempre que a prontidão ficava em maioria nos vagueios do cerébro, o sexo dava de caras com o verbo acabar. Lançou a semente em terreno infértil. Da casa de banho, para o quarto,&amp;nbsp; disse, com as mãos e o detergente sobre a zona genital em quarto minguante. Lá disse no esfreganço, para a mulher, que em poucos anos o mundo ia ser todo duas coisas. Ela disse que sim mas também podia no fundo estar a dizer que não. Foi para lhe abreviar a conversa. E ele abreviou. Contou que em poucos anos o mundo ia ser quase todo homossexual e chinês, habitado em larga escala por pessoas com olhos em bico. Com três olhos em bico. Ela esteve tentada a dizer impropérios correspondentes em magnitude ao desplante do homem a quem ela tinha acabado de dar o flanco. Mas lá conseguiu guardar a pergunta debaixo da língua e nem deixou subir à zona cinzenta a questão segundo a qual lançava para o debate o porquê de ter deixado entrar aquele idiota.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ricardo fechou a porta. Antes da porta tinha dado um beijo na cara. Antes do beijo na cara tinha lavado por fora aquilo que não conseguia lavar por dentro. Antes disso deixou-se rendido à evidência de que, por vezes, as entradas mais triunfais, acontecem pela porta das traseiras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2954754081330835633?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2954754081330835633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2954754081330835633&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2954754081330835633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2954754081330835633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/o-meu-primeiro-porno_08.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2074469402290701659</id><published>2010-03-05T07:30:00.001Z</published><updated>2010-03-08T19:28:22.695Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Falta-me chão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha vida tem uma distância de quinze quilómetros. É a latitude média de um dia útil. A contar de uma freguesia com mar em Vila Nova de Gaia, a distância deixa a adivinhar que seja a sul, até esse sítio em que numa avenida citadina há uma bomba de gasolina por baixo de um prédio de habitação. Eu vou para o edfício anterior, à parte onde três pisos de escritórios têm escriturário nenhum. Há uma redacção televisiva por baixo de um consultório de fertilidade e por cima de uma agência de seguros. Exerço o meu ofício entalado entre o que acabei de contar. No rés-do-chão mora uma recém nascida loja de mobiliário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A longitude dos meus passo não vai, por norma, além de dois quilómetros a contar do mar. Vivo de domingo a domingo num rectângulo de dois por quinze quilómetros. Falta-me chão debaixo dos pés. Não poderei dizer coisas para lá das linhas desta moldura pequena. Um dia saberei contar em detalhe a dureza das montanhas e o perfume das gardénias. Haja chão para calcar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2074469402290701659?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2074469402290701659/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2074469402290701659&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2074469402290701659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2074469402290701659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/falta-me-chao.html' title='Falta-me chão'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5364234839879159629</id><published>2010-03-04T02:44:00.001Z</published><updated>2010-03-04T03:10:31.827Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Chinelos azuis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para fazer aquela mancha no pilar da ponte, Leonardo Da Vinci teria estado ali uns meros cinco minutos. Teria um pincel grosso para encher o miolo com a brevidade toda, e teria um pincel mais fino para contornar o desenho com o requisito mínimo a que uma obra de um mestre obriga. No caso de ali ter estado a ser o autor da daquela Mona Lisa, Leonardo tinha de ter estado de costas para Vila Nova de Gaia o tempo todo. E teria tido o azar de, apesar de ter estado o tempo todo de frente para o Porto, teria tido o azar de não ter visto a cidade a partir do melhor ângulo. Longe disso. Tinha visto o Porto desde a Arrábida, estendido pelo rio, revelado numas curvas e infelizmente escondido noutras, por sinal as mais repletas de gente habitante e de casas de época mercadoras, por sinal as mais belas das curvas, que nas vontades naturais do Douro se escondiam do olhar de Leonardo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da Vinci teria pintado aquela Mona Lisa no tempo de ler o parágrafo anterior. Aquela mancha preta enferma serviria para dizer: estive aqui muito depressa se um dia eu cá tivesse estado. Obviamente que Da Vinci nunca ali esteve antes da metade do tabuleiro da ponte da Arrábida. Outro dado para lá de qualquer eventual suspeita é o facto de num dos pilares acinzentados da ponte existir uma Mona Lisa pintada a spray sobre um cartão estilizado com a figura da senhora. Obra e graça do anonimato. De forma singular ou plural. Como tiver sido. Sendo certa a presença de uma senhora de sorriso triste, todos os dias, no meu caminho para o emprego, às portas da cidade do Porto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Valha-me o sorriso feliz de uma mulher na hora do regresso a casa. Hoje já foi dormir porque regresso de madrugada. E ao regressar tenho um folha em cima do balcão da cozinha. A folha tem um sorriso desenhado a traço feminino, por baixo de uma frase onde diz: "para te manter confortável nas tuas noites de escrita". Abro o saco de papel e tiro a surpresa. Venho para este sofá com a ideia de escrever qualquer coisa acerca do Leonardo Da Vinci. Caminho sobre os dedos dos pés, muito confortável nestes chinelos azuis de veludo. Não quero fazer barulho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5364234839879159629?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5364234839879159629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5364234839879159629&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5364234839879159629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5364234839879159629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/chinelos-azuis.html' title='Chinelos azuis'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-961903906735748101</id><published>2010-03-02T01:20:00.006Z</published><updated>2010-03-02T01:41:41.062Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div style="color: #134f5c; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Se isto fosse um &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;, seria a continuação do enérgico episódio onde se narra a gravidez de Álvaro&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era de madrugada dentro do quarto. Aos olhos de Álvaro, a visão da testeira da cama variava entre uma aproximação calculada do rosto à madeira de mogno e um afastamento que não levava consigo o cheiro do verniz. Estava tudo calculado. Sentado no banco de trás daquela carroça imaginária, Ricardo era o condutor de uma cena onde um homem possuía o outro e os dois assim, eram os veios de aço a ligar a rodas de um comboio antigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por esses dias,ou por essas noites, madrugada dentro, Ricardo tinha vezes em que desconfiava da própria homossexualidade. Esta era uma delas. E logo esta, quando ele afastava obstáculos para o lado, com a total complacência do outro, é certo, mas quando ele afastava obstáculos para o lado com&amp;nbsp; ajuda das mãos e invadia traseira do outro com a zona mais ocidental do próprio corpo. E é nestes modos, nestes jeitos, nestes quandos, que Ricardo começa a ter a noção da falta que uma mulher lhe faz. Afinal queria um fêmea. Já não se dava por contente nem mesmo estando aos comandos de um ser mais efeminado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Articulados iam, a caminho do fim de linha mais a direito, no sentido do prazer,.Ricardo perdia por instantes a concentração no que estava a fazer para se perder em divagações sobre a posição em que um se põe de quatro. E não compreendia, de facto, o porquê da colagem dessa imagem, de quatro, à frase pobre onde se fala da posição em que a Alemanha perdeu a guerra. Porque olhando para o Álvaro, quem o visse assim na suposta pele de derrotado em combate, nunca o diria nesse modo. Porque Álvaro, aos olhos de Ricardo, vergado à posição onde o povo foi repetindo que a Alemanha perdeu a guerra, não tinha ar de nada disso, antes pelo contrário. O rosto de Álvaro estava com o ar de quem está a ganhar. E a saborear a vitória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O comboio foi até ao fim da linha sem descarrilar. O primeiro passageiro saiu sem dizer adeus. Fez da cama um apeadeiro. Vestiu uma camisa, as calças e os sapatos. Pôs um cachecol e o boné. Bateu com a porta. O outro deixou-se ficar para dormir sobre o assunto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-961903906735748101?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/961903906735748101/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=961903906735748101&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/961903906735748101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/961903906735748101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/03/o-meu-primeiro-porno.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5705953487415860145</id><published>2010-02-24T12:09:00.004Z</published><updated>2010-02-24T12:36:40.141Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><title type='text'>Uma frase. Ou duas. Ou mais</title><content type='html'>Gosto de todas as pessoas que nas zonas da fronteira da loucura, muito calmamente conseguem sorrir, mostrar o passaporte de maluco e deixar para trás sem remorso o estado politicamente correcto da normalidade. É como respirar depois de sufoco prolongado. É viver, portanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5705953487415860145?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5705953487415860145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5705953487415860145&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5705953487415860145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5705953487415860145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/02/uma-frase-ou-duas-ou-mais.html' title='Uma frase. Ou duas. Ou mais'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3623145321510186230</id><published>2010-02-20T23:08:00.007Z</published><updated>2010-02-21T00:31:49.764Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 102); font-weight: bold;"&gt;A gravidez de Álvaro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvaro está sentado. Vem na fila da frente, no lugar encostado ao vidro, onde a linha do horizonte é cortada pelo ombro do motorista, pelo pescoço e pela cabeça deste. O cabelo rapado exibe a orelha esquerda, mesmo por cima do azul escuro do casaco e do azul claro da camisa. A orelha mora muito longe da face, apercebe-se Álvaro, enquanto se perde na dúvida residual sobre se o que está em causa aqui não será antes o cabelo demasiado curto. Sem paciência para acertos estupidificantes de raciocínio, Álvaro vai ao bolso de dentro do sobretudo. Do lado onde o coração bate com um aperto doloroso, Álvaro retira o Ipod com a mão direita. Segura-o com a esquerda, apoiada nos joelhos. Faz deslizar os dedos da outra mão na superfície de vidro. A meio de uma viagem de autocarro entre o Porto a zonas mais a sul de Vila Nova de Gaia,  a tecnologia abre-lhe um mundo novo na palma da mão. Um mundo virtual bem mais interessante do que o respirar de todas a vidas anónimas daquela camioneta de carreira, importada de leste na véspera do dia em que devia ter sido encolhida, primeiro, e empilhada, depois, num cemitério de chapa erguido até ao sítio onde dizem haver a fronteira do céu.&lt;br /&gt;O toque dos dedos no vidro do Ipod, conduzem Álvaro até uma janela imaginária, de onde espreita para um lugar distante, e onde se vê numa licra  bege apertada, sobre patins brancos com lâminas, numa pista de gelo, durante o solo de um concurso de dança. Álvaro é um homem que gosta de homens, mas que por causa dos homens já sofreu mais do que qualquer mulher dos livros dos autores nos dois séculos imediatamente anteriores a este.&lt;br /&gt;Álvaro quer engravidar a todo o custo. Decidiu isso ao fim da tarde. O fim da tarde foi há um quarto de hora, quando os minutos de espera pelo autocarro lhe mordiam os pensamentos, não muito longe da paragem na Praça da Batalha. Abrilhantado de espírito pela ideia de última hora, Álvaro estava de plena consciência à beira de ter conseguido a fórmula secreta para manter o Ricardo para sempre naquela relação que estava doente mas que não seria nunca doentia, no entender do próprio.&lt;br /&gt;Ia engravidar. E ponto final. Nada nem ninguém o poderiam convencer do contrário. Não havia volta a dar. Nunca, em toda a vida, tinha passado por um estado de convicção semelhante. Pegou no Ipod e iniciou a navegação por entre milhares de aplicações. No espaço destinado a se escrever o objecto da procura, Álvaro escreveu o que queria. Ia fazer o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download &lt;/span&gt;de um útero. Mas não o ia fazer já. Esperaria pelo momento em que estivesse em casa e faria tudo como tinha de ser, na presença do Ricardo.&lt;br /&gt;Sentado num banco de cozinha, a olhar para uma revista de mulheres nuas, Ricardo dizia-se apenas interessado no corte dos fatos de banho e dos biquinis. Ricardo disse-lhe também para aproveitar e fazer o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download&lt;/span&gt; de uma vagina, porque pelo cú, eram capazes de não lá ir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3623145321510186230?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3623145321510186230/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3623145321510186230&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3623145321510186230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3623145321510186230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/02/o-meu-primeiro-porno.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2893479583091370632</id><published>2010-02-17T02:14:00.003Z</published><updated>2010-02-17T02:48:45.272Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Coincidência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atendi ao pedido à segunda tentativa. A pergunta repetida queria uma resposta para a dúvida sobre como é que se escreve coincidência. Com cê curvo. Com ésse, não. Disse as letras a sós. Uma a uma, para evitar confusão. E porque depois disto, era uma vez uma dúvida, a  rapariga segurou o telemóvel senhora de uma outra confiança, para escrever qualquer coisa sobre coincidências. Dizer que foi numa noite de Carnaval, pouco ou nada acrescenta ao caso. Que pouco ou nada se acrescente então: foi antes do jantar da noite de Carnaval.&lt;br /&gt;Na noite a seguir à noite de carnaval, o rapaz que respondeu à rapariga está em casa. A televisão repõe um filme sobre comportamentos obsessivos e compulsivos. Antes do fim da segunda parte, uma senhora com ar para ser mãe e avó, responde a uma senhora com ar de ser filha e mãe. A mais noiva das duas estava a redigir uma carta de agradecimento e perguntava como é que  se escrevia coincidência. A mais velha, mãe da mais nova e avó do ainda mais novo, soletrou a palavra: c-o-i-n-c-i-d-ê-n-c-i-a. A filha escreveu tudo direitinho para agradecer ao médico o facto de estar a ajudar o filho doente, o tal que aparece antes descrito como o ainda mais novo.&lt;br /&gt;E eu, de cama há quase dois dias numa semana que é de férias, tento encarar com naturalidade &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a simultaneidade de diversos acontecimentos&lt;/span&gt;. É o que o dicionário diz, quando fala em coincidências.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2893479583091370632?