Deus é um bom dentista

A odontologia, quando é trazida a este texto, como é aqui o caso, não vem para dar lições e muito menos aqui está para fazer um qualquer exame oral a quem quer que seja.
A odontologia está aqui para mandar umas bocas. Como aquela senhora de sessenta e quê anos, aquela de pele muito vermelha e de cabelo muito amarelo. Aquela de cú bem gordo, essa mesma, que tem metade das nádegas para lá das bordas (ai que bordas é uma palavra tão mas tão evitável senhor António) do banquinho de praia.
Sentada com cinquenta por cento do rabo, ia dizer rabo, mas é melhor não, porque rabo é uma palavra com muito poucas letras para aquilo que ela pousa desajeitadamente quando está naquela figura com um pé no pinhal e outro na estrada nacional.
Estamos em Esmoriz, e ela, com 50 por cento do pandeiro sentado e 50 por cento vergado pela ditadura da lei da gravidade, está ali também para mandar umas bocas. Diz quem sabe que são 10 ou 15 euros por boca.
Graças a deus, diz como quem agradece em alívio, a meia dúzia de clientes que chega lá dia sim dia não. Sem marcar consulta. Mas com direito a anestesia local.

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