
Aquele bendito instrumento musical, a máquina de escrever, e os seus botões de onanizar tímpanos, as teclas, corpos fora do corpo, e sua inclinação para mudar o mundo, chover no deserto, doer sem dor, dizer sem ter dito, parar o tempo, nascer as vezes todas que for preciso, tem dias em que escolhe o homem certo para se fazer ouvir.
Receita infalível para canções perfeitas: sem filtros, mas com duas garrafas de vinho, um copo meio cheio e outro meio vazio, um estirador, duas mesas, uma cadeira, uma maço de cigarros, uma caneta e uma chávena de café. Papel suficiente para fazer bolas e atirar ao chão, ou ao ar, que vai dar ao mesmo. Esperar sentado pelo momento em que o corpo de um homem finalmente alinha com todas as estrelas, as troca por meia dúzia de linhas, deixa um pedaço da alma algures no universo.