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2893479583091370632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2893479583091370632&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2893479583091370632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2893479583091370632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/02/coincidencia.html' title='Coincidência'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7686205691702753724</id><published>2010-02-15T00:22:00.004Z</published><updated>2010-02-15T18:20:14.392Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>A República Portugueza</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Onde era pedra, branca e negra, é agora chão de mistura: areia, cimento e água. Os passos sucedem-se, pé ante pé, sobre a avenida dos Aliados, a descer. O Porto por aqui abaixo revela-me todos os elos da origem das espécies. É uma mulher com mais ar de homem do que eu. É um homem com mais ar de animal do que o cavalo da estátua de D.João IV. É por fim, onde me detenho, uma Praça da Liberdade. Por ali acaba de passar um homem vestido de mulher, mal vestido de mulher. E ao chegar aqui, ao sítio onde um homem veste o sexo diferente, das duas uma: ou é de noite e estou a passar pelo edifício do Jornal de Notícias, ou então é mesmo uma tarde de domingo e hoje é dia de carnaval. O frio levou os sorrisos de todos os rostos. Nenhum termómetro consegue acrescentar um grau que seja a esta história. A temperatura é de quando o tempo regressa à estaca zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram três horas da tarde. Era o dia dos namorados. O homem quer passar pelo quiosque para comprar o jornal que há-de ler ao café. A mulher diz que sim e que não se quer esquecer de uma revista para ler entre a torrada e o chá. Compram o jornal na rua de Sampaio Bruno, em frente à Casa da Sorte, onde o chão ainda é às pedras brancas e negras. E aí o azar bate à porta, ou então foi o nariz, porque o café está fechado. Desde ali, até ao lugar onde o carro está estacionado acontece o primeiro parágrafo do texto. Vamos ao terceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um namorado, no dia dos namorados, leva a namorada à cadeia. Dirão já as mais impetuosas almas que o romantismo, tal como o azar, ficou à porta. Mas isso seria como meter o nariz onde não se deve. Porque o namorado vai pagar a ousadia em croissants e torradas, ao lanche, e rosbife mais tarde, ao jantar. Mas não saltemos já na cadeia dos acontecimentos. Vamos à cadeia da relação. Ao Centro Português de Fotografia. À exposição Resitência, sobre o tempo em que a república portuguesa ainda se escrevia com zê. Vale a pena a visita. Ao fim de uma hora entre a alternativa republicana e a luta contra a ditadura, em imagens a preto e branco, porque não sair de lá com um colorido disparate onde se diz que nos séculos anteriores os presos viviam numa casa muito bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lanche, também houve café com leite e chá gelado, este último pedido por favor numa embalagem de temperatura natural. Ao jantar, os líquidos vinham de lambreta, quando eram vinho de pressão, e numa lata, mais destinada aos refrigerantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ia acabar no Coliseu do Porto. Nada como um concerto para fechar um dia desconcertante, fica sublinhado o registo em português preguiçoso. Onde a língua chora como uma bola o faz quando é maltratada. Isto de se entrar no Coliseu e de se começar a falar de futebol confirma o facto de estarmos em Portugal. Ou então a culpa é da camisola do guitarrista. Tem todos os losangos utilizados pelo Paulo Bento e mais um. Pior está o teclista. Arrisca uma chicotada psicológica. E é o que lhe vai acontecer quando a mama direita da menina mais gorda do coro lhe acertar na cabeça. A ele ou ao senhor que controla os bilhetes para entrada na plateia. A mama esquerda já desceu do palco três ou quatro vezes.&lt;br /&gt;Indiferente a tudo isto, a Joss Stone dança com o clitóris. A voz ferra os ouvidos antes de chegar à alma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7686205691702753724?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7686205691702753724/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7686205691702753724&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7686205691702753724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7686205691702753724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/02/republica-portugueza.html' title='A República Portugueza'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-4519607174896873382</id><published>2010-01-31T18:51:00.005Z</published><updated>2010-01-31T19:25:25.822Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Carta a um desconhecido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 102, 102);"&gt;A propósito do lenço que trazes ao pescoço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tens droga nos olhos. Seguramente terás droga nos bolsos. Vestes um casaco verde da cor da tropa. Estás em pé no apeadeiro da Aguda, no lado poente da linha. [És um homem feio]. Ainda nem deves ter 40 anos . Estás à espera de gente que traga mais gente, de dinheiro que multiplique o dinheiro[É que és mesmo feio]. Essa cicatriz do lado esquerdo da cara, se é para meter medo, deixa-te ficar assim, virado como estás para mim. Escusas  de me dar a outra face. Esse tom de pele é vermelho e moreno  ao mesmo tempo. Isso deve ser doença.&lt;br /&gt;Enquanto deixas o tempo passar, entre um e outro cliente, enquanto os comboios se fazem ao norte e ao sul, tu, que há muito perdeste o rumo, ignoras por completo a função primária do &lt;span style="" onmouseover="_tipon(this)" onmouseout="_tipoff()"&gt;Keffiyeh enrolado no teu pescoço. Essa peça foi ocidentalizada por via da excessiva exposição televisiva e, cá entre nós, é vulgarizada ao nosso conhecimento com o nome do homem que a vestia todos os dias. Esse lenço Arafat  não foi feito para andar ao pescoço . A moda do oeste fez com que ele descesse no corpo, mas o Keffiyeh foi inventado (e é usado nas origens) para proteger a cabeça da exposição solar directa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="" onmouseover="_tipon(this)" onmouseout="_tipoff()"&gt;Só estava a olhar para ti desta forma para te dizer que tens uma forma acessível de preservar  a pele doente. Era só dobrar o Keffiyeh ao meio, na diagonal, para fazer um triângulo.  Este sol inesperado de Janeiro não teria como te fazer mal. Como eu não olhava para te fazer mal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="" onmouseover="_tipon(this)" onmouseout="_tipoff()"&gt;O teu olhar está à espera de um movimento meu para agir. Tenho os braços presos no peso na tua ignorância. Morre ao sol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-4519607174896873382?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/4519607174896873382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=4519607174896873382&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4519607174896873382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4519607174896873382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/carta-um-desconhecido.html' title='Carta a um desconhecido'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1991313251335198931</id><published>2010-01-29T00:55:00.004Z</published><updated>2010-01-29T01:10:42.123Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 102);"&gt;O resto do prólogo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha decidido chamar os bois pelos nomes quando fosse a hora de chegar ao trabalho. Ela não estava mais para aquilo. Entrou na taberna, a do Albano, a pequena, na esquina do fim da rua de casa, perto da paragem do autocarro, a de mesas compridas de madeira. Os presuntos fumavam, a lenha ardia, os homens fumavam e bebiam. Aquilo era uma nuvem, um pesadelo doméstico, um musculado exemplo da vida real. Aquilo era mau para a saúde de quem estava e mau para a vista de quem entrava. Ela passou para dizer que estava farta do emprego e que o ia dizer no minuto a seguir a ter picado o ponto. Foi lá para dizer ao marido que ia chamar os bois pelos nomes. Olhou em frente. Olhou para a direita, olhou para o fundo. Reconheceu-o pelos cornos, pensou, quando o chamou da porta. Américo foi à porta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A carta do despedimento foi escrita de cabeça no banco que fica por trás do motorista. Era um discurso franco. Teria as palavras de todos os dias. Seria o modo mais cómodo de comunicar a saturação do horário entre a meia noite e as oito da manhã. É que aquilo era o cansaço no grau máximo e salário no enquadramento mínimo. Estava agradecida aos senhores pela oportunidade. Do fundo do coração. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa curva mais apertada, a cabeça voltou a desencostar e a bater no vidro. Os bois pelos nomes, os bois pelos nomes, terá dito entre dentes antes de voltar à condição em que dormitava. Aquele sonho já não era a primeira vez que a acompanhava no autocarro para a zona industrial de Pedroso. Sonhava que queria ser puta. Mas uma puta para dar na televisão. Dar na televisão isto é, dar nos filmes, nos filmes, mas não é do cinema, nos das cassetes de video, as cassetes com capas onde as zonas púbicas não andam muito longe do penteado do Marco Paulo. Sorria no sonho quando o sonho chegava a este ponto. Depois corava. A vergonha do que tinha para fazer na condição de puta era de igual forma à vontade com que atacava o primeiro que lhe aparecia pela frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto não é um hotel. Isto não é um hotel. Pois não é um filme para adultos. O motorista já não tinha paciência para as diagonais que o raio da mulher dava às conversas sempre que chegavam à porta da empresa de enchidos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oito da manhã. Oito da manhã. eram oito da manhã quando apertou o último chouriço. Foi ao escritório dizer à mulher do patrão que o podia enfiar por onde bem entendesse, lamentando à senhora o diminuto tamanho sexual do macho da entidade empregadora, solidarizando-se com patroa por todas as fodas de curta duração por necessidade extrema. Se só conseguia manter o posto de trabalho à laia de uma posição onde as pernas se lembram de quando a distância as fez separar, então que assim fosse. Aos 37 anos ia muito a tempo de fazer ver às mais novas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao ir embora, o homem da caixa estava a acabar de meter setenta euros no envelope. Escreveu Samanta Fátima. Senhora de um nome á medida de qualquer catálogo xxx, com uma semana de trabalho na carteira, um homem a cheirar a presunto a roncar na cama lá de casa com uma boca em vinha de alhos, fazia com que uma cena de sexo filmada com um estranho numa garagem mal amanhada se assemelhasse a uma noite de amor num hotel de cinco estrelas. Mal podia esperar pelo baile debutante. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1991313251335198931?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1991313251335198931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1991313251335198931&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1991313251335198931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1991313251335198931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/o-meu-primeiro-porno.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5155346880813110708</id><published>2010-01-28T01:25:00.007Z</published><updated>2010-01-28T02:24:18.259Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O filme do jogo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É proibido fumar, é, e a proibição assume a forma literal da advertência em situações específicas, mas ainda não chegou ao ponto de venda. Os cigarros continuam a ser comercializados livremente e só por isso não entendo o homem da&lt;span style="font-style: italic;"&gt; roulotte&lt;/span&gt;. Ninguém lhe estava a pedir um crime por encomenda para ele dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;schiu&lt;/span&gt;. Ninguém lhe estava a propôr um golpe de estado nas barbas, e já agora nas incontornáveis barrigas, não há como as evitar neste episódio, nas incontornáveis e inevitáveis barrigas dos GNR de serviço ao jogo de futebol em Freamunde. A coisa para ser assim contada numa noite de quarta-feira, requer, antes de mais, um sopro nas mãos e um esfreganço delas uma na outra.&lt;br /&gt;Ora, avivando a memória: um jornalista assiste ao exercícios de aquecimento de duas equipas de futebol e uma de arbitragem num campo da segunda divisão. São dois ou três pormenores de uma noite onde onde dois ou três graus, por positivos que sejam, e são, não deixam de acrescentar algo de negativo ao olhar do homem da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;roulotte&lt;/span&gt;. Marcou um encontro nas traseiras no estabelecimento móvel. Junto ao tronco da árvore, para tapar a vista de qualquer vista. Só aí, na escuridão absoluta, se tornou visível a deficiência do senhor. Ele não tinha a mão esquerda. A asa do saco de plástico pendia de um lado para o outro, como pendiam os olhos deles em busca de um qualquer intruso. A asa segurava-se mesmo ao meio do coto. Coto não. Era um pulso sem mão.&lt;br /&gt;A única mão deste homem, a direita, vasculhava o interior do saco até ao fundo do saco e era como se no fundo do saco não houvesse fundo, tantos foram os mergulhos, os fracassos e as idas e as vindas sem o maço de cigarros americanos. Num exercício mental, sugeri que o fumador já fumava qualquer coisa portuguesa, para acabar de vez com aquela cena de filme de série b.  Pressionei o vendedor para saber o porquê de tudo aquilo. Porquê vender às escondidas tabaco legal ao preço de tabela? Porque sim. Porque ele tinha deixado de fumar vai para dois anos e a mulher podia não acreditar nele se encontrasse uma caixa de cartão cheia de volumes e um saco de plástico atulhado de maços. O contrabandista de ocasião segurou por fim um maço vermelho e branco. Sorri ao senhor a minha melhor solidariedade de ex-fumador. Sem lhe chegar a contar do pressentimento de uma vitória dos vermelhos e brancos, os do Braga, sobre os azuis,  do Freamunde. Se ao menos o outro fumasse Português Suave...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5155346880813110708?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5155346880813110708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5155346880813110708&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5155346880813110708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5155346880813110708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/o-filme-do-jogo.html' title='O filme do jogo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8686037104198129967</id><published>2010-01-20T02:30:00.005Z</published><updated>2010-01-20T15:21:35.106Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Homem temporariamente nú</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje em dia, um qualquer ser inocente do sexo masculino corre perigo de vida se por perto houver uma loja de roupa. Não é preciso muito para entrar descontraído e sair de lá vestido de bandido. Se quiserem ir por partes, vamos por partes. Não estou aqui para implicar. Comecemos pelos alicerces. Pelo chão. Pela prateleira mais rente ao soalho. Comecemos pelo pés. Com todo o detalhe de quem não está aqui para enganar ninguém. Como se faz na feira. Aos pés o que é dos pés. E neste caso,o que é dos pés são os sapatos. E os sapatos todos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gangster&lt;/span&gt;. São castanhos diarreia. São pretos brilhantina. São quadrados, são em bico. São perfeitos para deixar um avançado em fora-de-jogo. À margem das regras. Marginais. Lá está,  de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; gangster&lt;/span&gt; é o que são. Pé esquerdo e pé direito, hoje não há prenda nem para um nem para o outro.&lt;br /&gt;As fundações de um homem que por acaso se quer vestir e entra numa loja de roupa, arriscam-se a não ter pernas para andar. Falemos de calças. Se fosse para ter o cú à mostra não as vestia, nem as tinha em necessidade de comprar. E uma tira de veludo da anca ao tornozelo hoje não, porque não é dia de comunhão solene, nem há vagas para paquete no centro de emprego. Isso... atirem-me essas de ganga pós lixívia ou pedra pomes... Não estamos aqui para assaltar ninguém, muito obrigado. E entregamos à menina do atendimento o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cliché&lt;/span&gt; pernas para que te quero. Uma frase que o português só diz para trincar a própria língua.&lt;br /&gt;Vamos às camisas. Não sendo toureiro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;elder&lt;/span&gt;, mesa de cozinha ou cortinado, a coisa tende a fugir para o complicado. Para já não falar daquela camisola. Já vi aquele padrão em algum lado. Já sei. Foi em casa da minha mãe. Por cima da televisão com caixote de madeira. Em 1983.&lt;br /&gt;É impossível ir embora e não reparar naquele casaco à prova de bala, tipo bibendum. Ou no  blazer de corte igual ao do anão da ilha da fantasia.&lt;br /&gt;Olhe, desculpe, onde fica a secção de homem?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8686037104198129967?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8686037104198129967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8686037104198129967&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8686037104198129967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8686037104198129967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/homem-temporariamente-nu.html' title='Homem temporariamente nú'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6580560402649491417</id><published>2010-01-19T01:12:00.004Z</published><updated>2010-01-19T02:17:36.473Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>ομπρέλα</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O hotel acolhe a totalidade do número 8 da  Rua Monastiriou, em Salónica. Oito portugueses avançam conversadores uns com os outros através do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hall&lt;/span&gt;, na direcção do inverno grego, vestidos pelo rigor da estação. Enfrentam a temperatura negativa da manhã de dezembro com o sorriso mais positivo que o semblante consegue arranjar. Ao saírem do hotel, deixaram ficar a porta a aberta. Parece que são de Braga. E são mesmo. Vieram de Portugal no voo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;charter &lt;/span&gt;encomendado pelo clube da terra. Um outro português, observador e narrador desta história, decide aproveitar a embalagem da corrente de ar e sai de casaco fechado até ao nariz , nariz que a partir das dez da manhã vai passar a ser da cor da camisola do Braga. Ele, como é de Gaia, decide fechar a porta.&lt;br /&gt;As portas podem ser o meio a utilizar para abrir Salónica e trazer parte da cidade a este texto. Porque porta-sim-porta-sim o comércio chama pela rua. E quando a rua decide não ir, o comércio decide trepar paredes. Isto não é uma figura de estilo. É a cidade que vende a não querer ser esquecida pela cidade que pode comprar. E eu, mesmo não sendo dali, nesse dia sou. Pelos menos ao olhos dos vendedores.&lt;br /&gt;Esta parede em frente está decorada com casacos de pêlo, casados de pele e binóculos. Tem medalhas da tropa, tem capas de disco. Tem um homem velho sentado num banco mais velho. Ele tem olho para o negócio, repara em mim, puxa-me para dentro, conta que o outro olho ficou na guerra com uma só palavra: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;war&lt;/span&gt;,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; war&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Faço gestos para dizer o que quero. Ele gesticula para dizer que tem. Deixa-me uma camisola de lã nas mãos e não é isso. Devem ser os meus gestos. Volto a fazer devagar. Ele diz que sim, mas vem de trás do balcão com umas botas. Começa a falar muito alto e entra mais gente, todos pensam neste estrangeiro como alguém capaz de estar a tentar pôr a mão na caixa registadora. Não estava. Estava só a chegar a prateleira onde estava o que eu queria. Peguei, pousei o objecto. Levantei o braços como quem diz paz. Rocei o polegar no indicador e no dedo médio a perguntar quanto é. O homem com olho para o negócio abriu a mão direita para dizer que eram três euros. Calculei que os outros dois dedos tivessem ficado na guerra.&lt;br /&gt;Esses dois dedos de conversa, constam de um episódio com mais de três anos. Regressaram a mim pelas portas da fortaleza de Valença, à porta de uma loja onde um vendedor boliviano aponta a pistola aos presumíveis clientes. A pistola é de plástico e faz ondas intermináveis de bolas de sabão. Aponta à minha namorada e eu disparo. Guardo o momento na máquina fotográfica. A seguir entro com ele na loja e compro, pela segunda vez na vida, um guarda-chuva(ομπρέλα ).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6580560402649491417?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6580560402649491417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6580560402649491417&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6580560402649491417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6580560402649491417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/blog-post.html' title='ομπρέλα'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8924115239780317952</id><published>2010-01-15T17:15:00.002Z</published><updated>2010-01-15T17:46:39.924Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><title type='text'>Em nome próprio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Regresso com a mão esquerda encostada ao nariz e o ombro do mesmo lado encostado ao queixo. Regresso com direita igualmente de punho cerrado, sobre esta barba assimilada pelo rosto nos últimos oito dias.&lt;br /&gt;O pé esquerdo é uma âncora cravada no chão. O direito comporta-se nos vícios  de quem apaga um cigarro. O calcanhar fica suspenso. É para o caso de evitar uma queda no caso de o primeiro golpe sair de algum daqueles que estão diariamente a apregoar combates imaginários. Chegando mais perto, a dimensão de cada um dos elementos do exército de cobardes não chega a provocar espanto. A pequenez do cobarde permite-lhe cobrir-se, dos pés à cabeça, com uma página de um jornal.&lt;br /&gt;Em nome próprio, eu António, descalço as luvas e faço a saída por entre as cordas. Quando o encontro de palavras tem de ser com gente que só é gente por ser amiga do amigo do amigo do amigo influente, a resposta sai melhor numa folha em branco. As letras ficam guardadas no corpo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8924115239780317952?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8924115239780317952/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8924115239780317952&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8924115239780317952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8924115239780317952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/em-nome-proprio.html' title='Em nome próprio'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2602040429658445152</id><published>2010-01-07T23:56:00.006Z</published><updated>2010-01-08T01:11:25.696Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Todos os verbos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para começar, nascer até que não está mal. Mas está. Se for para começar como deve ser, o verbo tem de ser um de dois: amar ou engatar. Pegando no segundo, convém ter a gramática aberta no verbo abrir, porque é isso que vai acontecer, depois de o pai convencer e a mãe anuir e depois de os dois se dedicarem ao tocar. Reza a história que haverá a seguir uma constante indecisão entre dois outros verbos: o entrar e o sair. Até que... numa perspectiva mais clínica do evento, se chega ao verbo ejacular, verbo esse conjugado apenas pelos mamíferos do sexo masculino. Mantendo o tom clínico, e para que a mulher não se queixe de ficar sem um verbo para ela, deixemo-la entretida com o fecundar . É coisa para a deixar ocupada durante nove meses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Posto isso, então sim. Aí vem, careca, sem pelos nem dentes, de olhos quase fechados e em modo de choro, o tal verbo nascer. Diz que é o princípio de tudo. Sendo sobretudo, nos primeiros tempos, o expoente máximo do mamar, chorar, do comer, do mijar e do cagar. São os primeiros passos de uma etapa baptizada, por unanimidade, com o verbo crescer. Gatinhar, andar e falar estão para quem nasceu como limpar está para quem fez nascer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida é todos os verbos. Quem não sabe conjugar sem cábulas o verbo doer? Mente quem diz que não e isso só o(a) fará sofrer ainda mais. Felizes de todos aqueles que encontram, nem que seja por uma uma só vez, o sítio onde os dias tiram férias para amar. E valha-nos as gargalhadas do rir e os momentos de verão em plena tempestade do sorrir. Nunca esquecendo que tudo isto é para morrer. Mesmo para quem se está pouco a foder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: Verbos como matar, roubar, enganar e violar dão pena de prisão. A igreja diz que cobiçar também não é lá muito bonito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2602040429658445152?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2602040429658445152/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2602040429658445152&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2602040429658445152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2602040429658445152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/todos-os-verbos.html' title='Todos os verbos'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1595476262583422979</id><published>2010-01-03T19:31:00.005Z</published><updated>2010-01-03T20:49:48.395Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Sorry honey</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O futuro queria ter visto a gaivota naquele amanhecer de Março. Quando os ponteiros do relógio se alinharam e o sol entendeu estar na hora de fazer quebrar o gelo. Queria ter visto a envergadura das asas, abertas na forma de quem se prepara para abraçar com saudade o momento em que se regressa. Queria ter visto a sombra a crescer no chão e a gaivota a descer no ar, com o ar de quem chega ao lugar de onde nunca devia ter saído. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa estação, o sol aproximou duas bocas. As duas bocas vinham de um deserto onde o tempo repousa quando tem tempo. Beberam uma da outra, souberam de si, sorriram e por fim regressaram devagarinho ao lugar onde se tinham reencontrado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de se aventurar no mar, uma gaivota conta a todas as outras gaivotas da praia, ter ouvido a história de dois humanos e jura ter escutado qualquer coisa sobre um encontro marcado entre eles para uma troca de olhares no corredor das bolachas de um supermercado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O futuro entra de rompante na conversa para dizer que o tal encontro nunca chegou a acontecer. Mas acrescentou, o futuro, quando se meteu na conversa, que o rapaz dessa história passou ontem a correr nesse mesmo corredor. E que quando por lá passou, viu um frasco de mel caído, partido e derramado no chão. E que ao passar disse &lt;em&gt;sorry honey.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1595476262583422979?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1595476262583422979/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1595476262583422979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1595476262583422979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1595476262583422979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2010/01/sorry-honey.html' title='Sorry honey'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7294764327050082660</id><published>2009-12-28T02:24:00.008Z</published><updated>2009-12-29T16:05:29.425Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Prólogo continuado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao reentrar no quarto, fez por passar ao largo da cama. Era lá que o mundo inteiro se fodia, naquele ringue sem cordas. A coisa fazia-se no rectângulo deitado ao chão, onde dois metros e vinte de comprimento se cruzam com dois metros exactos de largura. Naquela madrugada ele tinha sido um bom animal. Tinha sido o animal que ela estava a precisar que ele fosse. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na quietude de uma cabeça sozinha num apartamento sobre o rio Douro, enquanto recuperava os passos perdidos da noite anterior, o homem que ainda agora julgava ter morrido, esteve prestes a tropeçar e isso só de se ter lembrado a última erecção. Última de anterior, não última como se tivesse sido há uma enormidade de tempo. De adjectivo em adjectivo faz tangentes imaginárias a superlativos relaccionados, em grande escala, com o dispositivo sexual que tinha deixado, a noite inteira ao dispor de uma cidadã, que apesar de já a conhecer de trás para a frente, por dentro e por fora, ainda não tinha tido oportunidade de dar um passo tão primário como o de perguntar o nome. A rapariga tinha sofrido do mesmo lapso inquiritivo, pelo que as coisas estavam empatadas no final do combate. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Posto isto, ele continuava à procura da pessoa que um dia tinha sido em casa de uma estranha que dela sabia apenas a ter entranhado até mais não. Não irá chegar ao local onde está a resposta, continuando a fase da vida em que deixa o corpo em rounds, espalhado pelas noites da cidade, a caminho do útero de mulheres com perninhas de abertura fácil. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7294764327050082660?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7294764327050082660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7294764327050082660&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7294764327050082660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7294764327050082660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-meu-primeiro-porno_28.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6949452740812368326</id><published>2009-12-27T21:24:00.009Z</published><updated>2010-02-03T09:22:10.047Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 102);"&gt;Prólogo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eu morrer, não chores por mim. Posso estar a divertir-me.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem mais uma palavra, um ponto, ou uma vírgula, pousou o telefone no telefone. Perdeu a conta aos minutos a seguir a esta parte do dia. Ao longo de todos estes anos nunca precisou de um papel ou de uma caneta para saber todos os tempos e pessoas do verbo perder. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando a última frase foi dita, sobre ele se poderá dizer que, para cadáver, não tinha mau aspecto. As três rugas do lado externo da órbita direita mantinham-se mais fundas do que as três rugas do lado externo da órbita esquerda. Isso era visível a olho nú. E como tal, inquestionável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A barba era demasiado nova para morrer daquela forma. Tinha seis dias junto ao queixo e por cima do lábio superior. E era dois dias mais nova na zona onde o maxilar se prolonga até ao pescoço e nas bochechas. Bochechas côncavas, encostadíssimas aos dentes pela parte de dentro da boca. Daquela boca tinha saído a sentença de pena de morte. Porquê? Por causa de um homem farto de ser homem dentro do parâmetros estabelecidos por lei. Esse homem nú com ossos à vista nos ombros, nos cotovelos, nos joelhos e nos tornozelos. Esse homem de nádegas alvas e pénis escurecido pela cor da mistura da quantidade de mulheres que por ele foram passando. Esse homem, de pé em frente ao fim. Esse que só se apercebe que afinal está vivo porque esteve tão perto de si próprio ao espelho. O vidro embaciado começou por tapar o rosto. Quando o rosto já não via o rosto, o rosto olhou para baixo e quando o fez viu os dedos dos pés sairem de perto dos dedos dos pés, viu os calcanhares ficarem perto dos calcanhares e por fim os calcanhares a caminho de desaparecerem do espelho. A morte não devia ser bem bem aquilo, pé ante pé, no chão gelado da casa de banho da mulher com quem tinha dormido ontem e a quem esperava ser apresentado hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6949452740812368326?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6949452740812368326/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6949452740812368326&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6949452740812368326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6949452740812368326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-meu-primeiro-porno_27.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-945848968275013760</id><published>2009-12-23T01:06:00.006Z</published><updated>2009-12-23T01:39:05.055Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O português</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O português é o melhor do mundo a ir ao shoppping. Vai como ninguém e vai tanto. Vai de manhã, vai à tarde, vai à noite. Informações recolhidas junto de fonte de segura dizem que também vai durante os sonhos. Até é capaz de dizer que não vai, mas depois vai. E quando vai, usa a estrada estando já na posse de outra patente: a do melhor condutor do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vai pela direita das filas todas, porque nunca se apercebe do trânsito parado em ponto morto. Costuma ir na marcha branda com o queixo no guiador e as mãos entre os dois, guiador e queixo. [Se for mulher, leva a buzina mais a peito]. Depois vai de carro até à porta [se for mulher ainda vai mais] e como ainda não teve tempo de gastar as ultrapassagens todas, segue aos saltos entre com licenças nas escadas rolantes [se for mulher, aqui repousa]. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O português é o melhor do mundo a desconhecer as horas. Aliás, só conhece uma, a última. E aí a acontece o fenómeno sobre amplitudes e densidades. Na correlacção entre o tempo, há quilómetros de minutos de utilização zero. E depois há mil e uma tarefas para executar em... mil e um segundos. Vai daí, mesas existem onde o bacalhau já está no prato sem vestígio de prendas por baixo do pinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O português é o melhor do mundo a jogar ao natal. O pai é incapaz ir para dentro da roupa vermelha com um taxa de álcool no sangue permitida por lei. Só faz a coisa por cima. E a troco de mini-chantagens conjugais. Veste-se de pai natal quando a mãe promete não dizer mais nada sobre o número de copos de vinho, whisky e champanhe, não necessariamente por esta ordem. E ainda a troco de uma promessa daquela prenda no sapatinho que fica por baixo dos lençóis [se for mulher, aqui diga de sua justiça].&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O português é o melhor do mundo a falar de qualquer outro português. E quando o faz, faz com tudo. Seja para dizer um punhado de generalizações sobre pessoas a caminho de um centro comercial, ou então para ridicularizar os jogos de casal de um qualquer pai de família. Jogos de casal não são jogos de cama. Jogos de casal e jogos de cama, aqui, não são aquelas prendas que se oferecem no natal, excepto se for mulher a oferecer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por falar nisso, que horas são?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-945848968275013760?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/945848968275013760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=945848968275013760&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/945848968275013760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/945848968275013760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-portugues.html' title='O português'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5862114338543657951</id><published>2009-12-20T01:59:00.006Z</published><updated>2009-12-20T02:46:29.335Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na projecção do filme, a tela abria a sala de cinema na direcção de uma rua semi-deserta. O tom sépia da imagem inicial era um plano aberto sobre uma cidade poluída. Este ou aquele adereço passam como notícia de rodapé a pretexto de sinalizarem um entardecer ventoso. Na beira do passeio, o cú rijo de um homem só confirma a temperatura negativa do dia sentado sobre o cimento cinzento às bolas pretas. As manchas escuras são pontos da história onde se diz era uma vez uma chiclete. O pés deste solitário calcam o chão calçados por umas botas grossas em pele de antílope. As pernas tremem à vez. De frio e de nervosimo. Os cotovelos estão nos joelhos, as mãos têm as palmas nas testa, quando os dedos já vão abrindo e fechando caminhos imaginários nos carreiros dos cabelos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O único ser humano desta curta-metragem está a falar sozinho com a boca fechada. Arrepende-se em silêncio: do sorriso que não deu, da escolha errada de todas as palavras, da transmissão desarticulada de tudo o que tinha para dizer, da dor que causou, dos olhares que se evitaram, das lágrimas que os olhos choraram às escondidas, do beijo que ficou mais longe, do tempo que o dia perdeu. Hoje... Hoje foi o dia em que o amanhã não se deve inspirar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando a projecção terminou, os dois únicos espectadores continuaram sentados. A tela, vazia de qualquer conteúdo, era algo mais do que uma metáfora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5862114338543657951?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5862114338543657951/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5862114338543657951&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5862114338543657951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5862114338543657951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-36950279557422402</id><published>2009-12-18T18:11:00.003Z</published><updated>2009-12-18T18:23:44.094Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Hollywood mon amour</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Homem quase de meia idade segura o Ipod, coloca os &lt;em&gt;headphones&lt;/em&gt; e desaparece dentro de uma música. Não há factos, nem há provas. Há a vontade de acreditar ou não. Mas que foi assim, foi. E as coisas que são e não têm a prova de ter sido, são, regra geral,  aquelas que realmente foram. Toda esta conversa para dizer que consta que: lá dentro, no interior da música, a voz de uma mulher faz acreditar no ceú, tal qual nos contaram quando éramos miúdos e acreditávamos. Em tudo. Tudo pode ser um homem  no céu, dentro de uma música, em que a voz de uma mulher era um anjo se os anjos existissem. E o homem, de quase meia idade, pouco católico, vê tudo em tons de  azul e criaturas celestiais. Até sonhou beijar a mulher da canção, não fosse isso ser como tocar a boca do inferno. Hesitou primeiro. Ardeu depois na paz do senhor. As chamas falavam de &lt;em&gt;Electric Dreams.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-36950279557422402?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/36950279557422402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=36950279557422402&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/36950279557422402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/36950279557422402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/hollywood-mon-amour.html' title='Hollywood mon amour'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-4639724541591962019</id><published>2009-12-14T01:13:00.004Z</published><updated>2009-12-14T02:02:10.826Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>As coisas que acontecem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem contadas eram em número de sete, as horas, na tarde deste domingo. Nenhuma hora é boa para escutar uma empregada de loja falar sobre futebol e esta, obviamente, também o não foi. Dizia, entre dobras de casacos de malha com botões para homem: "nesta altura do campeonato é bem bom". Ela estava obviamente a falar sobre o preço dos casacos, pese embora o que aquela boca dizia não fosse senão o dizer de uma mulher com ouvido de homem e martelado pela gíria. Em dois segundos decidi-me pelo silêncio. E quando o fiz, foi como se tivesse soprado o apito final numa expansiva, mas inútil conversa sobre modos e senhoras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa outra loja, em dois degraus alongados, a paleta de camisas faz um arco-íris entristecido. Ou é das cores, ou é dos folhos. É certo que quem faz um folho, fá-lo por gosto. Pois faz. Mas as camisas são feias. Horríveis até, porque conseguiram atemorizar certas partes do meu corpo. O pescoço, os braços, o peito, a barriga, os ombros e as costas pediram às pernas para sairem dali o mais depressa possível. Assim foi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na rua, passava a haver, naquele certo instante, uma manifestação de homossexuais de todas as idades, acima dos 18 anos, e sexos. Protestavam contra as administrações das lojas por só haver secções para homens e para mulheres. Um moço mais inculto estava a ficar entusiamado sempre que o grito da ordem diza secção. Ao ouvido, um amigo explicou-lhe que era secção e não sexão. O rapaz foi cabisbaixo e partir dali, para ele a marcha já não era uma marcha, era murcha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais à noitinha, o casal de rapazes escolheu para o café, um café-concerto. No palco, o show era um homem e uma viola amarela de madeira. Vieram os acordes e quando veio a primeira estrófe de Porto Côvo, um deles disse ao par uma outra frase sobre o tédio que tinha por aquela música. Teve esta resposta: "a letra podia ser bem pior. Podia começar assim... Roendo uma falange na Rodésia...". À noite, já na cama, um deles amuou por não conseguir ter orgasmos múltiplos. O outro ficou a pensar se para aquilo não havia concerto ou se então não havia conserto. Fosse, como fosse, isso era coisa de mulher. Mesmo aquelas com ouvido de homem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-4639724541591962019?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/4639724541591962019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=4639724541591962019&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4639724541591962019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/4639724541591962019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/as-coisas-que-acontecem.html' title='As coisas que acontecem'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2644726506395766046</id><published>2009-12-07T02:27:00.009Z</published><updated>2009-12-20T02:38:57.144Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Fernando</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era homem para não me perdoar se deixasse a minha memória esquecer-se dele. Vi-o hoje pela primeira vez quando a noite já ia há muito de breu e o Coura mandou a água para cima da terra por ordem superior de uma barragem situada mais acima no rio. As hierarquias são assim. E os caudais aguentam as ordens de montante até ao dia em que engrossam de vez e avançam desenfreados para além dos habituais trilhos. Como hoje. No lugar onde a rua não servia o próprio propósito, a proposíto de um lençol de água, de um lençol não, de dois o três edredons de água sobre o empedrado, numa distância de uns bons duzentos metros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui parámos o carro. Aqui decidimos seguir em frente. O faróis eram pequenas lanternas lançadas à negritude do caminho. Aqui decidimos seguir pelo meio, porque pelo meio não devia haver rio, e à esquerda ou há direita talvez houvesse. Os pneus nunca deixaram de sentir o chão. Lá fomos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na marca onde a água acaba, está um homem sorridente, com óculos baços. Tem altura de um português de 68 anos. Sorriu pela segunda vez quando abrandámos, com as mãos nos bolsos e um ligeiro guinar frontal, como quem quer meter conversa: "vocês são os segundos a passar aqui", disse, no tom exclamado de quem dá as boas vindas com uma vénia aos forasteiros aventurados, bem aventurados neste caso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A scooter branca do Fernando já foi da filha psicóloga quando ela andava a estudar em Viana do Castelo. Por trás do avental do motociclo, Fernando transporta dois garrafões de vinho tinto. A mota anda com ele porque a filha já não precisa. Está bem na vida, tem 33 anos e não quer homem. Só por ser solteira "já foi a Londres, a Paris à dislei, à Índia, à Turquia, aos Estados Unidos, ao Brasil, ao Brasil não quer ir mais porque não gostou daquilo lá". A filha está a morar em Lisboa com a mãe e com o irmão. O Fernando veio de lá ontem. Tem casa em Belém, "no melhor sítio de Lisboa, onde toda a gente quer ter", mas o norte do coração deste homem está cravado no minho, em Vilar de Mouros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Fernando está meio espantado por nos ver ali. Porquê? Os novecentos habitantes de Vilar de Mouros já sabem tudo sobre a chuva no inverno e sabem dar graças a deus quando a chuva traz as cheias, para lavar o rio e deixar os restos do rio fertilizarem a terra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A conversa com o Fernando está quase a terminar. Ele aponta lá para longe na água. "Eu ajudei a trazer o Elton John e a Amália Rodrigues para cantar ali". A luz dos médios de um carro aponta para lá e hoje esse passado está submerso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Vilar Mouros, de qualquer um dos lados da ponte romana, ninguém precisa dos avisos provenientes da capital do império para saber que o que sobe, desce, o que molha, seca e o que começa, acaba. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;PS: enquanto isto, a família do Fernando vendia cachecóis do Benfica à porta do estádio da Luz. A filha psicóloga foi uma vez de propósito à Polónia só para ver a campa do antigo Papa. Esqueci-me de lhe dizer que o Wojtyla chegou a ser guarda-redes quando era novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2644726506395766046?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2644726506395766046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2644726506395766046&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2644726506395766046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2644726506395766046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/fernando.html' title='Fernando'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7782885046390363923</id><published>2009-12-06T15:46:00.006Z</published><updated>2009-12-07T02:25:44.756Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Bronquite aguda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pai bronco pagou quatro bolos, quatro fatias de bolo de chocolate e quatro gelados. Também deve ter pago os três telemóveis de duzentos e cinquenta euros. Um ao filho adolescente bronco, outro à filha adolescente gorda e bronca e o restante à bronca mulher, uma senhora de quarenta e poucos anos e sem dentes à frente, no maxilar superior.&lt;br /&gt;O pai bronco fala de boca cheia quando tira do bolso o telemóvel de quinhentos euros. Cada um comunica com o próprio telemóvel e nenhum levanta o olhos para ver o que o outro faz. Se um diz e"i, olha aqui isto", o outro, colado ecrã só diz : "num posso". O resto é silêncio... mordido aqui e ali por bocas habituadas a mastigar de boca aberta.&lt;br /&gt;É sábado à noite e eles estão nisto no café de uma estação de serviço. Têm mil euros para telemóveis, mas não há saldo para ligar e marcar um consulta no dentista. Estão entretidos no seu mundo próprio, algures entre um serão em família e o sintoma óbvio de uma bronquite aguda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7782885046390363923?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7782885046390363923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7782885046390363923&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7782885046390363923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7782885046390363923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/bronquite-aguda.html' title='Bronquite aguda'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2632996770279095435</id><published>2009-12-05T00:47:00.004Z</published><updated>2009-12-27T22:03:47.894Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Viena&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Geraldo é uma história mal contada. É português, tem passaporte português, mas não tem cara de português. É alto e magro como nenhum português o é. É alto curvado e magro no osso. Por cá não há veias assim tão em cima do osso. A pele, num relato assim à pele, é pele para deixar a cal a duvidar da cor que tem. Geraldo orgulha-se do ar albino. É um homem de respeito, o mais educado dos senhores de todos os sítios onde esteja. Cá na terra, no café, em Londres ou Paris, nos lugares chiques ou nos espaços degradados. Geraldo era a diferença se a diferença fosse humana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A voz grave não fala. Interrompe silêncios. Ela faz massagens aos ouvidos dos interlocutores. Em toda a parte do mundo. Menos ali, na garagem da terra. O filme está com um dia de atraso e dia a menos numa produção independente é o primeiro passo para o fim do projecto. O orçamento é tão difícil de aguentar como a erecção de oitenta e minutos da página 3 do guião. O Marcelo está de cabeça baixa. O Geraldo não tem mais um dia a perder e a cortesia habitual que se foda, o actor não vale um caralho ou então era mandar foder até não poder mais a gaja que escreveu o argumento. Levanta-te, ordenou. Não estaria à espera de uma reacção bíblica no lugar onde o pecado mora em regime de arrendamento vai para dois dias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A falência de uma erecção transporta Geraldo para o lugar mais triste do mundo. No fim da rua a seguir ao Scotch Club, de frente para o Stadpark. Entrando por aí é contar 19 passos à direita. A uns bons dois metros de profundidade, a terra guarda pequenos segredos de um jovem adulto aspirante a realizador, com um nome difícil de esquecer. Geraldo Wolf. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sonho do adolescente era dominar a técnica para dominar as câmaras. Hoje tem a sorte de poder vigiar vinte e quatro horas por dia o segredo do passado, porque foi instalada uma webcam no Stadpark, apontada ao Johan Strauss Monument em Viena. A câmara está disponível online. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O lado escondido de Geraldo Wolf permanece incógnito e aos olhos de toda a gente ao mesmo tempo. No computador onde mistura as cenas do filme porno, Geraldo constrói o futuro e controla o passado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viveu 23 anos em Vienna. Nunca se sentiu austríaco. Numa noite de bebedeira grossa foi ao pub com um plano na cabeça. Iria viver para o país do jogador que marcasse o primeiro golo do jogo que estivesse a ser transmitido. Quando o Futre pegou na bola, Geraldo já sabia que ia ser português. Os adeptos do Barcelona já tinham baixado a cabeça antes da bola ter entrado na baliza do Zubizarreta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De cabeça baixa, Marcelo impede a gravação da cena onde a placa tinha marcado take 2.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2632996770279095435?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2632996770279095435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2632996770279095435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2632996770279095435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2632996770279095435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-meu-primeiro-porno_05.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6972562565634168620</id><published>2009-12-04T14:53:00.007Z</published><updated>2009-12-27T22:03:25.901Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o meu primeiro porno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O meu primeiro porno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;take 1&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A actriz principal tropeçou na ternura dos quarenta algures em 1979. No primeiro dia em que cá veio, bateu à porta e vinha bêbada. O rapaz que segura o único holofote do estúdio foi ver quem era, sorriu e disse-lhe educadamente que a senhora devia vir ao engano. Não, Não. Tinha ela ouvido uma conversa ontem à noite, entre dois homens e uma grade de cerveja no único café da terra. Vinha cá porque queria. E os dez euros por cena dos quais tinha ouvido falar davam jeito para comprar comida para os gatos. De pronto, virada para um embasbacado director, disse que ia fazer sessenta e nove. O realizador daquela garagem fria lá tentou argumentar que essa era uma idade para estar em casa. Mas como era bom coração prometeu-lhe um euro por dia para limpar os cenários, isto é, a gararem, no final de cada sessão. Ela zumbiu que nem pensar. Que sessenta e nove era para pôr na boca e deixar pôr na boca. Porque idade ela já contava uns meses para lá de setenta e dois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Realizador com coração mole em negócio teso arrisca a falência em três tempos. O Geraldo mudou o argumento ao filme e introduziu um capítulo no futuro. Onde uma velha cuidava dos gatos e da hortênsias num campo atrás da garagem. Depois volta e meia a imagem desfocava, como se viesse à ideia da velha os dias férteis dos homens duros. Elvira gravou tudo à primeira e fez por merecer os dez euros em três horas. Não precisou de tirar a roupa. Esteve sozinha em cena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faltava quem desse o corpo ao manifesto do flash-back inventado pelo Geraldo. Quando bateu à porta, já vinha só de robe bordeaux, a estrela da cinemateca caseira, ela mesma, Júlia Dinheiro, nome de rebaptismo profissional, com olho para o negócio e na esperança de que ele se endireite. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6972562565634168620?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6972562565634168620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6972562565634168620&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6972562565634168620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6972562565634168620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-meu-primeiro-porno.html' title='O meu primeiro porno'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8450381352345913772</id><published>2009-12-04T00:09:00.001Z</published><updated>2009-12-04T00:09:46.839Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Almoços no Lago - 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um dia ainda vão arranjar chatice. Basta aparecer um ou outro cliente mais perturbado.&lt;br /&gt;Aquela dúzia de bolas de berlim não pode continuar com esta atitude. Todas, sem excepção, olham para nós ,humanos, pelo vidro da montra, com a língua de fora. Má educação. Isso não se faz. E isto para não ter de dizer que os sorrisos amarelos se detectam à distância. Tanta superioridade e sarcasmo vindos de quem, não tarda nada, e a troco de trocos, vai ter a vida feita em merda.&lt;br /&gt;Noutro ponto da vitrina reina a delisusão no mundo dos sonhos. São uns vendidos. A cinquenta cêntimos a unidade.&lt;br /&gt;Termino o panado de frango e o arroz de feijão com o pormenor delicioso de um éclair. Amanhã almoço voltado para a rua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8450381352345913772?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8450381352345913772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8450381352345913772&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8450381352345913772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8450381352345913772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/almocos-no-lago-1.html' title='Almoços no Lago - 1'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3950607737253003952</id><published>2009-12-04T00:08:00.000Z</published><updated>2009-12-04T00:09:08.059Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Pirata</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Assistam em primeira fila à estupidez dividida por quatro. Vamos situar o episódio no tempo: foi anteontem. E no espaço: aconteceu no interior de um centro comercial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Observador atento de costumes não se surpreende quando em quadra natalícia aparecem homens em número de quatro (e a estupidez não está aqui), divididos por dois fatos de rena. Emparelhados, puxam um trenó grande. O trenó grande vem com um pequeno pai natal sentado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A estupidez a dividir por quatro vem ao lado. Dois atrás. Dois à frente. Quatro seguranças altos, de fato escuro, braços cruzados sobre o abdómen, intercomunicadores enfiados nas orelhas e mocrofones em fios finos até perto da boca. Ridículo, este desfile de renas e pai natal. O dolce vitta não é a Faixa de Gaza. Mandem dizer isso ao pessoal da segurança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A caminho do carro, no parque de estacionamento, está ali à mão uma loja de desporto. As calças de atlestismo fazem falta e a proximidade da ocasião, faz o ladrão. Agora que já se pode seguir a caminho do carro, não é possível ir embora e esconder dos olhos uma árvore de natal postiça de quatro andares. O pai natal está sentado num trono para dar colo às crianças para a fotografia. A fila de pais chega quase ao tamanho da estupidez dos seguranças musculados para conter o eventual excesso de alegria das crianças. Isto está para o espírito da quadra como a bota esquerda está para o pé direito e vice-versa. E ainda por cima enganam os petizes com com um pai natal anoréctico e anão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegado a casa, não posso deixar as calças de atletismo guardadas no sapatinho à espera do dia 25. Vi o que a crise fez ao pai natal e temo que ele tenha poucos dias de vida .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o corpo volta à estar fora de casa e as pernas começam a correr, vou tempestade dentro, confortado por estar equipado a preceito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre o ir e o vir foram seis quilómetros. No videoclube aluguei o Into the Wild para ver a seguir ao banho. Quando é que o pirata chega a esta história? Não chega. Porque deixei de lado o fato de pirata cibernético e preferi, sem duvidar, a pele de corredor de trazer por casa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3950607737253003952?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3950607737253003952/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3950607737253003952&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3950607737253003952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3950607737253003952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/pirata.html' title='Pirata'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7228851495560579141</id><published>2009-12-04T00:07:00.001Z</published><updated>2009-12-04T00:07:50.572Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O senhor deputado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Generalizar é um verbo para não se dizer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Corre o risco ao lado, com os dentes do pente em aço cinza prata. Atira a laca ao cabelo em abundância. Está a viver o momento mais generoso do dia. A laca vence a atmosfera num inequívoco &lt;em&gt;knock-out&lt;/em&gt; e ele julga ter descoberto a pólvora quando o ar, ele próprio, precisa de se baixar para respirar. Generalizar é um verbo para não se dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dia de estreia no hemiciclo foi o pretexto perfeito . Assentava no senhor deputado como um fato italiano de quatro dígitos. O pretexto era uma ida às compras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tocou á campainha do número 28 da rua das Portas de Santo Antão. Visto desde o passeio, podia ser um sobrinho de visita a uma velha tia habituada à prisão do último andar de um prédio sem elevador. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No último lanço de escadas o sobrinho já não tinha a compostura de um deputado, tinha sim o ar de um sobrinhoque bateu á porta eraada e se viu sem saber como na ampla entrada do studio mais exclusivo e secreto do país. Ali ficava o último grito. Julgo que ganiu baixinho. O último grito das canetas que é melhor ter 20 euros sempre à mão, não vá a carga acabar e o texto fica longe do fim; O último grito das gravatas, no ponto da loja em que dois rapazes de ar sensível confudem um fio de pôr ao peito com uma gravta fina; o último grito das meias, tão finas, fininhas, quase de mulher, mas não porque eles do grupo parlamentar de direita não suportam homens em collants. também não vamos estar a generalizar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegou ao parlamento com o melhor fato, a melhor camisa, a melhor gravata, os melhores sapatos. O cabelo obedecia ao processod e lacagem. Ficou sentado na segunda fila. Foi chamado em primeio lugar. Anunciou que tinha sido retirado o livre-trânsito ao verbo generalizar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- "acabou o tempo senhor deputado. Há coias que nunca mudam. Novos ou velhos, nunca cumprem a alínea do regimento relativa ao tempo"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O neo-deputado pretendeu retorquir, dizendo que o presidente da assembleia da república estava a generalizar, mas já não o pôde fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7228851495560579141?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7228851495560579141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7228851495560579141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7228851495560579141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7228851495560579141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-senhor-deputado.html' title='O senhor deputado'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-6897293362136716939</id><published>2009-12-04T00:06:00.000Z</published><updated>2009-12-04T00:07:15.268Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Chamem-lhe tolo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em todos os lugares há. Há nas cidades, na aldeias, há aqui e ali também há. O homenzinho a quem se chama Tono num lado, Quim no outro, a quem se chama o diminutivo do nome antes do adjectivo tolo, mas que se diz como se houvesse um hífen a ligar o tolo ao homem e vice-versa. Por estas bandas chamam-lhe Tono. Tolo, claro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca mais é quinta-feira, nunca mais é quinta-feira, nunca mais é quinta feira. Hoje é sexta. E o nosso António já perdeu a conta às quintas sussuradas entre os dedos e os lábios, ali para os lados dos botões da camisa de flanela. O pull-over tapava os ouvidos, mas assistia de olhos em bico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;António veste um casaco novo. Sabe de onde vem, porque os anteriores a este também vieram do aido frio da casa da falecida tia do Adolfo, nas traseiras do cemitério e da igreja. Em troca, Adolfo não quer mais do que a amostra dos tópicos do discurso que o Tono tolo há-de levar à assembleia de freguesia. Recebe duas ideias em primeira mão. Entrega um blazer azul escuro habituado aos ombros de 3 gerações da família Brandão. O último dono enlouqueceu quando as finanças juraram a pés juntos que na família, o dinheiro tinha dado lugar às dívidas. Temos portanto que o blazer não iria estranhar o cachaço do cliente seguinte, outro tolo, por sinal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tono vestiu-o no fim-de-semana. No domingo à noite pôs-se a pensar quando e onde o teria comprado. Na quinta-feira lá se lembrou, ao passar em frente à casa do falido Adolfo, a caminho da assembleia de freguesia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veio um com chave e entrou. Vieram mais três, bateram à porta e entraram. E deixaram a porta aberta para o resto dos constituintes e eventuais assistentes. Veio o povo, homens velhos. Mais um ou outra trintona. E veio o tolo, direito ao fundo da sala, acomodado de pé a um canto, vestindo um casaco que já tinha sido rico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;António Manuel Socorro. O primeiro nome da lista. Inscrito para subir ao púlpito e falar quando estivessem concluidos todos os pontos da ordem do dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá vai o Tono tolo. O pensamento percorreu a sala enquanto ele ia e todos foram trocando expressões resumidas num simples o que virá por aí. Veio isto:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- "Começo pelo escândalo da cegueira nos hospitais. Querem mesmo resolver os problemas? Então despeçam os oftalmologistas e chamem para resolver o assunto o senhor que é presidente da Vista Alegre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E as Redes Eléctricas Nacionais? Era com dois penedos que se revolvia a questão, era? Quando muito, com dois penedos fazia-se electricidade estática. Mas foi bem pior. Foi um curto-circuito jeitoso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para já não falar na sucata. Um administrador de um banco, para mostrar que é poupado foi comprar um telemóvel à sucata e comprou um que tinha sido deitado fora por um polícia judiciário. O telefone tinha o vírus do defeito profissional e gravava sozinho. A coisa correu mal. E agora vai ser preciso uma maratona para ilibar toda a gente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensam que os tribunais não têm mais nada para fazer? O carro do juiz não precisa de peças em segunda mão. Nem sei porque é que o senhor da sucata vai todos os dias ao tribunal. É uma perda de tempo. O juiz não vai comprar nada e as peças ficam a ganhar ferrugem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também já se diz por aí que o presidente da república não sabe mandar emails. Isso eu não acredito. Mandar um mail é tão fácil como, como, como... olha, como comer bolo-rei, por exemplo que o natal está aí à porta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deixem mas é as pessoas em paz. Porque quando o senhor andava na escola ainda não havia computadores. Bem, para dizer a verdade, quando o senhor andava na escola ainda não havia luz, quanto mais redes eléctricas nacionais. Depois admiram-se que ninguém saiba destas coisas..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o vogal apagou as luzes o Tono estava autorizado a dormir num dos bancos compridos. Não o fez sem antes mandar mais duas ou três frases para o tecto. Adormeceu a dizer que nunca lhe tinha passado pelo cabeça que um penedo pudesse ter filhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-6897293362136716939?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/6897293362136716939/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=6897293362136716939&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6897293362136716939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/6897293362136716939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/chamem-lhe-tolo.html' title='Chamem-lhe tolo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1233174246044499479</id><published>2009-12-04T00:05:00.000Z</published><updated>2009-12-04T00:06:40.603Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Pausa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gosto. Gosto quando a saia dança e corpo canta. Gosto desta música inédita no barulho dos lábios. Os teus olhos estão a chover; eu sossego o beijo como quem pede desculpa sem saber do quê. A pele do teu rosto é a palma da minha mão. Gosto quando a seguir à pausa anseias pelas cenas dos próximos capítulos. Gosto quando te digo que amanhã não existe, que isso é hoje numa pausa do tempo. Aceitas no colo um tratado de paz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1233174246044499479?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1233174246044499479/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1233174246044499479&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1233174246044499479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1233174246044499479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/pausa.html' title='Pausa'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-241431627257086985</id><published>2009-12-04T00:03:00.003Z</published><updated>2009-12-15T23:11:34.896Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Adolescente</title><content type='html'>&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div style="CLEAR: both"&gt;&lt;div class="post-body entry-content"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu sou o primeiro segredo de Fátima. A minha mãe sabia mais do que a Lúcia e chegou primeiro a casa do meu pai. Quando soube que devia estar para nascer, o meu avô ficou tão emocionado que até quis oferecer ao meu pai um lugar no céu. Só não conseguiu porque a arma estava encravada.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O meu avô é uma pessoa muito acólita. Beba dois garrafões de vinho por dia. E um à noite. O que ele não admite é que se brinque com a Igreja. Quando estou à beira dele só posso recordar as sobrancelhas do Álvaro Cunhal. Se falar sobre a vida privada do Salazar já estou a pisar o risco. Proibido mesmo é falar daquela saia que ficou esquecida um dia na cama do ditador. E não convêm nada recordar que nesse mesmo dia o Cerejeira deu a missa de fato e gravata.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É melhor ficar por aqui. Quando acha que me porto mal, ou que me estou a esticar, a minha mãe, Fátima, obriga-me a ouvir o cd dos Blasted Mecanism. Fui!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="CLEAR: both"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-241431627257086985?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/241431627257086985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=241431627257086985&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/241431627257086985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/241431627257086985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/adolescente.html' title='Adolescente'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2919354639575084488</id><published>2009-12-04T00:03:00.001Z</published><updated>2009-12-04T00:03:45.827Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O coleccionador de títulos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fica na rua alta empedrada. No cruzamento dessa com a mais estreita de todas as ruas da freguesia. Isso, à partida, faz deste espaço uma coisa torta, se é que a geometria do volume dos espaços permite esta definição. Num corpo entortado, no lugar para abrir dia sim dia sim, entre o pôr e o nascer do sol. Onde as pessoas são lavadas com álcool por dentro. Cá estamos. E daqui contamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No sitío do balcão de onde espreitam as torneiras de cerveja, o título a duas linhas, recortado de um jornal, aproxima uma de outra, as torneiras, e acredito que as deixa de sobreaviso quando diz: "contagiar os outros dá prisão caso haja esse propósito". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A propósito, ou sem propósito, cá se prova uma verdade das artes. A escultura é obra do acaso. E por acaso, agora que o dizemos, nunca antes ninguém teria dito como iria ficar bem, encostada à parede do lado esquerdo do balcão, uma mesa de trabalhos manuais de uma escola de Valadares. Não foi, mas parece que foi desenhada primeiro, e gasta depois, para estar num estado perfeito de integração quando chegasse o bar. Da mesma escola, alguém trouxe uma banca de carpinteiro com um torno. Foi música para os ouvidos do DJ. Tem sobre ela os pratos. Dentro dela os discos. E com ela as noites dançam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem escolhe, quem põe, quem muda, quem dita o som do som é o homem quem entregamos o título desta história, o coleccionador do títulos. Esse, o tal que toma café, de jornal sobre a mesa e tesoura na mão. Recorta nesgas ou pedaços das vésperas. E cola as frases, boas ou más, nas paredes do lugar onde as pessoas vão à noite para lavar o corpo por dentro com bebidas para maiores de 16 anos. Agora que falamos em idade, vamos olhar de perto para uma pedra. Uma pequena pedra, exposta na banca grande de madeira, em cima de um pano escuro. Por cima dela, na parede de ferro, o título é: "uma pedra vencedora". O coleccionador acreditou ter ganho a noite com a ideia e bendisse a hora em que à hora do café lhe apareceu uma associação daquelas. Com a tesoura à mão, cortou o bem pela raiz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando me aproximo para pagar a despesa, a caixa registadora guarda, de frente para os clientes, a colagem onde se pode ler: "repare no que sofremos". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reparo que já é tarde e que hoje vou embora sem pôr a vista em cima do dono da casa. Olhando a direita vejo um título como se fosse um quadro: "já pensaram que eu tinha morrido", está lá, desta forma, na parede. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É junto à porta, à saída, que encontro esta noite pela primeira vez o coleccionador de títulos. Nem parece o mesmo quando não traz vestida a t-shirt onde mandou escrever &lt;em&gt;local hero&lt;/em&gt;. Antes de chegar a ele passei pela colagem junto ao torno onde a música acontece e a colagem perguntava: "quando está de folga o DJ também dorme?" Talvez sim, talvez não. Aguardemos com expectativa pelas notícias do próximo pôr do sol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2919354639575084488?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2919354639575084488/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2919354639575084488&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2919354639575084488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2919354639575084488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-coleccionador-de-titulos.html' title='O coleccionador de títulos'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2338976398273764223</id><published>2009-12-04T00:02:00.002Z</published><updated>2009-12-04T00:03:06.259Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Afirmativo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando se torna demasiado conhecido por factores externos às letras, um escritor não é os livros que escreve. É a cara que tem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando assim, ele deixa de ter corpo. Para se juntar aos outros e passar a ser mais um homem transparente. Os livros contam histórias gémeas desta. São esses sobre lado esquerdo da prateleira de cima, esses mesmos, os de páginas em branco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2338976398273764223?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2338976398273764223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2338976398273764223&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2338976398273764223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2338976398273764223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/afirmativo.html' title='Afirmativo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5960910502028531874</id><published>2009-12-04T00:02:00.001Z</published><updated>2009-12-04T00:02:39.175Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Amor em nota breve</title><content type='html'>Nessa noite, antes de saírem para ver o jogo de futebol no café da aldeia, o mais próximo que ele esteve do amor em estado líquido foi quando empurrou com a palma da mão, para baixo, a tampa-torneira no frasco de Dettol. As extremidades do membros superiores foram para a rua desinfectadas. Já quanto ao resto, dúvidas havia sobre a eficácia de uma lavagem cerebal. Porque o pecado, quando vem na forma de uma ideia pensada, não vai lá com anti-sépticos de trazer por casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5960910502028531874?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5960910502028531874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5960910502028531874&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5960910502028531874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5960910502028531874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/amor-em-nota-breve.html' title='Amor em nota breve'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3492184467459859501</id><published>2009-12-04T00:01:00.002Z</published><updated>2009-12-04T00:02:05.393Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Sexo masculino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entra um som grave na sala. Vem do toque do arco nas cordas. É um violino a dizer que a banda sonora desta tarde é uma estação chamada outono. É um barulho quente. Antecede a entrada de uma voz triste. Podia ser o início de um filme nostálgico. Não é. É a realidade quando bate com força nas rochas. É o mar aflito por chegar a terra, o som do violino, preso, espalmado, num disco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando todos os outros instrumentos chegam à música, há quem corra num estrado de madeira sobre a areia da praia. O vento, que não tinha sido convidado para a corrida desta tarde, lá acabou por se decidir a aparecer à ultima da hora. Trazia demasiadas histórias para contar e contou-as todas ao mesmo tempo. Assim o fez, sem pedir licença, só porque tem a mania que é uma força da natureza. Mal dava escutar o violino, a voz e os outros instrumentos todos. Que nos perdoe a natureza, em toda a sua força, mas o homem também tem poderes reservados pela experiência para os mais inusitados apertos. Com o ligeiro toque de um dedo, se aumenta a opção onde diz volume. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A corrida tinha sido programada para durar trinta minutos. No último segundo do tempo estimado à partida, o obediente corpo do corredor obedeceu à sugestão do cérebro e deu ordem de paragem às pernas. O corredor parou no exacto lugar onde estava um cartaz de promoção ao filme "Morrer com um homem". Viu ali um sinal para se começar a portar como tal. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3492184467459859501?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3492184467459859501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3492184467459859501&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3492184467459859501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3492184467459859501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/sexo-masculino.html' title='Sexo masculino'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7992523570843125860</id><published>2009-12-04T00:01:00.001Z</published><updated>2009-12-04T00:01:36.445Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Enquanto dormes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Numa luz escura, para o interior de uma porta, de costas para a janela, por baixo do candeeiro. Ali. De costas para quem espreita de fora, o vulto de um homem segura qualquer coisa onde escreve as coisas mais difíceis de dizer no momento mais difícil de escrever. Começou a carta com um banal "enquanto dormes", para logo apagar essa ideia que dava a ideia de estar a colocar a remetente perante um título roubado à pressa da prateira de uma loja de conveniência, para desenrascar uma situação complicada. "Enquanto dormes" não seria, portanto, a linha de abertura da carta destinada à mulher da vida do senhor que segura a pena. A delicadeza do caso aconselha a desambiguar a palavra pena. Pena era a caneta mais antiga lá de casa, a que estava mais à mão quando se foi lembrar, à tardinha, de falar por escrito com ela. Pena era um sentimento para riscar do dicionário sentimental, mas era também o estado de espírito de um homem triste por ter escrito pela última vez há mais de um ano, e por, quando o fez, o ter feito para pôr o nome num cheque. Impagável, aquele momento de contrição absurda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O caminho não era aquele. E por aquele caminho a carta não chegaria nunca aos olhos da destinatária. Estava sem dar conta a seguir todas as indicações que levavam a detalhes. A rua para onde tinha de escrever não era por ali. Nem de longe, nem de perto. Voltou agarrar a pena na mão direita e foi direito ao assunto. Disse tudo num fôlego e a prova está no papel dobrado em três, com mil cuidados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O envelope está fechado quando uma funcionária dos correios o pousa no chão cinzento da balança. 78 gramas. Bem pesadas, e bem vistas as coisas a frio - como a temperatura do chão da balança - as palavras que lhe pesavam toneladas e por isso custavam a sair, não eram assim tão carregadas quanto isso. Mais do que uma teoria, a relatividade é um conceito prático.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No caminho de regresso a casa, releu todas a frases com a mente focada no príncio que era para ser "enquanto dormes" mas que não foi. Mas que contava tudo sobre a forma dos olhos dela nas diferentes partes do sono. Estendidos nas noites de paz. Enrugados se havia tempestade no sonho. E a boca, aberta ou fechada não importa, a boca era sempre dona e senhora, única dos seus beijos, a boca era, a dormir, o lado meigo dos sorrisos serenos. O cabelo dela assistia a todos estes movimentos de olhos bem abertos e dançava da almofada para os lençois. Os braços abraçam e as pernas caminham enquanto dormes. E a voz que vem de perto para dizer que te ama, vem desta boca que te dá um beijo e tem uma letra igual à letra da carta que está para chegar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7992523570843125860?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7992523570843125860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7992523570843125860&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7992523570843125860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7992523570843125860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/enquanto-dormes.html' title='Enquanto dormes'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7828983702675805525</id><published>2009-12-03T23:58:00.002Z</published><updated>2009-12-03T23:59:00.603Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>A palavra fim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O relógio vai ser obrigado a dar trinta voltas para trás. Para fazer doze horas vezes dois ao longo de quinze dias. Vamos a pé até ao passado, que este é recente e só foi há duas semanas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À medida que Zurique se vai aproximando das rodas do avião, caminha para o fim o primeiro episódio da série 1 de Californication. O Ipod está preso entre os dois apoios de cabeça dos bancos da frente. É agasalhado por uma capa de silicone, feita à medida e com a intenção óbvia de servir de apara quedas: é uma espécie de salva-vidas para gadgets. Modernices.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A viagem a Zurique foi marcada com o propósito de ir ver a sorte futebolística de Portugal a caminho da África do Sul. Um assunto de nível mundial. Coisas da Bola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às voltas com um discurso redondo, o pensamento circula pelas décadas antepassadas, quando os portugueses desembarcavam aos jorros, aviões fora, e procuravam na Suiça, aprender coisas simples como qualidade ou segurança, em francês ou em alemão, visto que em Portugal, essas palavras eram de circunstância, sem significado prático.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em cada uma das três noites em Zurique, nas horas a seguir ao jantar, fomos caminhar pelas ruas desertas, mas profundamente belas, da cidade. Numa dessas três noites, escolhemos andar pelas artérias sugeridas pelo taxista que nos trouxe do hotel para a baixa. Era um homem grande. Conduzia um jipe antigo com cheiro a Marlboro. Tinha o cabelo a fugir para o comprido e o bigode a fugir do lábio de cima para o lábio de baixo. É isso, o motorista de táxi tinha ar de &lt;em&gt;motard&lt;/em&gt;. Era simpático, dizia-se pasmado com a qualidade do meu inglês. Falava da língua inglesa. E eu, que sou dado a equações mentais instantâneas, somei &lt;em&gt;english&lt;/em&gt; mais Zurique e as páginas tantas já estava nas páginas do Assassino Inglês, de Daniel Silva, e olhava pelo vidro, a ver se reconhecia os sítios por onde tinha andado Gabriel Allon.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu camarada de trabalho, desperta-me daquela conta de somar ao introduzir na conversa a emigração portuguesa para a Suíça. Recorda um casal de amigos dos pais. Viviam no interior de Portugal e quando se reformaram tinham à espera na aldeia portuguesa um casarão de traço helvético. Disse-me que viviam nos anexos e que só utilizavam a mansão nos dias, escassos, em que recebiam visitas. Ainda me disse que na sala e nas outras divisões, os tapetes e os sofás estavam plastificados, para não estregar. Portuguesinhos, balbuciei de imediato. Modernices dos anos oitenta, suspirei em seguida. Para me recordar imediatamente da capa de silicone do meu Ipod. Vai já para o lixo. Quero admirar a beleza toda deste objecto de &lt;em&gt;design&lt;/em&gt;. Se estragar, estragou. Quando estragar, estragou. Não há que ter medo da palavra que chega sempre em último lugar e que diz fim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7828983702675805525?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7828983702675805525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7828983702675805525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7828983702675805525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7828983702675805525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/palavra-fim.html' title='A palavra fim'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-2052538456117936316</id><published>2009-12-03T23:58:00.001Z</published><updated>2009-12-03T23:58:28.806Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>5165</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Porto -&lt;/strong&gt; Faltam seis quilómetros para a última linha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A quem vem desde o hospital de Santo António, a caminho do Palácio de Cristal, o lado direito da rua oferece, antes de chegar à curva, pelos menos dois mini-estabelecimentos especializados na venda de vinho a retalho. Vamos entrar no primeiro, pelo acaso de ter sido o primeiro a abrir a porta, ainda antes das oito da manhã, num domingo molhado, cinzento e de termómetro encolhido. É um pão com queijo se faz favor e um Sumol de laranja. Tudo bem, pode ser FriSumo de ananás. E era uma vez o jejum. Um café quando puder, deixe estar, termine de lavar a louça à vontade, depois traga também uma garrafa de água, natural, das pequenas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lindinha nunca saiu do metro e cinquenta de altura, passa o dia de um lado para o outro a gastar o chão dos quatro metros quadrados do balcão. O marido de Lindinha é o dono do tasco e quer-me parecer, o proprietário daquele par de vidas. Hoje tem o emprego de indicar o caminho da casa de banho aos homens e às mulheres que chegam para a maratona da cidade. Na soleira da porta, com vista os jardins do palácio, o senhor gestor do negócio e um amigo que se ainda não está bêbado vai ficar, confidenciam que o Tono picheleiro também vai à corrida. Vai o Tono e vão mais 7499, incluindo este.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizem que a descer todos os santos ajudam? Então os santos de nada servem, porque só ajudam quando não é preciso. Bonito era vê-los aqui, no lugar onde a prova arranca, disparada no tiro de partida da pistola, aqui com a subida da rua Júlio Dinis pela frente, tal parede para trepar em direcção aos céus, sem santos para dar uma ajuda, eles que por serem nove horas devem estar a acordar para o dia e já a pensar na melhor forma de ajudar à missa de domingo. O pó de açucar das bolas de berlim, na montra da Petúlia, significam o topo do cume. A partir daqui é em linha recta, menos na rotunda Boavista, e a descer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem chegou mesmo em cima da hora partida foi a chuva, fraquinha, mas persistente, como um corredor de fim-de-semana, inscrito a troco de cinco euros na corrida dos seis mil metros, ou mini-maratona. O quilómetro um demorou tanto tempo a chegar, que quando chegou, julguei estar já a chegar ao Japão, mas afinal não. Eram apenas turistas nipónicos, aos magotes, de dentes à mostra máquinas fotográficas ao peito, perto da zona dos hotéis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A meio do viaduto das Andresas, por cima da VCI, o sinal de meio caminho andando. Três quilómetros nas pernas, numa altura em que as portas psicológicas da caixa de ar tinha sido todas abertas com sucesso e relativa facilidade. O aquecimento em marcha cautelosa estava feito, os pés podiam bater com mais força no asfalto. As ultrapassagens sucediam-se ao ritmo de duas ou três centenas por quilómetro. Junto ao Pinheiro Manso, o trajecto reentrou na avenida da Boavista, para que daí a nada surgisse uma recta em versão xl e sempre a descer, antes da cortada à direita para o parque da cidade e para o fim da prova. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabou, num estalar de dedos. Sem dor. De burro, de joelhos ou outra. Devia ter investido mais 5 euros. Davam direito a mais sete quilómetros e davam uma outra justiça à forma física destas pernas. A esta hora, os membros superiores do mesmo corpo dirigem-se ao teclado e perguntam onde está o homem que nunca se levantava antes da uma da tarde ao domingo e que fumava mais de um maço de cigarros por dia. Está aqui, mas não é o mesmo. O tempo corre. Hoje acompanhei o tempo com o dorsal 5165. Ainda estou para entender porque se chama dorsal a um número que nos dão para pôr ao peito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seis quilómetros em 32 minutos. Ritmo de passeio. Não houve mais desenvolvimentos sobre a maratona xs do Tono picheleiro. Regresso ao local da partida à mesma velocidade. Menos uma bola de berlim na montra da Petúlia. Porto. A última linha, afinal marca quase 12 quilómetros.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-2052538456117936316?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/2052538456117936316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=2052538456117936316&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2052538456117936316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/2052538456117936316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/5165.html' title='5165'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-30662328942667254</id><published>2009-12-03T23:57:00.000Z</published><updated>2009-12-03T23:58:02.066Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O filho mais velho do leiteiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mesmo que no começo, como está a acabar de acontecer, haja um recurso insistente a palavras como veloz, rápido, depressa ou até mesmo supersónico, não há-de ser por aí que estas linhas vão conseguir fugir ao destino. É fatal como o destino, que não a consigam fazer, a tentativa de fuga ao inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como em tantas passagens do livro do século XXI, esta página também contém o antes e depois do 11 de setembro de 2001. A história de hoje vai preferir contar a evolução cronológica em marcha atrás e estacionar a narrativa numa rua de paralelo. Vem, com um carrinho de mão nas duas mãos e à frente das duas pernas, o homem a quem chamam de Bin Laden. Hoje tem a barba cortada. O cabelo também foi à tesoura, antes de ser penteado em partes democráticas -tanta coisa para dizer risco ao meio. Quem o vê hoje pela primeira vez, vê-se e deseja-se para compreender o porquê de se chamar Bin Laden a um pobre errante, cuja mente deixou de funcionar nas perfeitas condições vai para mais de quarenta anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Óleo, continua a faltar óleo ao carrinho mono-roda. Estridente no paralelo, Bin Laden levanta com as mãos, empurra e carrega o meio de transporte cuja chapa já foi chapa e agora é ferrugem prestes a passar a ser pó. Leva no carrinho uma velha tábua de passar a ferro. Não é assim que vai o consertar, concerteza. Leva umas quantas barras de ferro velho e leva um monitor de computador, uns cabos e um teclado. Ligasse ele aquilo tudo, ou a aquilo tudo, fizesse ele uma visita ao google e escrevesse Bin Laden e ficaria a saber que antes de ter ido ao barbeiro, a cara dele era a cara chapada do homem mais procurado do mundo. Oito anos depois do 11 de setembro ele, que é o filho mais velho do último leiteiro da freguesia, ele ainda não sabe do ar terrorista que a junção de nariz, queixo, olhos e pêlo fazem naquela cara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes do 11 de setembro de 2001, ele já sabia de ser parecido, no que diz respeito ao rosto, com o filho único de deus. Cabelo e barba selvagem. Lá na terra, as pessoas pediam a outras pessoas para não dizerem que aquele maluco tinha cara assemelhada à de Jesus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem antes, nem depois. Nunca. Ele nunca se achou um cristo. Esta tarde, a dois quilómetros do sítio onde o tinha visto pela última vez, o homem a quem ninguém fala, mas a quem chamam, quando estão para o chamar mais ou menos pelo nome, de Beto Leiteiro, seguia de carrinho de mão numa estrada de asfalto. Desta vez levava uma velha máquina de lavar roupa. Qual o melhor detergente para dar brilho a esta história?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-30662328942667254?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/30662328942667254/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=30662328942667254&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/30662328942667254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/30662328942667254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-filho-mais-velho-do-leiteiro.html' title='O filho mais velho do leiteiro'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5213532556710805216</id><published>2009-12-03T23:56:00.002Z</published><updated>2009-12-03T23:57:23.313Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O homem que sabe sempre o que quer</title><content type='html'>O homem que sabe sempre o que quer, cheira mal. Cheiro muito mal mesmo. O homem que sabe sempre o que quer era um adulto moreno, nos anos oitenta, que vestia uma camisa de ganga, azul clara, e umas calças de ganga, azuis escuras. Tinha os braços peludos, segurava a mulher pelo pulso, coitada, não pelo aperto nos ossos, mas por estar a ser obrigada a levar o nariz até às proximidades de um fedor promovido em horário nobre na televisão portuguesa.&lt;br /&gt;Com essa coisa que estavámos a começar a chamar de publicidade, o homem que sabe sempre o que quer multiplicou-se. Era vendido e apresentado com a mesma pujança em prateleiras dos supermercados ou nas montras arrumadinhas da loja lá da freguesia. O terrível odor foi conquistando o nariz do país, venda após venda, rua após rua, uma cidade atrás da outra. Em simultâneo, a campanha emprenhava a recente sociedade democrata pelos ouvidos, com esta frase que podem já estar cansados de ler, esta que diz... o homem que sabe sempre o que quer. Ele era um gajo muito mal vestido e a ele coube o mérito de espalhar a falta de gosto na hora de escolher a indumentária pelo território inteiro: de norte a sul; do litoral ao interior.&lt;br /&gt;Vinte e cinco anos mais tarde, o homem que sabe sempre o que quer ainda existe, mas só em espamos. Continua a ser detectável a cem metros de distância nos dias normais, ou a cinquenta metros nos dias em que estamos com gripe.&lt;br /&gt;A maneira mais fácil de acabar com esta recordação é dizer que o verdadeiro homem que sabe sempre o que quer vai levar para a cova o tudo aquilo que foi em vida, sem tirar nem pôr. Esta visão do inferno faz-me chamar um táxi: "é para o crematório se faz favor".&lt;br /&gt;Faço a viagem com a ideia de reservar desde já uma data incerta, mas que fique de preferência o mais distante possível nos calendários. No percurso, uma dúvida: como é que o homem que sabe sempre o que quer nunca soube escolher um perfume de jeito?&lt;br /&gt;Só de pensar em tudo isto, o meu nariz já não sabe se está no táxi ou se está junto da língua para testemunhar o relato da história. Reconheço a cara do motorista do táxi de algum lado. Dá-me a ideia de já não a ver há uns bons vinte e cinco anos. Rezo por uma luz vermelha no próximo semáforo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5213532556710805216?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5213532556710805216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5213532556710805216&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5213532556710805216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5213532556710805216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-homem-que-sabe-sempre-o-que-quer.html' title='O homem que sabe sempre o que quer'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-8436309101445578992</id><published>2009-12-03T23:56:00.001Z</published><updated>2009-12-03T23:56:49.410Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Um parágrafo de amor</title><content type='html'>E viveram felizes para sempre. Ela, que só tinha olhinhos para ele, pressentiu o princípio dos dias contados quando a leitura dos livros com letras mais pequeninas se assemelhava, a ela, a uma forma de utilizar a força como um meio para atingir um fim. Primeiro custava. Custava muito. Depois doía. Doía muito. Não tardou até que o simples descolar das pestanas se transformasse num sacrifício desumano. Não que aquilo fosse sinal de que o amor estava a desaparecer a olhos vistos. Não, não. Não era. Aquilo era uma simples dor física, facilmente resolvida com uma ida ao oftalmologista. O problema residia no facto de ela, um dia, há muito tempo, ter prometido olhinhos só para ele. Pensando na jura antiga, foi então que decidiu arriscar a cegueira a colocar-lhe, assim, de um dia para o outro, um valente par de óculos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-8436309101445578992?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/8436309101445578992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=8436309101445578992&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8436309101445578992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/8436309101445578992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/um-paragrafo-de-amor.html' title='Um parágrafo de amor'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3395219146893349106</id><published>2009-12-03T23:55:00.000Z</published><updated>2009-12-03T23:56:07.414Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>É sábado, é de manhã, é um mundo na cidade do Porto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma rapariga dança no passeio, na metade do caminho da rua Formosa, entre Santa Catarina e a rua da Alegria. As calças são justas, pele de zebra. Claro que sim, pretas e brancas. Para cima tem uma t-shirt azul do super-homem. Rodopia com a dança dos pés e rodopia com o braço direito ao alto e de indicador em riste. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Michael Jackson está no primeiro andar, no princípio de uma carreira a solo, a ensaiar uma música à qual vai dar o nome de &lt;em&gt;don´t stop till you get enough&lt;/em&gt;. Este som, que vem da janela de um velho prédio da baixa do Porto, começa agora a indavir as ruas, e não duvido que, um dia, vá conquistar o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mundo está a encolher a olhos vistos. Apenas um quarteirão mais acima, em Fernandes Tomás, o Woody Allen está no primeiro lugar da fila na paragem de autocarros, mesmo em frente ao Plaza. Tem as mãos nos bolsos, a cabeça levantada na direcção do telhado da igreja dos congregados, os óculos pretos em massa, no lugar do costume. Só a cor do cabelo destoa um pouco. É de um castanho uma pouco mais claro do que o normal. Isso e a roupa levam-me concluir que aquele Woody Aleen é o da década de 70. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vinte metros mais acima, a loja de instrumentos faz da montra um palco onde cabem a bateria, uma guitarra eléctrica, duas violas, uma concertina, o contrabaixo e os ferrinhos. Um dos tripés da exposição está vazio. É isso, falta o clarinete. Entro, pergunto e o dono diz que acaba de ser despachado por via marítima para Nova Iorque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode ter sido de ter dormido poucas horas de sexta para sábado. Mas já que estou acordado e é sábado de manhã e estou na baixa do Porto, o melhor é parar de fazer filmes. Deve ser do estômago vazio... Subo as escadas rolantes no interior de um centro comercial e é aí que trato de elevar esta tosta mista, onde misturo realidade e ficção, ao extremo. Não é que para lá de um muro baixo em acrílico transparente, o Leonardo Cohen desembrulha um bolo de arroz com mil cuidados, deslumbrado com a beleza do papel, mas também por causa da velocidade que a idade lhe autoriza os movimentos. Sim. A idade, com o tempo, dá ao corpo um limitador de velocidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Cohen foi o único a chegar aqui a esta história em tempo real. Talvez por isso permaneça sentado. A molhar o bolo de arroz no café e a lamentar a pequenez da chávena, enquanto que o Michael Jackson se despede dos músicos com um até sempre e o Woody apanha o autocarro, já a pensar que a viagem de avião o vai fazer chegar aos &lt;em&gt;states&lt;/em&gt; muito mais cedo do que o clarinete. Quando o instrumento chegar aos Açores, ele afinal conseguiu acabar o argumento de mais um filme e começa a dizer em voz baixa que a viagem ao Porto talvez tenha sido uma perda de tempo porque já não vai ter tempo para músicas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Jackson descansa em paz sem problemas de tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Leonard Cohen consegue arranjar tempo para mais um bolo de arroz no Plaza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao atravessar a rua, a rapariga das calças de zebra mistura-se com a passadeira. Perco-lhe o rumo sem perceber se o tempo vai fazer dela uma super-mulher.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3395219146893349106?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3395219146893349106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3395219146893349106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3395219146893349106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3395219146893349106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/e-sabado-e-de-manha-e-um-mundo-na.html' title='É sábado, é de manhã, é um mundo na cidade do Porto'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-7452952587784295522</id><published>2009-12-03T23:54:00.000Z</published><updated>2009-12-03T23:55:11.247Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Se esta pena fosse minha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se esta pena fosse minha, a tinta já nem era tinta, nem isto seria, preto no branco, uma tentativa taralhouca de dizer um grito. Esta tinta era vermelho vivo, era sangue, e o alvo podia ser um carneiro, mal-morto, mas carneiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se esta pena fosse minha, a letras batiam na página ao compasso do baixo dos National e eu cantava com as letras uma múscia de amor sem refrão. E não precisava de tanto espaço para dizer saudade... reduzia o vocábulo a menos de metade e aumentava o seu próprio sentimento, dizendo pura e simplesmente... tu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque, se esta pena fosse minha, isto não era uma página, era um rádio. E eu transmitia, de megafone em punho, a minha própria campanha eleitoral. É que, se esta pena fosse minha, fazia do teu amor uma bandeira, cavava trincheiras, partia destemido e salvava o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A música Slow Show está incorporada em duas aplicações brancas inseridas nos ouvidos. Toca sem fim à vista em modo &lt;em&gt;repeat. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este texto não teria de ser um disco riscado, se esta pena fosse minha. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-7452952587784295522?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/7452952587784295522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=7452952587784295522&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7452952587784295522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/7452952587784295522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/se-esta-pena-fosse-minha.html' title='Se esta pena fosse minha'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3950839617316776557</id><published>2009-12-03T23:53:00.000Z</published><updated>2009-12-03T23:54:24.491Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>A torneira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A cabeça de um homem é um quarto às escuras. Durante muitas horas. Ao longo dos dias, que se transformam em semanas que por suas vez passam a meses, meses esses que quando vamos a ver já são anos e entretanto passou uma vida inteira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A luz, no quarto às escuras, acende porque sim, acende porque não, acende com um beijo, acende com uma dor, acende com a importância ou com a nulidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje a luz do quarto às escuras deste vosso senhorio, acendeu para dizer a esta mesmíssima pessoa que... torneira podia ser um bom título. É capaz, se for aprofundado o tema, se a ideia conseguir chegar à fonte que armazena a água que há-de ser conduzida a este e a outros lares. Mas hoje não. Porque sim e porque não. E porque o quarto está bem às escuras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chego ao WC do meu local de trabalho e reparo que algum colega menos atento deixou a água a correr. Fecho a torneira, como quem coloca um ponto final num texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3950839617316776557?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3950839617316776557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3950839617316776557&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3950839617316776557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3950839617316776557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/torneira.html' title='A torneira'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-3899040452428134069</id><published>2009-12-03T23:52:00.002Z</published><updated>2009-12-03T23:53:17.089Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O desconhecido profundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando decidiu sair, fez o caminho até à porta em silêncio. Ia bravo por dentro, vermelho por fora, brusco nos passos. A saída apressada de quem vai cego de olhos abertos é sempre uma forma infeliz de virar as costas aos problemas. E uma situação complicada não fica para trás com o estalar do dedo médio no polegar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um homem, de cinquenta e cinco anos, quando decidiu abandonar um momento difícil de supetão, guardou o problema numa mochila invisível, que lhe faz pesar a nuca e todos, mas todos mesmo, já se aperceberam que aquele queixo sempre levantado não é confiança, mas retracção. E retracção é medo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando decidiu sair com a discrição dos cobardes, e escolheu ir assim sem nada, estava à espera de escapar incógnito, deixando em casa o peso do passado. Mas ao ir assim sem nada, foi às escuras sem a pasta onde guardava as letras todas do abecedário. Pouco tardou e não sabia sequer o próprio nome. A memória ainda o levou à estação do comboio, mas no &lt;em&gt;guichet&lt;/em&gt; quando quis pedir um bilhete, já não o soube fazer e ficou a olhar para o empregado como quem nunca não soubera o que era um diálogo. Sem palavras para a troca, também não soube responder aos nomes todos que todos os homens e todas as mulheres da fila começaram a dizer. Não eram coisas simpáticas, o que por esta altura ele também não sabia. E apesar disso também não seriam coisas tristes ou negativas, porque isso, para ele, representava de igual forma o desconhecido profundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resistiu duas semanas à amnésia das palavras. Sem pão, nem água. Sem amor, um sorriso ou uma lágrima. Morreu. Quando morreu já não era homem. E um homem sem palavra, não chega a ser sequer um animal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(passem para cá um euro)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-3899040452428134069?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/3899040452428134069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=3899040452428134069&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3899040452428134069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/3899040452428134069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/o-desconhecido-profundo.html' title='O desconhecido profundo'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-1171294550713530867</id><published>2009-12-03T23:52:00.001Z</published><updated>2009-12-03T23:52:42.212Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Nobel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À página 110 de "A minha herança", de Barack Obama, e à página 46 de "Caim", de José Saramago, confirmam-se as expectativas. O nobel da literatura português escreve melhor do que o nobel da paz estado-unidense. E não acredito que venha a mudar de opinião, terminadas as leituras de um e de outro livro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fruto da evolução dos tempos, e quando comparado com Caim, porque as narrativas visam a vida de um e de outro, Obama tem uma existência mais pacífica do que a do segundo filho de Adão. E Barack até passou menos tempo com o pai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saramago voltou a apontar o dedo à testa de Caim, como deus já o tinha feito, e as armas voltaram disparar desde todas as brechas cristãs. É uma aceitação dos factos muito pouco católica. É atirar a matar sobre um irmão. Barack, chega aqui um minutinho e traz contigo sais minerais e diplomacia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E tu até que não escreves mal. O Saramago é que escreve muito. E muitas vezes bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-1171294550713530867?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/1171294550713530867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=1171294550713530867&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1171294550713530867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/1171294550713530867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/nobel.html' title='Nobel'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-5695692521086345991</id><published>2009-12-03T23:50:00.000Z</published><updated>2009-12-03T23:51:34.089Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Eu vi um clone</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O lugar é a bancada central de um estádio, na última fila de cadeiras. A hora é depois das oito e vai durar noventa minutos. O palco é gigante, bonito de ser visto, mesmo a partir de uma altura de dezenas de metros. O palco é verde cor de relva. Chegam os artistas. São 22, puxados por mais quatro. Um destes da frente vem com uma bola na mão. Esse mesmo tem um apito, outros dois seguram bandeiras pequenas e o último está com ar de quem vem para ajudar no que der e vier e pouco mais do que isso. Os quatro são o corpo físico das regras que estão escritas em de número de 17, num livrete com 136 páginas. Nota adicional: as leis, inseridas uma pen, incorporadas junto às baterias do auricular, podem tornar mais competente e menos esquecido o homem a quem uns chamam juiz e outros árbitro e muitos outros gostam de chamar filho de mulher dada ao sexo pago.&lt;br /&gt;Os 22 actores representam dois lados. A cada lado a sua cor. Neste encontro, os que vestem de azul e branco abrem as portas de casa a homens e rapazes tapados por roupa preta dos pés à cabeça.&lt;br /&gt;Nos azuis há um defesa romeno. Quando era pequeno, os pais não o deixavam ir brincar para muito longe de casa. E ele, que agora já tem vinte e tal anos, fica preso ao lugar onde mora. Disseram-lhe para jogar no lado direito da defesa e ele joga no lado direito da defesa. Só aí, porque ir mais para a frente seria como ir brincar para longe de casa e os pais podiam não gostar muito da ideia.&lt;br /&gt;Nos azuis, não posso deixar de reparar num argentino de cabelo comprido. É avançado. E tem dificuldades respiratórias. Dá o ar de quem sufoca, quando está fora de área. Lá dentro, é matemática: pé + bola = a golo.&lt;br /&gt;Há dois camarotes pequenos ao nível da relva. É para os amigos mais chegados e para o administrador da equipa de trabalho. No camarote do lado esquerdo, manda um miúdo de 32 anos. A forma como abre o blazer e deixa a mão esquerda na anca... E a direita levantada para os gestos que dão voz à voz que não chega à parte mais longe do campo... E na sala de imprensa, o jeito como o dedo o indicador direito bate levezinho na mesa, ao lado do pé do microfone, quando os olhos baixam e deixam de olhar de frente os olhos de quem pergunta e espera por uma resposta.&lt;br /&gt;Domingo, no estádio do Dragão, eu vi um clone. Sem ponta de medo cénico, em noite de estreia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-5695692521086345991?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/5695692521086345991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=5695692521086345991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5695692521086345991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/5695692521086345991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/eu-vi-um-clone.html' title='Eu vi um clone'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5507907243711999983.post-42735092278246852</id><published>2009-12-03T23:48:00.000Z</published><updated>2009-12-03T23:49:44.105Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euros'/><title type='text'>Deus é um bom dentista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A odontologia, quando é trazida a este texto, como é aqui o caso, não vem para dar lições e muito menos aqui está para fazer um qualquer exame oral a quem quer que seja.&lt;br /&gt;A odontologia está aqui para mandar umas bocas. Como aquela senhora de sessenta e quê anos, aquela de pele muito vermelha e de cabelo muito amarelo. Aquela de cú bem gordo, essa mesma, que tem metade das nádegas para lá das bordas (ai que bordas é uma palavra tão mas tão evitável senhor António) do banquinho de praia.&lt;br /&gt;Sentada com cinquenta por cento do rabo, ia dizer rabo, mas é melhor não, porque rabo é uma palavra com muito poucas letras para aquilo que ela pousa desajeitadamente quando está naquela figura com um pé no pinhal e outro na estrada nacional.&lt;br /&gt;Estamos em Esmoriz, e ela, com 50 por cento do pandeiro sentado e 50 por cento vergado pela ditadura da lei da gravidade, está ali também para mandar umas bocas. Diz quem sabe que são 10 ou 15 euros por boca.&lt;br /&gt;Graças a deus, diz como quem agradece em alívio, a meia dúzia de clientes que chega lá dia sim dia não. Sem marcar consulta. Mas com direito a anestesia local.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5507907243711999983-42735092278246852?l=cadernopretoa6.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/feeds/42735092278246852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5507907243711999983&amp;postID=42735092278246852&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/42735092278246852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5507907243711999983/posts/default/42735092278246852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadernopretoa6.blogspot.com/2009/12/deus-e-um-bom-dentista_03.html' title='Deus é um bom dentista'/><author><name>António Reis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06816304480670126084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
